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Diário Liberdade
Domingo, 11 Fevereiro 2018 17:37 Última modificação em Sábado, 17 Fevereiro 2018 00:22

KKE: sobre os acontecimentos com relação à Antiga República Iugoslava da Macedônia (ARYM)

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País: Grécia / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: PCB

Boletim de Informação do KKE – 05.02.2018

O KKE chama o povo grego, que está razoavelmente preocupado com os acontecimentos relacionados à ARYM (República da Macedônia, que até 1991 fazia parte da Iugoslávia Socialista), para ver a essência do problema, o “bosque”, não a “árvore”. Chama a todos para superarem a desorientação e as falsas linhas divisórias, cultivadas tanto pelo governo como pelas forças que apostam no nacionalismo e no irredentismo.

Ambas as partes, independentemente de seu posicionamento, ressaltam o nome como assunto principal e ocultam o cenário perigoso que está sendo montado. Escondem seu acordo com o “guarda-chuva” da OTAN, sob o qual se desenvolvem as negociações que têm como fim a entrada do país vizinho na OTAN.

Os acontecimentos não têm nada a ver somente com as relações entre a Grécia e ARYM. Constituem os planos gerais promovidos pela OTAN, EUA, UE, com a finalidade de fortalecer sua presença econômica, política e militar no oeste dos Bálcãs e na região mais ampla.

O objetivo é se fortalecer do antagonismo feroz com outras potências, como a Rússia e a China, centrando-se no controle dos recursos energéticos e das rotas, das cotas de mercado.

Por isso, se preocupam tantos os dirigentes da OTAN, o governo grego e o governo da ARYM. Dessa maneira, a Reunião da OTAN, marcada para julho, foi estabelecida como prazo para chegar a um acordo.

Os acontecimentos pressagiam novos sofrimentos para os povos

O fato de que a entrada destes países na OTAN e na UE assegurará a paz e a estabilidade, e que impedirá perigos contra nosso país, é um engano que carece de base histórica.

Não devemos esquecer que as forças da OTAN:

Desempenharam um papel principal na desintegração da Iugoslávia unificada e na criação deste problema.
Reformularam os mapas dos Bálcãs, criaram Estados-protetorados para promover seus interesses.
Utilizam questões de minorias existentes ou inexistentes, incitam o nacionalismo e o irredentismo para dividir os povos.
As relações greco-turcas demonstram que a participação na OTAN não assegura a paz nem a integridade territorial; ao contrário, é um fator de aprofundamento dos problemas, de questionamento dos direitos soberanos.

O próprio curso dos países dos Bálcãs para a OTAN e a UE coexiste com as disputas fronteiriças, com violações dos direitos soberanos, com a agitação inclusive de assuntos de minorias inexistentes.

Portanto, caso cheguem a um compromisso, é certo que este será frágil, que quando mudar a correlação de forças, se buscarão novos acordos e equilíbrios geopolíticos, seja pela guerra ou com a pistola na cabeça dos povos.

A disputa sobre o nome oculta os planos imperialistas, os verdadeiros problemas

Desde 1992, quando se levantou a questão do nome do estado vizinho, depois da dissolução da antiga Iugoslávia unida, o KKE teve uma posição de princípios com a finalidade de promover a amizade entre os povos, contra os planos dos imperialistas e a mudança de fronteiras na região.

Opôs-se à corrente nacionalista dominante fomentada por todos os demais partidos.

Entre estes partidos, estava o partido do Synaspismos (logo SYRIZA), que junto com a ND e o PASOK, assinava os comunicados conjuntos e atacava o KKE, alimentando a histeria anticomunista.

O KKE baseia suas posições sobre o fato indiscutível de que a Macedônia é uma região geográfica muito grande, compartilhada por quatro países balcânicos, com base no Tratado de Bucareste, assinado por Venizelos em 1913. Então, receberam: Grécia 51%, Sérvia 39% (ARYM), Bulgária 9,5% e Albânia 0,5%.

Questionando esta realidade através da consigna “Macedônia é apenas grega”, referindo-se a toda região geográfica da Macedônia, abre o odre de Eolo. Está alimentando o nacionalismo e o irredentismo. Impulsiona aqueles que visam revisar os Tratados Internacionais, como é a classe dominante da Turquia, questionando o Tratado de Lausanne. Isto acenderá o pavio do barril de pólvora dos Bálcãs.

O KKE considera que o mais importante é assegurar relações de cooperação pacífica, salvaguardar a inviolabilidade das fronteiras dos dois países, mudar a Constituição do país vizinho, evitar toda propaganda de irredentismo.

Só desta maneira será possível cancelar toda a base que respalda a teoria anti-histórica de uma “nação macedônica”. Só desta maneira será possível assegurar a definição exclusivamente geográfica, se, ao final, o nome do país vizinho incluir o termo “Macedônia” ou qualquer derivado dele.

O governo do SYRIZA-ANEL assumiu o papel de defensor da bandeira da OTAN

O governo, através da chamada política de “fortalecimento geoestratégico” promove a participação do capital grego no saqueio que se leva a cabo na região. É a outra face da política antipopular.

A burguesia grega espera fortalecer suas posições nos Bálcãs, ganhar novas posições em setores que prioriza, aproveitando a entrada destes países na UE e na OTAN.

É por isso que se apresenta com disposição para resolver questões em nome do capital, independentemente de se isto deixa a porta aberta para grandes perigos para o povo grego e os demais povos da região.

Não ao veneno da xenofobia e ao cosmopolitismo do capital

O KKE chama o povo a isolar as forças nacionalistas e fascistas que estão aproveitando de sua preocupação justificada para injetar o veneno do nacionalismo e da xenofobia. Entre elas, o Amanhecer Dourado criminoso, o descendente político do nazismo, que durante o período de seu domínio a Macedônia grega esteve sob a ocupação búlgara.

A ND e os demais partidos têm graves responsabilidades porque com sua postura estão pescando no rio revolto do nacionalismo, estão absolvendo tais forças. Ao mesmo tempo, dão ao governo a oportunidade de apresentar os novos planos euro-atlânticos perigosos sob o manto da “progressividade”.

Os povos podem caminhar por seu próprio caminho promissor

A luta comum e a solidariedade são suas armas contra os planos do capital e dos imperialistas.

Os acontecimentos requerem vigilância, intensificação da luta operária e popular e da solidariedade internacionalista, contra as intervenções e as guerras imperialistas. Esta luta está inextricavelmente ligada com a luta pelos problemas contemporâneos. Está ligada com a luta contra todas as alianças imperialistas, como a OTAN, a UE, contra o sistema de exploração e o poder do capital.

Fonte: http://es.kke.gr/es/articles/Comunicado-del-KKE-sobre-los-acontecimientos-con-respecto-a-la-ARYM/

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

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