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Diário Liberdade
Sexta, 06 Julho 2018 20:01 Última modificação em Domingo, 15 Julho 2018 02:13

França: As lutas prosseguem, cada vez mais

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País: França / Laboral/Economia / Fonte: Resistir

[Rémy Herrera] Se, no conflito no SCNF, as organizações "reformistas" (CFDT) e de direita (UNSA) oficializaram em 28 de Junho a sua saída do movimento dos ferroviários, os sindicatos combativos, CGT e Sud-Rali, representando só por si mais de 50% dos efectivos sindicalizados do sector ferroviário, anunciaram a sua vontade de prosseguir em conjunto a mobilização no mês de Julho – e provavelmente mais tarde, no Verão.

Mas a estratégia posta em marcha vai mudar: ao contrário da "greve intermitente" praticada desde Abril, com um calendário de dias de greve estabelecido muito tempo antes (o que permite aos utilizadores preverem soluções de substituição para seus transportes, assim como à direcção do SCNF organizar-se para atenuas os efeitos do movimento), a CGT e o Sud-Rali decidiram não revelar as datas de cessão de trabalho senão poucos dias antes, mirando as grandes partidas de veranistas (fim de semana de 6 e 7 de Julho, depois a 11 de Julho para uma acção específica no sector do frete).

As promessas do presidente Macron duraram apenas algumas horas. A direcção do SCNF já informou que o ramo do frete da empresa suprimirá 700 postos de trabalho daqui até 2021. A razão apresentada? O défice registado por este ramo seria "agravado" pelas perdas provocadas pela greve! Os ferroviários que, para muitos, perderam mais de 30 dias de salário nos últimos três meses, seriam em suma responsáveis por estes despedimentos! E, sem vergonha, os sindicatos CFDT e UNSA que lançaram o movimento – como se esperava – estão a mendigar migalhas, nas negociações com o departamento de recursos humanos sobre o novo "acordo colectivo do transporte ferroviário" (em substituição do estatuto dos ferroviários, abandonado). Como se diz aqui, "quando o patronato tiver decidido restabelecer a escravatura, os "reformistas" negociarão com os seus mestres a dimensão das cadeias usadas pelos escravos"...

Ao mesmo tempo, uma outra mobilização de amplitude muito maior, também ela histórica pela sua força, sua determinação e sua duração, desenvolve-se. Os trabalhadores da energia entraram em luta desde há mais de dez semanas. Trata-se de uma greve maciça, muito dinâmica, conduzida por jovens trabalhadores, principiada nomeadamente do lado de Marselha. Ao apelo da Federação CGT da energia, os trabalhadores da electricidade e do gás puseram-se em movimento, em cooperação e em apoio à greve dos ferroviários, conforme modalidades bastante semelhantes, mas com reivindicações próprias ao seu sector e num espírito de convergência em defesa dos serviços públicos.

Desde meados de Junho este movimento vai em crescendo e afecta os sítios Enedis (filial da Électricité de France, [EDF], primeiro fornecedor de electricidade na Europa) e GRDF (Gaz Réseau Distribution France), filial da Engie (ex GDF Suez) e principal distribuidor de gás natural na Europa). Em fins de Junho, cerca de 300 locais estavam bloqueados e mais da metade deles estavam ocupados pelos trabalhadores. Estas greves foram primeiramente "intermitentes", antes de se tornarem prorrogáveis, mesmo ilimitadas, fazendo desta mobilização a mais importante greve do sector da energia desde há dez anos no país. O ambiente ali é muitas vezes cordial, familiar, mantendo grandes laços de solidariedade local.

Escandalizados pelos dividendos astronómicos pagos aos accionistas privados, os grevistas, na ofensiva, reclamam aumentos de salários (no mínimo mais 400 euros mensais), a contratação firme de colegas actualmente com contrato de duração determinadas ou temporária, a anulação das supressões de postos programadas, a reinternalização de actividades externalizadas e a nacionalização dos sectores da energia para um serviço público posto autenticamente ao serviço dos utilizadores – e não dos capitalistas.

É o culminar das lutas, múltiplas e poderosas, conduzidas pelos trabalhadores do gás e da electricidade desde há dois anos (com nomeadamente os "dias da cólera" organizados durante vários meses no princípio de 2017). Face à amplitude da rebelião, os media dominantes impõem uma censura total da informação. Patronato e governo, aterrorizados, aguardam impacientemente as férias estivais que marcarão provavelmente o sufocamento das lutas. Aterrorizada diante do risco de contágio, o poder joga na dispersão dos trabalhadores, que a privatização e o desmembramento do sector público efectuam há anos. São discutidos mesmo prémios para os empregados que se mantiverem calmos, nos sectores do nuclear e das linhas de alta tensão... O que acontecerá na reentrada [das férias], quando ressurgir a cólera dos cidadãos contra Macron e renascer a esperança de mudança?

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