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Diário Liberdade
Sexta, 22 Fevereiro 2019 08:39 Última modificação em Quarta, 06 Março 2019 21:28

Os Estados Unidos cercam militarmente a Venezuela

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País: Venezuela / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: O Diário

Os recentes movimentos de tropas dos EUA, referidos por fontes públicas e pelos media, confirmam que Washington se dispõe a cercar militarmente a República Bolivariana da Venezuela sob o pretexto de uma suposta "intervenção humanitária".

Em 13 de Fevereiro Cuba assegurou, através de uma declaração do Governo Revolucionário, que os Estados Unidos pretendem fabricar "um pretexto humanitário para iniciar uma agressão militar contra a Venezuela" e denunciou voos militares na região do Caribe como parte dos preparativos.

Embora fontes em Washington e alguns dos países envolvidos se tenham apressado a negar as denúncias cubanas, as últimas informações disponíveis ratificam e ampliam as evidências de um cerco militar premeditado contra Caracas.

"Os Estados Unidos acumulam silenciosamente o seu poder militar na proximidade da Venezuela", disse o jornalista e especialista militar britânico Tom Rogan no jornal Washington Examiner. "Uma importante presença naval e marítima dos Estados Unidos está a operar perto da Colômbia e da Venezuela. Seja por coincidência ou não, essas deslocações dão à Casa Branca um leque crescente de opções ".

Segundo Rogan, em menos de uma semana o Pentágono está em condições de colocar 2.200 fuzileiros navais, aviões de combate, tanques e dois porta-aviões na Venezuela.

As três pontas do tridente norte-americano no Caribe, Colômbia e Brasil. Não é coincidência que o almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, tenha visitado Bogotá, Brasília e Curaçau durante as últimas semanas, a coberto da suposta organização da entrega de "ajuda humanitária" à Venezuela.

O Caribe: Do porta-aviões Abraham Lincoln a Curaçau

Com autorização da Holanda, os Estados Unidos organizaram um centro de distribuição do alegado auxílio na ilha de Curaçau, a escassos quilómetros das fronteiras com a Venezuela.

 Mas a mobilização militar é muito mais ampla na região do Caribe. Na denúncia cubana, explica-se como entre 6 e 10 de Fevereiro de 2019 foram realizados voos de aviões de transporte militar para o aeroporto Rafael Miranda de Puerto Rico, a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana e para outras ilhas do Caribe estrategicamente localizadas.

Agora junta-se-lhes o anúncio de que a Marinha dos EUA colocou um Grupo de Ataque com Porta-aviões (CSG) no Oceano Atlântico ao largo da costa da Flórida.

A frota é composta pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln (CVN-72), um cruzador portador de mísseis e quatro destroyers, além de uma fragata da marinha espanhola convidada a participar.

"Os GSG têm capacidades multiplataforma para operar onde e quando seja necessário. Além de possuírem a flexibilidade e sustentabilidade para combater guerras de grande escala e
assegurar a liberdade dos mares, os CSG são símbolos visíveis e poderosos do compromisso dos EUA para com os seus aliados, parceiros e amigos", disse uma nota de imprensa oficial da Marinha norte-americana.

A bordo do USS Abraham Lincoln, porta-aviões nuclear da classe Nimitz, opera o Embarked Air Squadron (CVW) 7, equipado com os Lockheed F-35C Lightning II, o mais avançado caçabombardeiro do arsenal dos EUA.

O grupo iniciou em 25 de Janeiro os exercícios COMPTUEX, supostamente destinados a aprimorar o treino antes de uma operação militar no terreno.

Embora a sua localização actual e destino da sua operação não sejam conhecidos, as consultoras especializadas em assuntos militares Stratfor e Southfront localizaram o GSG algures no Atlântico ao largo das costas da Flórida.

Nos últimos dias, foi referido que o grupo havia ensaiado um atravessamento de estreitos, manobra necessária para entrar no Mar do Caribe, do qual o separam escassos dias de navegação.

Ragan aponta no seu artigo outra informação interessante. Os Estados Unidos poderiam não ter um, mas sim dois porta-aviões na zona operacional da Venezuela numa semana.

O porta-aviões USS Theodore Roosevelt e o navio de desembarque anfíbio USS Boxer, encontram-se agora "casualmente" no porto de San Diego, Califórnia, a menos de uma semana de navegação da costa do Pacífico colombiano.

"O USS Boxer leva a bordo a décima primeira Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais (MEU), uma das 7 MEUs com que conta o Exército dos EUA. Esta unidade de fuzileiros navais tem aproximadamente 2.000 homens. O propósito expresso de uma MEU é oferecer uma capacidade de rápida operacionalização militar ", considera Ragan.

Colômbia, para onde Bolton quer enviar 5.000 militares

Desde os tempos do Plano Colômbia, inaugurado em 1999, a Colômbia é um dos principais aliados militares dos Estados Unidos na região. Washington estava prestes a instalar formalmente sete bases militares em território colombiano durante o mandato de Álvaro Uribe, mas uma decisão do Tribunal Constitucional bloqueou o plano.

No entanto, Bogotá encontrou uma maneira de contornar os controles e, finalmente, foi autorizada uma presença e colocação de logística norte-americana nas principais instalações militares do país andino.

Essa estreita aliança alcançou manchetes no final de Janeiro, quando o Conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, John Bolton, mostrou "acidentalmente" um apontamento no seu caderno de notas com o plano de enviar 5.000 militares dos EUA para a Colômbia, como parte da operação contra a Venezuela.

O próprio presidente Donald Trump não descartou a ideia e, quando interrogado a esse respeito durante uma reunião com seu homólogo colombiano, Ivan Duque, limitou-se a dizer:
"Vamos ver".
O presidente da Colômbia, por seu lado, recusou-se a responder "sim" ou "não" à possibilidade de a Colômbia permitir a entrada de tropas norte-americanas, apesar do jornalista Bricio Segovia, da Voz da América, lhe ter feito a mesma pergunta em várias ocasiões:

Durante a entrevista, Segovia pergunta a Iván Duque:

- A Colômbia estaria disposta a receber 5.000 militares no seu território?

Ao que o presidente colombiano respondeu: - Não sou bom a ler os cadernos de outras pessoas.

Segovia insiste: - Esteve com ele (John Bolton) recentemente.

- O que posso dizer é que estamos a trabalhar intensamente pela a libertação do povo venezuelano e temos vindo a fazê-lo com um bem-sucedido cerco diplomático. Esse cerco diplomático não tem precedentes. Esse cerco diplomático isolou o ditador. Esse cerco diplomático é irreversível e na sua continuidade virá do efeito dominó que deve ser activado pelas Forças Militares da Venezuela - responde Duque.

- Mas a Colômbia está disposta a receber tropas militares em seu território? – replica Segovia.

- Eu fui claro, a solução em que acredito é a do cerco diplomático. A continuidade do cerco diplomático deve ser o efeito dominó que irá gerar na Venezuela quando mais membros das Forças Armadas manifestem a sua lealdade a Juan Guaidó - enfatiza Ivan Duque.

- Então, a Colômbia não está disposta a receber tropas norte-americanas no seu território ... - clarifica Segovia.

- Nós fomos claros. O mais importante para a Venezuela alcançar a liberdade é o cerco diplomático, diz Duque.

- Então, é um não? - insiste Segovia

- Então, é um não? - insiste Segovia

- O cerco diplomático é o instrumento mais importante que se viu na história da América Latina.

Então, acho que é um grande triunfo a comemorar. A sua continuidade é representada em que haja mais militares como os que já o têm feito nos últimos dias, entregando a sua lealdade e juramento a Juan Guaidó.

- Peço desculpa, senhor presidente, mas não está a responder à pergunta. A Colômbia está disposta a receber tropas dos EUA no seu território? - insiste novamente Segovia.

- Volto a responder ... – diz Duque. mas Segovia interrompe-o - Sim ou não? Esta questão não tem nuances.

- É que, como não tem nuances, reitero que acredito convictamente na importância do cerco diplomático, conclui Duque.

Segovia pediu aos seguidores da sua conta de Twitter que tirassem as suas próprias conclusões após a ausência de resposta do presidente.

Embora não esteja ainda confirmada a chegada de 5.000 soldados, os Estados Unidos têm já em funcionamento uma ponte aérea a partir da base militar de Homestead na Flórida para a cidade colombiana de Cúcuta, a 2 600 km de distância. Para as operações, são utilizados pelo menos três aviões de transporte militar pesado C-17 Globemaster III de longo alcance, fabricados pela Boeing e capazes de transportar 180 toneladas e entre 80 e 100 tripulantes. Homestead é também a sede do controverso Comando Sul dos EUA.

É o Unified Command das Forças Armadas dos Estados Unidos que operam na América Latina e no Caribe e um dos nove comandos que estão directamente ligados ao topo da liderança do Departamento de Defesa dos EUA. Opera num raio de ação de 32 países, 19 deles na América Central e do Sul e o restante no Caribe. Desde 1997, a sua sede é no Estado da Flórida.

Antes, desde 1947, tinha base no Panamá. A sua própria história reconhece como antecedente "glorioso" o desembarque de fuzileiros navais ianques naquele país no início do século XX. O Comando Sul, também conhecido pela sua denominação inglesa USSOUTHCOM, converteu-se num símbolo do intervencionismo norte-americano na região e tem sido um aliado das forças militares e paramilitares que há mais de um século deixaram um tão nefasto registo de mortes, torturas e desaparecimentos nas nações latino-americanas e no Caribe.

Nos últimos anos, o USSOUTHCOM vem armando, treinando e doutrinando exércitos nacionais para servir os interesses dos EUA sob sua liderança. O objectivo é evitar a utilização de tropas norte-americanas e assim reduzir a oposição política nos Estados Unidos.

O modelo consiste em que Washington dirige e treina exércitos latino-americanos através de "programas conjuntos" extensivos e intensivos e subcontrata empresas mercenárias privadas que proporcionam militares especializados, todos eles oficiais "aposentados" do exército norte-americano. (Extraído da Encyclopedia against Terrorism)

O Brasil de Bolsonaro, um novo aliado do Pentágono

O Brasil, o maior país da América do Sul e que conta com as maiores forças militares, converteu-se nos últimos anos num aliado inesperado da implantação do Pentágono na região.

Os governos de Michel Temer (interino após um golpe de Estado parlamentar) e de Jair Bolsonaro, pretendem alterar a matriz de forte nacionalismo que se consolidou durante os governos do Partido dos Trabalhadores.

Em uma das primeiras entrevistas depois de assumir o cargo de presidente, o ultra-direitista Bolsonaro garantiu ao canal do SBT ter aberta a possibilidade de instalar uma base militar norte-americana no país.

Mas Bolsonaro, um ex-capitão de grau subalterno, retratou-se parcialmente da sua ideia ao receber fortes críticas dos seus próprios generais. No entanto, ninguém duvida da proximidade do novo presidente brasileiro com o seu homólogo norte-americano, nem a admiração de dois de seus filhos pelo Mossad (serviços secretos hebreus) e pelo Exército de Israel.

O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos esteve na semana passada no Brasil e foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, com quem discutiu o "assunto Venezuela ".

Bolsonaro comprometeu-se a utilizar o estado de Roraima como um centro de coleta para a alegada ajuda humanitária contra a Venezuela e, portanto, para a instalação logística dos EUA.

Seja qual for o propósito da mobilização militar ordenada pelo Casa Branca – desde preparativos para uma agressão directa a outra medida de pressão psicológica contra as suas autoridades legítimas -, o que é inegável neste momento é que os EUA movem as suas peças na região para cercar a Venezuela por todas as vias ao seu alcance.

Perante esse cenário, Cuba fez um apelo a todos os povos e governos do mundo a defender a paz e a opor-se unidos, por cima de diferenças políticas ou ideológicas, para deter uma nova intervenção militar imperialista na América Latina e no Caribe, que prejudicará a independência , a soberania e os interesses dos povos do Rio Grande até à Patagónia.

Fonte: Cubadebate.cu

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