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Diário Liberdade
Domingo, 03 Março 2019 22:20 Última modificação em Quarta, 13 Março 2019 17:18

Povo Ainu critica, por "vazia" e "deplorável", a lei japonesa que o reconhece como povo indígena

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País: Japão / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: Prensa Latina

A minoria étnica japonesa Ainu qualificou hoje como ''vazia'' e ''deplorável'' a lei aprovada recentemente pelo governo do Japão para reconhecê-los como um povo indígena, depois de décadas de discriminação.

Em meados do mês passado, o executivo do premiê, Shinzo Abe, sancionou um regulamento reconhece pela primeira vez aos ainu como indígenas e reclama a criação de uma sociedade na que possam se sentir orgulhosos de sua herança.

Trata-se de uma lei deplorável, vazia, que não reflete os interesses dos ainu disse hoje Yuji Shimizu, presidente da Associação Ainu Kotan.

Essa medida não faz o suficiente para reverter a discriminação histórica que temos sofrido, comentou em uma conferência na sede do Clube de Correspondentes Estrangeiros em Tóquio e exigiu a imediata retirada do documento.

De acordo com o governo, este novo projeto de lei tem como objetivo promover programas para assegurar que os ainu possam manter sua dignidade e conscientizar sobre sua cultura.

No entanto, para Shimizu as medidas que contemplam a nova disposição 'não são mais que uma estratégia para sacrificar ou explodir os ainu atuais como um mero recurso turístico'.

'Nenhum artigo menciona os direitos dos indígenas e tenho sérias dúvidas sobre o sistema de financiamento que se propõe', referiu Shimizu citado pela agência Kyodo.

O governo japonês aspira promulgar o regulamento na atual sessão da Dieta (Parlamento).

Os ainu têm vivido durante séculos principalmente na ilha de Hokkaido (norte) e por anos têm padecido dos efeitos de uma política de assimilação forçada.

Além de promulgar esta lei, as autoridades planejam abrir um museu e parque nacional ainu no Shiraoi (norte) em abril de 2020.

Durante muito tempo, os ainu, de fisionomía similar aos esquimós e com cultura e idioma próprios, foram obrigados a integrar a sociedade maioritária do Japão e a abandonar seus costumes ancestrais.

Calcula-se que na atualidade uns 12 mil ainu ainda vivem em Hokkaido, segundo o último censo realizado em 2017.

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