É evidente que existe mais de uma batalha em curso. A primeira delas é, depois do impeachment sem crime de responsabilidade, aprofundar a sangria dos recursos e direitos sociais e trabalhista ao maximo nível.
Além disso, afastar o fantasma do retorno do combalido projeto neo desenvolvimentista, na figura de Lula associada a lembrança do tempo de crédito farto, bolsa família e concessões fiscais a perder de vista.
Embora esgotada a base material que lhe deu suporte, Lula é uma sombra na medida que pode representar no imaginário popular o retorno a uma época em que nos venderam a ilusão de estar chegando no primeiro mundo.
Superada esta fase e ao mesmo tempo em que ela ainda se desenrola, vem a outra batalha:
Quem estará no governo e será o novo administrador para por em prática os interesses do grande capital?
Evidente que aí existe uma grande disputa e seus rumos estão entrelaçados com interesses da burguesia no Brasil e nos países imperialistas. Não tenhamos ilusão, continuamos vivendo o velho e bom Imperialismo, como descrito por Lênin.
Para mim fica cada vez mais claro que Temer não é nem de longe o aliado prioritário para conduzir a linha da "democracia liberal" pró-EUA, seja por suas relações oligarquicas, retrógradas que não se identificam com o perfil "culto" de dominação e nem com o necessário alinhamento ideológico com Washington.
Temer neste momento é funcional e cumpre o papel, como cumpriu cunha, de fazer o jogo sujo e descarado do golpe. Do golpe contra os direitos, do golpe a favor dos banqueiros.
Sua sobrevida é necessária, até que o verdadeiro representante do capital seja devidamente escolhido e de preferência esteja "acima" de tudo e de todos.
O representante do capital culto deve ser de preferência Eleito ou mesmo que empossado, sem amparo constitucional, tenha alguma legitimidade, depois da suposta lavagem do mar de lama dos políticos do terceiro mundo, incultos, imorais, corruptos e bárbaros.
Possivelmente seria mais um golpe no golpe, como outros que ocorreram na história.
É para esse futuro breve que ensaiam e travam uma disputa de bastidores os políticos do PSDB. Dentre eles com melhores chances estão aqueles que se apresentam como gestores eficientes, bons país de família, trabalhadores e pessoas de bem.
Porém correm por fora alguns pretensos populistas, outros tantos fascista e liberais religiosos. Enfim, os aventureiros de plantão. Pelo jeito alguns já estão na mira da lava jato.
Também não estão totalmente descartadas soluções autoritárias, judicialistas ou algum arranjo no congresso e/ou supremo.
Porém existem alguns fatores em aberto, em especial como se dará a resistência do povo e a luta de classes este ano. Nossa reação é o principal fator capaz de derrotar e enfraquecer os planos da extrema direita.
Outro fator será a capacidade de sobrevida de Lula e da memória do período do "pacto social" junto ao povo. Resistirá esse mito a força material e midiática que terá que enfrentar? Sobreviverá até 2018 ao cerco do judiciário e da lava jato?
Em caso positivo, não é descartado que o próprio PT esteja mais uma vez a frente do processo. Porém está possibilidade, embora cada vez menos provável, só seria possível com o PT prometendo algo que por tudo que já fez, certamente não cumprirá. Passaríamos por mais um, possivelmente o último, estelionato eleitoral promovido pelo PT.
Análises à parte. Diante desse quadro não temos atalhos para a esquerda socialista, nem caminhos fáceis e tranquilos. Nossa única saída é construir a unidade contra o projeto capitalista e fascista e reagrupar nossas bandeiras históricas.
Assumir em profundidade quem somos e por que lutamos.
Somente um projeto claro, direto, sem medo, será capaz de reconquistar nosso povo para o caminho da luta por uma sociedade mais justa.