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Quinta, 18 Outubro 2018 05:58 Última modificação em Terça, 30 Outubro 2018 21:06

Brasil: a hora da verdade

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País: Brasil / Batalha de ideias / Fonte: Diário Liberdade

Por Anisio Pires*

A situação é muito complicada. A possibilidade de que chegue à presidência do Brasil um obscuro personagem que representa o pior do pior, é preocupante. Abertamente defensor da tortura, descaradamente racista, homofóbico e capaz de dizer a uma deputada frente às câmaras que “não a estuprava porque não valia à pena”, este indivíduo defende que a população se arme para enfrentar à delinquência do mesmo modo que os amigos da “Sociedade Nacional dos Rifles” nos EUA. Mas é pior. Em um encontro recente com mil empresários que fervorosamente o aplaudiram, defendeu sua proposta para acabar com a criminalidade, a qual ele chama ao estilo nazista, “A solução Final”. Propôs sobrevoar com helicóptero um bairro popular (A Rocinha) e lançar milhares de panfletos pedindo aos bandidos para se entregarem em um prazo de 6 horas. Caso não saíssem, daria então a ordem de entrar e metralhar sem misericórdia. O que é mais terrível: que o tenha dito ou que o tenham aplaudido?

Que os eleitores tenham votado no primeiro turno das eleições em um candidato que promove toda essa barbárie revela o aturdimento que prevalece em boa parte do povo brasileiro como consequência dos ataques sistemáticos que tem recebido desde que os governos de Lula e Dilma ousaram questionar a ordem conservadora.

As forças democráticas e populares brasileiras, confiantes em seus triunfos eleitorais e na justiça de suas políticas sociais, esqueceram uma velha máxima de Marx: “Depois de uma revolução, a contrarrevolução permanente torna-se (…) uma questão da existência cotidiana”.

Sim, porque no Brasil por moderada que fosse, levava-se a cabo uma revolução. Reduziu-se em 50% a pobreza em um dos países mais desiguais do planeta, retirando 36 milhões de pessoas da miséria e incluindo outros 40 milhões na classe média. Foram triplicados os orçamentos de saúde e educação, a luz elétrica chegou a 15 milhões de pessoas que não tinham e foram criadas 19 novas universidades que, junto a um programa de bolsas, duplicou a matrícula universitária, passando de 3,5 milhões a 7,2 milhões de estudantes.

Toda essa revolução silenciosa era levada a cabo, reivindicando a independência e a soberania nacional e popular com a unidade da Pátria Grande Latino-americana e Caribenha. Lembremos que Lula tinha sido, junto a Chávez e Néstor Kirchner, um dos responsáveis por enterrar na Cúpula das Américas de 2005 o projeto neocolonial do ALCA que queria impor o governo dos EUA.

Que o Brasil, Gigante pela própria natureza, como diz seu hino, fizesse parte do novo despertar de nosso continente era algo muito perigoso para os interesses geopolíticos do imperialismo. A burguesia brasileira e seus chefes do norte não podiam tolerar o prestígio de um projeto que deixava Lula com 87% de aceitação depois que saiu da presidência. Aí foi dada a ordem de acabar com o melhor presidente da história do Brasil. Essa é a verdade de fundo. Todo o resto é instrumentalização midiática da direita e dos que se deixam manipular por ela. Acaso Salvador Allende foi derrubado porque era corrupto?

Foi assim que começou a operação contrarrevolucionária para desfigurar e apagar da memória do povo brasileiro essa revolução que o estava beneficiando, mas que o povo ainda não tinha tornado sua. Desde o primeiro governo de Lula começou esta operação. Alguém duvida?

Pouco a pouco, através dos meios de comunicação, foi sendo construído o efeito hipnotizador que conseguiu impor a matriz anti PT que hoje se respira no Brasil. Aplicaram um coquetel midiático-ideológico composto pelo velho e pelo novo anticomunismo (ou seja, o antiChavismo-Bolivarianismo), aproveitando-se de alguns erros dos governos de Lula e Dilma que foram claramente manipulados. Tudo isto em cumplicidade com um sistema judiciário conservador, infiltrado pelos serviços de inteligência dos EUA dentro da nova modalidade de guerra jurídica (Lawfare), definida por Charles Dunlap como “o uso do sistema judiciário para desacreditar a um adversário político”.

Foi assim que conseguiram montar uma cruzada moral contra a corrupção (Operação Lava Jato) que associaram exclusivamente ao PT, apesar de os principais corruptos pertencerem escandalosamente aos mais influentes partidos da direita, vários deles em completa liberdade. Depois de transformarem mentiras em verdades, procederam a destituição de Dilma e em seguida, sem provas, prenderam Lula.

Esse aturdimento que geraram no povo tem se refletido também nos setores populares, intelectuais e dirigentes que integram o campo democrático e popular, alcançando inclusive os liberais. Por isso, o momento para reagir e sair ao contra-ataque é agora. Estão dadas as condições para batalhar e construir a verdadeira unidade de todos os setores progressistas. Hoje, mais que nunca, essa unidade na diversidade se torna necessária por amor ao Brasil. Será esse amor de justiça e dignidade pela Pátria que nos permitirá combater a traição à democracia que está em curso por parte dos que se dizem “democratas”.

Enquanto o deputado Pedro Ruas (Psol-RS) que não conseguiu se reeleger, engaja-se na campanha como poucos, dirigentes da direita com passado antiditatorial e social-democrata guardam silêncio ou manifestam timidamente sua oposição ao candidato direitista. O partido REDE da ex-ministra de Lula, Marina Silva, somente recomendou a seus militantes para não votarem no fascista. Já o terceiro colocado no primeiro turno, Ciro Gomes do PDT, o qual era proclamado como o único capaz de derrotar o fascista, se limitou a declarar seu “apoio crítico” a Fernando Haddad para evitar “a derrota da democracia”. Porém, não quis posar ao lado do candidato do PT nem assumiu compromissos militantes para enfrentar o candidato da extrema-direita. Ao invés disso, enquanto seu partido já o anunciava como seu candidato para as presidenciais de 2022, Ciro limitava-se a lembrar sua inegável trajetória em “defesa da democracia e contra o fascismo”, enquanto informava à imprensa (11out) que sairia de viagem à Europa por duas semanas. No dia anterior, já com Fernando Haddad subindo nas pesquisas eleitorais, a companheira de chapa de Ciro, a senadora Katia Abreu, publicava na sua conta do Twitter que Fernando Haddad deveria renunciar para dar seu lugar a Ciro Gomes. Segundo ela: “Só Ciro pode vencer o fascismo e salvar a Democracia no Brasil. Haddad renuncie e mostre que o Brasil é mais importante que o poder.”

Deixando de lado essa disparatada mensagem, o certo é que ainda estamos aguardando que a senadora peça a Ciro que renuncie a suas férias na Europa para que colabore ativamente na defesa da democracia. Coerência!

Consumando-se uma vitória da direita, estaríamos assistindo a uma traição à democracia. Vencendo a democracia, como esperamos e apostamos que aconteça, a história não absolverá os que por falta de grandeza, mesquinharia e cálculo se omitiram passiva e ativamente neste momento decisivo da história brasileira. Aqueles que ficam cobrando “autocríticas” para então saírem em defesa da Pátria, não são nem brasileiros nem brasileiras.

Para que se possa resolver a favor do povo essa dramática encruzilhada, decisiva para o futuro do Brasil e com repercussões para todo nosso continente, dependeremos da integridade, dignidade e compromisso dos verdadeiros patriotas pela democracia. Por isso, estamos em uma hora de definições claras. O destino da Pátria está em jogo. Por amor ao Brasil nossa opção firme e plena, como a lua cheia, tem que ser pelo guerreiro Fernando Haddad do PT e pela guerreira Manuela Dávila do PC do B.

Nos dias que restam, apostemos por um lado, nas autênticas reservas democráticas do povo brasileiro e, por outro, na clara compreensão do que está em jogo por parte da vanguarda do campo democrático e popular.

Fernando Haddad deu sinais claros de qual é o rumo. Nas suas primeiras declarações, após o primeiro turno, alertou o Brasil e o mundo que se tratava “de uma eleição incomum”, pois “há muitas coisas em jogo no Brasil de 2018 (…) muitas coisas em risco”. Haddad tem bem claro que no Brasil está se dando a mesma batalha que estão enfrentando outros povos no mundo para conquistar sua plena independência e soberania no caminho para construirmos juntos o Novo Mundo Multipolar, livre de impérios, que está emergindo. Por isso afirmou: “Nós queremos unir os democratas deste país, aos que têm atenção pelos mais pobres neste país tão desigual” e completou dizendo que fariam isso, colocando “(…) a soberania nacional e a soberania popular, que são dois conceitos irmãos indissociáveis, a cima de qualquer outro interesse”.

Combinando essa clara e firme orientação estratégica com uma ampla, generosa e flexível mobilização tática, a vitória será nossa. Não importa quanto nos tenham atacado e vilipendiado os direitistas e falsos democratas. Já estamos acostumados. Verdadeiros patriotas que somos, faremos pela democracia tudo o que for possível nesta reta final para aglutinar esse amplo Movimento Democrático pela Soberania Nacional e Popular que haverá de derrotar o fascismo.

Tenhamos confiança em nós e no povo. Que no planeta inteiro se escute o grito de guerra pela Pátria do hino nacional brasileiro: “Verás que um filho teu não foge à luta”.

Que viva o povo brasileiro!

Que viva a Pátria Grande Latino-americana e Caribenha!

Que viva o Novo Mundo Multipolar!

O Brasil quer ser Feliz de novo. Pela Pátria!

 

(*)Venezuelano – Cientista social pela UFRGS

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