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Diário Liberdade
Segunda, 19 Fevereiro 2018 11:16 Última modificação em Terça, 13 Março 2018 01:02

A viagem do Nepal rumo ao socialismo

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País: Nepal / Institucional / Fonte: Diário Liberdade

[Pokharel, Traduçom do Diário Liberdade] Nesta conjuntura histórica, a esmagadora vitória da aliança de esquerda no Nepal transmite umha mensagem de solidariedade e um sinal de fortaleza aos movimentos sociais de todo o mundo.

Para os povos, o percurso para o socialismo nunca é fácil; ao contrário, é difícil de manter, como pudemos ver em muitos estados socialistas que fôrom fruto das revoltas da classe trabalhadora. Neste contexto atual, onde o mundo globalizado está dominado pola política económica do capitalismo e onde se está a dar um crescimento a cada vez maior da direita, a burguesia, no seu afám de monopolizar os recursos globais, conseguiu trocar governos progressistas e de esquerda no Brasil, Equador e Argentina, bem como também desafiar os processos da Bolívia e Venezuela.

No meio dos crescentes desafios que a esquerda tem diante, o povo do Nepal apoiou paixonalmente as forças de esquerda, dando-lhes quase dous terços dos votos nas últimas eleiçons. A sua confiança na esquerda é um golpe contra a dominaçom imperial e contra o seu partido fantoche e burguês que subestima a soberania do povo nepalês. É também um empurrom para que a esquerda implemente a nova constituiçom de Nepal, sentando as bases para o socialismo em prol da prosperidade da gente.

A Bandeira Vermelha, ondeando no ponto mais alto do mundo, no país do Everest, é umha mensagem que indica aos imperialistas e o anti povo que a luita dos povos polo socialismo nom se pode derrotar, ainda que tentem e conspiren. Os movimentos dos povos que som pola paz, a igualdade e a soberania vam-se fortalecer com a luita contra a repressom e a crescente fugida da direita.

O movimento comunista nepalês está a crescer mais do que nunca. Dous partidos de esquerda, o Partido Comunista do Nepal, Marxistas e Leninistas Unidos (CPN-UML) e o Partido Comunista do Nepal, Centro Maoísta (CPN-MC) nom só figérom umha aliança histórica nas recentes eleiçons, como declarárom a unificaçom dos partidos que se realizará em alguns meses. Esta mensagem positiva levou outros partidos de esquerda a pensar para além dos seus dogmas pessoais e de grupo e aderirem à aliança. O Partido Comunista do Nepal, Unido, o qual ganhou 5 legisladores na última eleiçom, decidiu unir-se com o CPN-MC. Da mesma maneira, também houvo debate no Partido Comunista Marxista Leninista para se somar à aliança. Embora nom seja umha unificaçom absoluta, muitos líderes Marxistas Leninistas e algumas organizaçons populares aderírom ao CPN-UML. Depois, o terceiro partido comunista maior do Nepal, e a Frente do Povo também abriu um debate e decidiu aderir à coligaçom.

Nom é algo que passe da noite para o dia, nem um vínculo fácil de realizar só de boas intençons. É antes o resultado do incansável esforço de alguns líderes, o fruto da luita do povo contra o imperialismo neoliberal e a audaz decisom da liderança contra os desafios de implementar a nova constituiçom ditada. Após 10 anos de rivalidade entre estes partidos no parlamento, é lógico compreender e facto aconteceu, que foi a direita quem gerava estes confrontos entre companheiros e contra os interesses da classe trabalhadora e da soberania nacional.

Quase 7 décadas transcorrêrom no Nepal com partidos comunistas clandestinos e oficiais, unidos e divididos, aliados e enfrentados, desde 1949. Enquanto o CPN UML decidiu utilizar as táticas multipartidaristas em 1990, o segundo partido comunista maior optou pola via armada em 1996, organizando-se sob o nome de CPN Maoísta. A primeira aliança entre estes partidos rivais começou quando decidírom luitar contra o Estado unitário e abolir a monarquia. A convicçom no poder do povo e na via democrática para chegar ao socialismo pujo fim aos 10 anos de luita armada. Também deu curso a que umha grande aliança de partidos parlamentares e de grupos revolucionários armados conseguisse abolir a monarquia e estabelecer a República Federal e Democrática do Nepal. A Assembleia Constituinte, eleita mediante o voto popular, ditou a nova Constituiçom do Nepal com mais de 90% de aceitaçom. Em 2017, umha coligaçom entre CPN UML e CPN MC foi formada para defender a Constituiçom Socialista.

Após conseguir a maioria absoluta nos 3 poderes do governo, espera-se que o Nepal consiga um governo estável ao menos por 5 anos. É a base para a implementaçom de umha constituiçom mais progressista em termos de inclusom, direitos dos trabalhadores e de comunidades marginais. A constituiçom garante 33% de representaçom feminina em todos os órgaos do Estado, o direito à soberania alimentar, comissons constitucionais para minorias e grupos oprimidos, um sistema eleitoral proporcional e representativo, um governo local autónomo e poderoso, direitos igualitários para as mulheres em termos de herança proprietária e umha reforma agrária. Também dispom de muitas disposiçons para a Segurança Social e o Estado de bem-estar, o qual ajudará o Nepal na sua longa viagem para o socialismo.

Nas eleiçons federais, de um total de 275 bancas na Cámara de Representantes, 165 elegêrom-se por maioria simples e 110 mediante um sistema representativo proporcional. Dos 165, UML conseguiu 80 cadeiras e o MC, 36. Devido ao sistema proporcional, das 275 cadeiras, a aliança de esquerda conseguiu 174 ao todo, quase umha maioria de dous terços. Da mesma maneira, nas eleiçons provinciais, conseguírom vitórias em 6 das 7 províncias. Também possuem umha maioria de quase dous terços em 6 províncias. No plano autárquico, de 753 distritos possíveis, UML ganhou em 296 e MC em 106.

Enquanto o Povo, os partidos de esquerda e o Nepal marcham para a estabilidade e a prosperidade, o mundo, especialmente o dos movimentos populares, e a esquerda saúda-os e felicita pola inspiraçom que representam, símbolos de entusiasmo, confiança e triunfo. Nesta conjuntura histórica, a esmagadora vitória da aliança de esquerda no Nepal transmite umha mensagem de solidariedade, um sinal de fortaleza e um piscar de olhos à unificaçom de todos movimentos progressistas populares aos movimentos socialistas de todo mundo. Enquanto em muitos países a esquerda se divide e/ou briga internamente, no Nepal encontrárom a maneira de ir avante e dar um exemplo de luita conjunta.

A aliança da esquerda no Nepal deu esperança ao povo, mas ainda ficam desafios por enfrentar. Ainda fica ver como a liderança demonstra o seu compromisso com a causa e forma o governo federal e provincial e como concluirá o processo de unificaçom. Também estamos à espera de ver como resolverám as fissuras internas e os obstáculos de quem nom está feliz com esta aliança. A unificaçom organizativa terá o difícil obstáculo de gerir centenas de quadros políticos e esperam-se sacrifícios, inclusive das categorias mais altas. Até escuitarmos mais boas notícias do Nepal, esperemos o melhor.

*Pokharel é Marxista Leninista e um jovem ativista político de Nepal

Newsclick / The Dawn News

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