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Diário Liberdade
Domingo, 17 Junho 2018 20:15 Última modificação em Terça, 26 Junho 2018 14:05

O barco Aquarius e cinco amostras da militarizaçom do espólio de África

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/ Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: Blog de Nazanin Armanian

[Nazanin Armanian. Traduçom do Diário Liberdade] É falso que os imigrantes venham à Europa por razons económicas. Mais de 80% fogem de guerras.

Os seus parentes fôrom assassinados e os seus lares destruídos. Assi conclui um estudo realizado pola Universidade de Middlesex de Londres em 2015. Verdadeiro. É Ásia o continente com mais famentos do mundo, e a Índia, com o seu capitalismo mais "intocável", conta com 200 milhons de almas e corpos na pobreza absoluta. Mas nom se veem avalanches de índios chegando ao primeiro mundo em bateiras.

Só umha guerra (ou seja, a morte quase segura e violenta) é capaz de forçar milhons de famílias a atravessarem mares, montanhas e desertos, arriscando a vida. Os cerca de 56 milhons de pessoas que desde 1991 (o fim da URSS) até hoje tivérom que abandonar o seu lar no Oriente Próximo e África polas guerras de conquista encabeçadas polos EUA, nom escolhêrom o seu destino, já que nom tenhem controlo sobre isso: dependem de quem as leva e das terras que as acolhem.

O "caos criativo" para inventar umha África por medida

A mesma procedência das 630 pessoas que subírom ao Aquarius mostra o nexo directo entre a atual migraçom com o novo saque militarizado de África pola NATO. As economias ocidentais em recessom precisam de recursos naturais baratos e também de novos mercados: "Proteger o acesso aos hidrocarburos e a outros recursos estratégicos que África tem em abundáncia e garantir que nengum outro terceiro interessado, como a China, Índia, Japom ou Rússia, obtenha monopólios ou tratamento preferencial" é um dos objetivos da militarizaçom de África, confessa o diretor do Centro do Conselho Atlántico para África em Washington, Peter Pham. Entretanto, a marca do "terrorismo islámico" da CIA abre sucursais polo mundo como se fosse McDonald"s, alimentando as companhias de armas e de recursos naturais. A pretexto da "luita contra o terrorismo", "estabilizar a regiom", "missom humanitária ", ou "manutençom da paz", o Comando de África dos EUA (AFRICOM) já instalou umhas 50 bases militares por todo o continente, enquanto esmaga os movimentos progressistas e anticapitalistas, sustentando os regimes corruptos e ditatoriais que dirigem as formas mais selvagens de governar umha naçom.

Caso Líbia

Dezenas de milhares de cidadaos do Mali, Sudám, Chade e do resto de África dirigem-se à Líbia para fugir de guerras ou à procura de emprego, mas desconhecem que aquele país próspero hoje é o centro mundial da escravatura, da tortura e violaçom. Antes de que em 2011 a NATO planeasse derrocar Kadafi e ocupar a Líbia, uns dous milhons de imigrantes trabalhavam neste país de 5 milhons de habitantes, a primeira reserva do petroleó de África. Agora, além dos líbios que fogem do país para a Europa, também o fam aqueles imigrantes se conseguem sair daquele inferno.

Caso Nigéria

No sétimo exportador mundial de petróleo, EUA com a farsa de "salvar as meninhas seqüestradas" via militar, tenta instalar a sede de Africom, hoje na Alemanha. Foi na Nigéria onde a petroleira anglo-holandesa Shell foi acusada de "cumplicidade em assassinato, violaçom e tortura" dos nigerianos cometidos polo exército na regiom petrolífera de Ogoniland, na década de 1990. Os protestos para expulsar a Shell da Nigéria polo desastre ecológico de que foi acusado na regiom e obrigou a se deslocar comunidades inteiras, conduziu a petroleira a criar umha unidade secreta de espionagem, que passava informaçom sobre os molestos ativistas à agência de segurança nigeriana, ao mesmo tempo que pedia ao presidente-geral Sani Abacha "resolver o problema". E ele fijo-o: enforcou 9 líderes ecologistas, matou mais de 1.000 manifestantes e destruiu umhas 30.000 moradias na aplicaçom da política de "terra queimada". Assi, a Shell podia levar um milhom de barris de petróleo por dia com tranquilidade.

As companhias ocidentais que procuram uránio, ouro, platino, diamante, cobre, terras raras, coltám, petróleo, gás, ou carvom em África estabelecem um controlo sobre os seus governos de África mediante investimentos, empréstimos, "ajudas ao desenvolvimento" e o tráfico de influências. Nom há nada de novo: simplesmente assistimos à actualizaçom da Conferência de Berlim de 1884, que repartiu África entre as potências e de passagem teorizou os laços entre o colonialismo e o racismo (sistematizado polos británicos no "Apartheid"). Depois, assassinárom os líderes dos movimentos progressistas como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Felix Moumie ou Chris Hani, apoiando as ditaduras mais inapresentáveis do mundo. Mais à frente, criavam monstros como Bin Laden, mas acusavam Nelson Mandela de "terrorista".

Caso Sudám

No mesmo ano da destruiçom da Líbia, os EUA dividírom o que foi o Estado mais extenso de África: umhas 50.000 pessoas (incluídas crianças) fôrom torturadas e assassinadas polos senhores da guerra que depois ocupárom o poder; outros 2 milhons fugírom, ocultos nos ilhéus dos pántanos do Nilo, comendo ervas silvestres e procurando refúgio na Etiópia ou no Uganda. Milhares de meninhas e mulheres fôrom violadas umha e outra vez, inclusive no campo de refugiados de Juba, a Capital do Sudám do Sul. Hoje, a fame atinge 4,6 milhons de pessoas. A CIA voltou a fabricar "rebeldes" armados para desestabilizar o país, umha vez que os líderes que impujo convertêrom o Sudám do Sul no único país de África com contratos de petróleo com a China.

Caso Níger

Os cidadaos deste país tivérom conhecimento da existência de umha base militar dos EUA (ilegal pola proibiçom constitucional) só quando quatro deles morrêrom numha emboscada no mês passado. O ditador Mamadu Issoufou foi o director de Somaïr, a companhia de minas de uránio do país, mas sob controlo da companhia francesa Areva. Umha quinta parte do uránio que alimenta a rede elétrica francesa provém do Níger, que é, paradoxalmente (ou nom), o penúltimo país mais pobre do mundo. As empresas ocidentais vam polo seu ouro, uránio e petróleo. Issoufou é como o presidente turco Tayyeb Erdogan: cobrou muitos milhons de euros à UE para reter os imigrantes.

Federica Mogherini, a comissária dos Negócios Estrangeiros da UE, viajou ao Níger em 2015 expressamente para apoiar a chamada "Lei 36" do país, que proíbe os estrangeiros de viajarem ao norte de Agadez, a regiom onde os EUA construírom um mega-base de drones de 6 quilómetros quadrados, por 110 milhons de dólares, para dali controlar o Mali, Argélia, Líbia e Chade. Esta lei converteu o deserto num grande cemitério para os migrantes africanos: em junho de 2017, uns 50 jovens, abandonados polos traficantes, morrêrom de sede no deserto do Níger quando iam para a Líbia. Nom é por acaso que a sede da Organizaçom Internacional para as Migraçons, financiada pola UE, esteja neste país.

Caso Mali

Aqui a esperança de vida é de 48 anos e as suas minas de ouro estám sob controlo do gigante británico Gold Fields. Depois de destruir a Líbia, a NATO olhou para o Mali: organizou um golpe de Estado em 2012, que derrocou o presidente Toumani Touré, para o substituir polo capitám Amadou Sanogo, treinado nos EUA. Depois, mandou corporaçons como URS e AECOM, (contratistas do Pentágono) construírem novos complexos militares, para que a Força de Reaçom Rápida dos EUA no Sahel alargue o seu controlo sobre a regiom.

Nom esperem entendimento, solidariedade, piedade, nem caridade das companhias de armas nem das que procuram maximizar os seus lucros. Leiam algo sobre o seqüestro e a tortura dos meninhos para serem explorados nas minas de coltám do Congo, e conhecerám a verdadeira natureza dessas companhias do "primeiro mundo". E depois querem que estas pessoas nom fujam de suas terras...

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