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Diário Liberdade
Terça, 29 Janeiro 2019 16:29 Última modificação em Segunda, 04 Fevereiro 2019 10:40

2019, o mundo e suas realidades

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/ Reportagens / Fonte: Granma

[Elson Concepción Pérez] Os recursos da comunidade internacional, ao invés de investir números milionários em guerras e assassinato de seres humanos, deveriam se concentrar nos sérios problemas que afetam o mundo.

O primeiro país que chegou a 2019 foi Kiribati no Pacífico Central, território composto por 33 atóis de coral, ao longo da linha do Equador e cujos 110 mil habitantes estão em risco real de ser os primeiros a desaparecer por causa da elevação do oceano, produzida pelos efeitos das mudanças climáticas.

Já as fontes de água potável deixaram de existir, invadidas pelas salobras e a incerteza dos moradores locais e estrangeiros é se o país existirá para o próximo ano. Algumas fontes referem que a migração em massa será o único futuro para Kiribati.

Realidades como esta deveriam concentrar o olhar — e os recursos — da comunidade internacional, em vez de investir números milionários em guerras e assassinato de seres humanos.

BOTÕES DE AMOSTRA PARA O ANO

Nada de ser profeta e muito menos ter uma bola de cristal para «adivinhar» os eventos previsíveis mais importantes que exporão a humanidade em 2019. Prefiro citar alguns, os mais óbvios e previsíveis.

Estou certo de que para aqueles que são invadidas pelo lixo na capital do país mais rico do mundo, os Estados Unidos, a coisa mais importante no início deste ano é que o orçamento seja restaurado ao governo para que os responsáveis de coletar o lixo retornem aos seus empregos, que fazem parte dos 800 mil prejudicados pela decisão do presidente Donald Trump de não carimbar sua assinatura se não forem incluídos os mais de US$5 bilhões que pede para construir o muro que separa essa nação do México.

Para os sírios, lá no Oriente Médio, 2019 deverá ser um ano de esperança para reconstruir o país devastado pela guerra, completar o retorno dos milhões de seus filhos que tiveram de emigrar fugindo do flagelo, e que a paz seja mais uma realidade que um desejo.

A Venezuela aguarda o mesmo, a nação bolivariana foco dos ataques de conspiração de uma extrema direita obstinada em não reconhecer um presidente e um governo democraticamente eleitos no país, onde mais processos eleitorais, de transparência comprovada, foram realizados na última década.

O povo venezuelano, os milhares que emigraram e agora estão retornando querem viver em paz, construir seu presente e seu futuro e continuar oferecendo solidariedade aos irmãos latino-americanos e caribenhos.

O Brasil, o gigante sul-americano, começa uma etapa no progresso dos programas sociais realizados na última década, que tiraram a fome de 30 milhões de brasileiros, começam a cair pela política neoliberal e de extrema direita do novo presidente Jair Bolsonaro.

Para o México, essa esperança chegada ao poder — Andrés Manuel López Obrador (AMLO) — deve consolidar um projeto de país, onde as riquezas sirvam à maioria, a violência dê lugar à tranquilidade e deixe de ser uma referência obrigatória, como agora, toda vez que se fala em crimes, tráfico de drogas e corrupção.

Em todos os exemplos que expus, há um denominador comum, a ação dos governos ianques, tanto quando se trata de fazer guerras, como para fornecer todo tipo de apoio àqueles que pretendem desestabilizar governos ou aqueles que ascendem ao poder e a primeira coisa que fazem é se alinhar com a política de Washington, como é o caso de Bolsonaro no Brasil.

Chegamos a este ano com dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças, que fugiram da fome ou da morte em seus países e hoje são simplesmente refugiados empilhados em acampamentos, tendas ou jaulas, mesmo na fronteira com os Estados Unidos que em nações europeias, à espera de um status migratório humano ou a receber trabalho para reconstruir suas vidas.

EUROPA

O velho continente chega a 2019 com problemas acumulados de desemprego, principalmente entre os jovens, com a chegada de milhares de imigrantes africanos e do Oriente Médio que chegam às suas costas no Mediterrâneo. Também com a saída da Grã-Bretanha da União Europeia — Brexit — que se materializará em março próximo.

Já no último trimestre do ano passado, os protestos contra o aumento de combustíveis na França, identificados como o movimento de coletes amarelos, convulsionaram a nação gaulesa e parecem se estender a outras capitais europeias.

Os coletes amarelos preveem que o mês de janeiro será marcado por «uma mobilização em grande escala».

A Rússia, um país euro-asiático que se desenvolveu apesar das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, manterá neste ano seus olhos e ouvidos no cerco das forças militares da Otan que cercam seu território com escudos antimísseis e outros armamentos; e a exacerbação do conflito com a Ucrânia, país cujo governo se rendeu completamente aos desígnios do Ocidente.

ÁSIA

No continente asiático, o ano de 2019 é marcado pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, seu desenvolvimento ou solução, e o impacto que tem nesses e em outros países.

Outra expectativa é a nascida das conversas no ano passado entre os presidentes da República Popular Democrática da Coreia e o dos Estados Unidos, bem como os passos positivos que a nação norte-coreana dá com a vizinha Coreia do Sul, que devem ter sua continuidade e consolidação em 2019, desde que a administração Trump não condicione tais avanços a uma política de chantagem e exigências impossíveis de aceitar.

No Afeganistão, onde o Pentágono desdobrou milhares de soldados com o suposto propósito de liquidar o movimento talibã, nenhum progresso é pressagiado além do diálogo e da negociação.

ÁFRICA E ORIENTE MÉDIO

Na perspectiva para este ano, devemos criar um espaço especial para as nações do Oriente Médio, golpeadas pelas guerras impostas, pelo terrorismo e pela interferência dos Estados Unidos e de outros países da região.

É o caso da Síria, Iraque, Líbia, Iêmen e o mais antigo de todos os conflitos — a Palestina — contra cujo povo o governo de Israel, apoiado pelo dos EUA, continua cometendo um verdadeiro genocídio.

No final de 2018, Trump, em uma viagem ao Iraque, anunciou que suas tropas — que nunca foram solicitadas pelo governo sírio — deixarão essa nação, mas que os milhares de militares americanos no Iraque permanecerão lá e poderão agir contra o território sírio, caso necessário.

Na África subsaariana, 2019 vem com os mesmos flagelos da fome, desnutrição e doenças, como denominador comum e causa de conflitos e migrações.

AMÉRICA LATINA E O CARIBE

Os países da América Latina e do Caribe mostrarão eventos diferentes no ano que se inicia.

No Brasil, no primeiro dia de janeiro tomou o poder Jair Bolsonaro, expoente do mais retrógrado da extrema direita, defensor das ditaduras militares, que com sua postura hostil contra os médicos cubanos que trabalhavam no país no programa Mais Médicos, provocou que a digna Cuba retirasse os médicos que lá trabalhavam, alguns nos lugares mais intrincados.

No dia 10 de janeiro, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reeleito, tomou posse como tal em Caracas, depois de ter triunfado nas últimas eleições da nação bolivariana.

No México, o triunfo do AMLO deve alcançar a consolidação de seus anunciados projetos sociais em 2019 e a devolução a essa terra da paz merecida.

Outro país que terá eleições neste ano é a Argentina, nação sul-americana marcada por uma profunda crise econômica e um compromisso de mecanismos financeiros internacionais, como o FMI, em troca de cortes sociais, aumento do desemprego e perseguição de líderes populares e de esquerda.

Da mesma forma, em El Salvador, haverá eleições presidenciais no domingo, 3 de fevereiro, e na Bolívia, as eleições para presidente serão realizadas em 29 de outubro.

As pequenas nações do Caribe, ameaçadas pelos efeitos danosos da mudança climática, durante o ano manterão sua luta diária pelo desenvolvimento, para o qual contam com o apoio solidário de Cuba e da Venezuela; e permanecerão unidas dentro de mecanismos de concertação como a Petrocaribe.

NA POLÍTICA

Em 1º de janeiro, o Brasil estreou presidente: assumiu o capitão e de extrema-direita Jair Bolsonaro.

Nicolás Maduro começou seu segundo mandato em 10 de janeiro, após uma vitória retumbante e democrática.

Entre os dias 23 e 27 de janeiro, o Papa Francisco retornará à América Latina para participar da Jornada Mundial da Juventude.

Cuba continuará sendo notícia no dia 24 de fevereiro, quando realize o referendo sobre sua nova Constituição, após um profundo e democrático processo popular.

No dia 29 de março, às 11 horas da noite, o Reino Unido deixaria a União Europeia.

No Japão, em 30 de abril, o imperador Akihito cederá o trono do Crisântemo ao seu primogênito Naruhito.

No quarto mês do ano, haverá eleições legislativas na Índia. O atual primeiro-ministro Narendra Modi, se apresentado, tem amplas possibilidades de um segundo mandato.

Entre 23 e 26 de maio, a UE renovará o Parlamento.

Na América Latina haverá eleições em El Salvador (fevereiro), Panamá (maio) e Guatemala (junho).

Em 27 de outubro, a Argentina realizará eleições presidenciais, nas quais Mauricio Macri enfrentará um desafio devido à crise econômica do país.

Também em outubro as eleições presidenciais serão realizadas no Uruguai e na Bolívia, onde Evo Morales e Álvaro García Linera continuam sendo a esperança do Estado plurinacional.

Ao longo do ano, uma das principais questões será a forte disputa comercial entre os Estados Unidos e a China.

Um desafio de 2019 é retornar aos sistemas multilaterais que resolvam disputas, especialmente na área de comércio.

Os coletes amarelos na França poderiam dar origem a um movimento fora da estrutura política tradicional, mas isso também poderia favorecer a extrema direita do Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen, ex-candidata à presidência.

Nos EUA, espera-se que comecem a moldar candidatos em potencial para governar o país, o que poderia aumentar a pressão interna nos processos judiciais movidos por democratas contra Donald Trump.

Em 2019, teremos que monitorar de perto as interações dos EUA com o Irã e a República Popular Democrática da Coreia.

O conflito histórico entre Israel e a Palestina não mostra sinais de melhora, especialmente considerando a decisão do governo estadunidense de reconhecer Jerusalém como a capital israelense.

Alguns eventos interessantes promovidos pela ONU

A COP25 da ONU é realizada

Em 2019, será realizada a Cop25, a Conferência do Clima, da ONU, que tem como objetivo investigar como combater as mudanças climáticas. A cúpula também visa incentivar mais países a assinarem o Acordo de Paris de 2015, reduzindo gases de efeito estufa e ajudar aqueles que já o adotaram a atingir os compromissos assumidos. O responsável pela organização do evento será o Chile. Originalmente, seria o Brasil. No entanto, o recém-eleito presidente Jair Bolsonaro anunciou que o país estava se afastando.

14ª Cúpula Mundial de Comunicação Política

De 10 a 21 de fevereiro será realizada em Madri, Espanha, a 14ª Cúpula Mundial de Comunicação Política, um evento que reúne políticos, jornalistas, funcionários, legisladores, acadêmicos, consultores, empresas, mídia e estudantes, concedidos por expoentes máximos da Comunicação. A Cúpula é o ambiente por excelência de interação das melhores práticas de comunicação política envolvendo pluralidade de vozes, a multiplicidade de ideias e ideologias políticas.

Lançamento na América Latina da Campanha Mundial pelo Bom Tratamento de Meninas, Meninos e Adolescentes com Deficiências

A campanha foi concebida e elaborada pelo Escritório da Enviada Especial do secretário-geral das Nações Unidas para questões relativas à deficiência e acessibilidade, e tem o apoio da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Governo do Chile, a Representante Especial do secretário-geral sobre a Violência contra Crianças e o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH).

A 58ª Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher

Será realizada nos dias 22 e 23 de janeiro de 2019, em Santiago do Chile. Desta vez, vai avançar nas preparações da 14ª Conferência Regional (de 4 a 8 de novembro de 2019, em Santiago), e irá apresentar o índice comentado do documento de posição da 14ª Conferência.

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