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Domingo, 27 Janeiro 2019 23:08 Última modificação em Sábado, 02 Fevereiro 2019 20:08

Israel: licença para matar

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País: Israel / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: O Diário

[Manlio Dinucci] O poder sionista em Israel prossegue e alarga a agressão militar contra a Síria e a política genocida contra o povo palestino.

Esta escalada integra a preparação por parte dos EUA e da OTAN de uma guerra de grande escala contra o Irã. Na Itália, o governo de extrema-direita está, como seria de esperar, inteiramente solidário. O fascismo é um aliado preferencial do imperialismo e do sionismo.

“Em iniciativa verdadeiramente insólita, Israel oficializou o ataque contra alvos militares iranianos na Síria e intimou as autoridades sírias a não exercerem represálias contra Israel“: eis como os meios de comunicação italianos informaram sobre o ataque de Israel, no último dia 21, à Síria, com mísseis de cruzeiro e bombas guiadas. “É uma mensagem para os russos, que juntamente com o Irã permitem a sobrevivência do poder de Assad“, comenta o Corriere della Sera.

Nenhum deles põe em dúvida o “direito” de Israel de atacar um Estado soberano para lhe impor qual governo deve ter, depois de, durante oito anos, os EUA, a OTAN e as monarquias do Golfo terem tentado demoli-lo juntamente com Israel, como fizeram em 2011 com o Estado da Líbia.

Nenhum se escandaliza com que os ataques aéreos israelenses, sábado e segunda-feira, tenham causado dezenas de mortes, incluindo pelo menos quatro crianças e sérios danos ao aeroporto internacional de Damasco, enquanto se dá destaque à notícia de que por prudência foi fechada, por um dia, para o desgosto dos excursionistas, a estação de esqui israelense no Monte Hermon (totalmente ocupado por Israel juntamente com os Montes Golan).

Nenhum se preocupa com o fato de que a intensificação dos ataques israelenses na Síria, sob o pretexto de que ela serve de base para o lançamento de mísseis iranianos, integre a preparação de uma guerra em larga escala contra o Irã, planejada com o Pentágono, cujos efeitos seriam catastróficos.

A decisão dos Estados Unidos de sair do acordo nuclear iraniano – um acordo definido por Israel como “a rendição do Ocidente ao eixo do mal liderado pelo Irã” – causou uma situação de extremo perigo, não só para o Médio Oriente.

Israel, a única potência nuclear no Médio Oriente – não aderente ao Tratado de Não Proliferação, subscrito por seu lado pelo Irã – tem 200 armas nucleares apontadas contra o Irã (como especificou em março de 2015 o ex-secretário de Estado dos EUA, Colin Powell).

Entre os diferentes vetores de armas nucleares, Israel possui uma primeira equipe de caças F-35A, declarada operacional em dezembro de 2017. Israel não apenas foi o primeiro país a comprar o novo caça de quinta geração da norte-americana Lockheed Martin, mas com as suas próprias indústrias militares desempenha um papel importante no desenvolvimento desse caça: as Indústrias Aeroespaciais de Israel iniciaram a produção de componentes das asas que tornam os F-35 invisíveis ao radar.

Graças a essa tecnologia, que também será aplicada aos F-35 italianos, Israel potencia as capacidades de ataque das suas forças nucleares, integradas no quadro do sistema eletrônico Natonel do “Programa de Cooperação Individual com Israel”.

De tudo isso, no entanto, não há notícias nos nossos meios de comunicação, do mesmo modo que não há notícias de que, além das vítimas provocadas pelo ataque israelense na Síria, há as ainda mais numerosas provocadas entre os palestinos pelo embargo de Israel à Faixa de Gaza.

Devido ao bloqueio, decretado pelo governo israelense, dos fundos internacionais destinados às instalações de saúde da Faixa – seis dos treze hospitais, incluindo os dois hospitais pediátricos Nasser e Rantissi, tiveram que fechar em 20 de janeiro por falta do combustível necessário para produzir eletricidade (na Faixa, o fornecimento via rede é extremamente irregular).

Não se sabe quantas vítimas causará o encerramento deliberado dos hospitais de Gaza. Disto não haverá nenhuma notícia nos nossos meios de comunicação, que, em vez disso, destacaram o que foi declarado pelo vice-primeiro-ministro Matteo Salvini na sua recente visita a Israel: “Todo o meu empenho em defender o direito à segurança de Israel, baluarte da democracia no Médio Oriente “.

(Il Manifesto, 22 de janeiro de 2019)

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