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Diário Liberdade
Sábado, 23 Julho 2016 06:05 Última modificação em Sábado, 23 Julho 2016 16:17

Sobre o vírus "radicalizado"

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/ Repressom e direitos humanos, Antifascismo e anti-racismo, Batalha de ideias / Fonte: Ladrões de Bicicletas
(Este post foi escrito antes do atentado de ontem em Munique)De cada vez que há um atentado, surgem as declarações oficiais de que, subitamente, os terroristas se tinham "radicalizado". Como se tratasse de um vírus apanhado algures, longe de todos nós, as pessoas normais. Aqueles que nunca matariam. 

Há dias, a comunicação social citou o relatório da Europol para alertar os portugueses de que Portugal estava cada vez mais na lista de ataques terroristas. Não acompanhei a generalidade dos jornais sobre o assunto, mas pelos destaques com que fui impactado, presumo que não tenham ido mais longe.

O assunto é, contudo, demasiado sério para que nos possamos ficar por meras declarações de que, mais dia menos dia, estaremos igualmente a ser bombardeados com declarações - à la Valls - de que teremos de nos habituar a viver sob terrorismo. Não temos. Queremos viver em paz. Mas na minha opinião, a política externa ocidental não tem contribuído para isso. Pelo contrário.

Olhe-se para o gráfico acima, para os números do que se passa na Europa, partindo da mesma fonte, citada pela comunicação social, mas trabalhando os dados relativos aos anos de 2006 a 2015. Estranhamente, os relatórios da Europol omitem - nos anexos exaustivos - o número de mortos dos atentados cometidos. Incluí nos "ataques" e nas "pessoas detidas" tanto os cometidos - como se refere nos relatórios - pela extrema-direita, pela extrema-esquerda, por actos religiosos, etc., porque me interessa o ambiente de violência latente, o caldo gerador do terrorismo.

E agora compare-se com o que se passa no outro lado do mundo. E veja-se as linhas desse gráfico.

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A semelhança de tendências é a abismal. E já estamos a prender na Europa mais de mil pessoas por ano. Nada parece, pois, parar.

Agora, olhemos para outro conjunto de dois gráficos.

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Fonte: Europol

(Acrescentei - depois de ontem - mais um gráfico...

 

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E agora olhe-se para o gráfico seguinte, relativo ao número de combatentes estrangeiros no Iraque e na Síria em 2015, em que estimativas vão das mais conservadoras (cor mais carregada) para as mais elevadas (cor mais ligeira).

 

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Parece haver uma relação entre os dois fenómenos, entre os detidos na UE e as estimativas de combatentes estrangeiros no Iraque e na Síria. A França é de longe o país europeu com mais combatentes estrangeiros e com mais detidos. E depois há uns países com pequenos números que se situam próximos da França (Alemanha, Holanda, Bélgica, Dinamarca). Há uma segunda linha de incidentes relacionados com a Itália e Grécia e todos os países daquela zona que ficam, sim, próximos das fronteiras naturais das regiões em conflito. E o Reino Unido. Mas eu gostaria de aprofundar mais - noutro post, talvez - para perceber por que razão é a França, de longe, o país com maior tensão interior. Talvez devêssemos olhar para a "eficácia" das agendas económicas e sociais dos últimos dez anos.

Mas agora olhe para este gráfico que mede o peso das pessoas detidas dos 9 países do gráfico acima no total das detenções verificadas na Europa:

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Em dez anos, o peso daqueles países reduziu-se quase 10 pontos percentuais. Ou seja, outros países começaram a surgir no radar das autoridades. Em dez anos, as medidas adoptadas pela Europa não está a conter os fenómenos violentos, mas a alargar, a expandi-los. A Europa é um continente cada vez mais violento. Mas não está sozinho no Mundo. O Mundo está a ficar mais agressivo. O relatório da Europol dá conta de que foram detectados dois roubos na Polónia de material radioactivo. E verificou.-se tentativas de compra de material radioactivo na Moldova, Ucrânia e Turquia.

 

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E agora, dizem-lhe que Portugal vai ser possivelmente um país onde os terroristas vão actuar.
Acha que essa é a questão essencial deste problema?

Deixo-lhe agora 3 minutos de pânico na Síria no carro de socorro à população em aflição. E a pergunta: Acredita mesmo que as coisas vão mudar se tudo se mantiver como até aqui?

Algo terá de ser feito para parar esta carnificina. Porque essa é a razão de existência do vírus "radicalizado".

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