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Sexta, 06 Julho 2018 19:54 Última modificação em Domingo, 15 Julho 2018 03:13

Nicarágua: fios do complô

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País: Nicarágua / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: Granma

[Francisco Arias Fernández] Em 2016 ou talvez antes, de Miami se escutaram de novo ameaças de guerra contra a Nicarágua, quando as ruas das cidades dessa nação eram exemplo regional de segurança, paz e prosperidade.

EM 2016 ou talvez antes, de Miami se escutaram de novo ameaças de guerra contra a Nicarágua, quando as ruas das cidades dessa nação eram exemplo regional de segurança, paz e prosperidade, onde um povo muito trabalhador e pacífico mostrava com orgulho os avanços socioeconômicos dos últimos anos de governo sandinista, que tinha conseguido a concórdia nacional, depois dos piores experimentos bélicos dos EUA na América Central.

Sem justificativa alguma e quando a noticia da Nicarágua no mundo era o megaprojeto de um grande canal interoceânico, fundamental para a economia do país e da navegação em nível global, entre Miami e Washington os congressistas que vivem da guerra contra Cuba e Venezuela se empenharam em criar todo tipo de obstáculo para reverter a prosperidade e a calma da pátria de Augusto César Sandino.

Congressistas de origem cubana na Câmara dos Representantes, primeiro, e depois no Senado, introduziram, em 2016, um projeto de lei para impedir a entrada de empréstimos financeiros internacionais à Nicarágua, impedir os investimentos estrangeiros e frear o importante desenvolvimento socioeconômico que experimentava esse país. A punição imperial nascida no pior dos reacionários anticubanos, onde de acordo com diversas fontes começou a se tramar desde 2015, utilizou o velho pretexto da suposta falta de democracia; justificou-se como «remédio» para «garantir a transparência eleitoral e combater a corrupção». O resultado da suja manobra foi a «Lei de condicionamento ao investimento nicaraguense de 2017» (Nicaraguan investment conditionality Act of 2017, Nica Act).

Ileana Ros, Albio Sires, Marco Rubio e Ted Cruz, entre outros, o mais retrógrado e cavernícola do Congresso, de Miami, Texas e New Jersey, apostaram novamente em reinventar a contra e derrubar o governo sandinista que uma e outra vez demonstrou contundentemente nas urnas contar com o respaldo da maioria do povo.

Como projeto subversivo, seus fios vão além do Capitólio, pelo qual legisladores e mafiosos bateram nas portas da maquinaria golpista Made in USA, traçando pautas para a campanha midiática e fizeram suas encomendas às agências e organizações especializadas na guerra suja e golpes brandos, que trabalham à par e em função da comunidade de inteligência em geral e da CIA, em especial.

Neste caso concreto, a mídia internacional documentou a participação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid); a Fundação Nacional para a Democracia (NED), o Instituto Nacional Democrata (NDI), bem como seus subempreiteiros ou filiais, que vinham trabalhando meticulosamente desde a própria eleição de Daniel Ortega em reinventar a «nova liderança», metendo-se ou infiltrando-se seletivamente em setores chave da economia, a juventude, os estudantes, médios e pequenos empresários, grupos ambientalistas, feministas, entre outros, para socavar as bases de apoio ao sandinismo.

É muito revelador que em 16 de abril deste ano, montado no mesmo roteiro dos congressistas anticubanos, o administrador da Usaid, Mark Green, anunciou que seu governo continuará apoiando a participação «livre, segura e genuína» da sociedade civil nicaraguense, depois de manifestar que «os Estados Unidos acompanham com preocupação o fechamento de espaços democráticos na Nicarágua, as sistemáticas violações aos direitos humanos e a propagação da corrupção do governo... ».

Em março, os congressistas, Ileana Ros-Lehtinen e Albio Sires enviaram uma carta ao administrador Green, na qual instam o governo estadunidense a reverter a decisão de «zero ajuda» à Nicarágua mediante a Usaid, proposta para o período fiscal 2018-2019. Contudo, exortaram-na a «evitar o apoio a membros do setor privado ligados à corrupção, lavagem de dinheiro e ao regime de Daniel Ortega».

No fim de 2008, a mídia assinalava que a Usaid tinha desembolsado naquele ano, na Nicarágua, pelo menos um milhão de dólares para ONGs, emissoras de rádio e organismos políticos, como o Centro de Pesquisas para a Comunicação (Cinco), para «incidir» nas eleições municipais.

Denunciou-se naquele momento que este financiamento encoberto como «pequenas doações», que supostamente não deviam exceder os 25 mil dólares, faziam parte de um plano em grande escala financiado pelos EUA e executado a partir dessa data por agentes internos da direita nicaragüense, com o fim de derrocar o governo do presidente Daniel Ortega.

A estratégia midiática de então, montada para confrontar o governo sandinista e a mídia, executava-se através de duas vias de financiamento: uma dirigida pela Usaid e o organismo Casal & Asociados (C&A) e outra, complementada pelo chamado Fundo Comum, dos europeus, os quais eram utilizados para desenvolver campanhas e mobilizações para desestabilizar o governo.

Já em 2008, a mídia nicaraguense tinha identificado ao menos 14 projetos subversivos da Usaid que estavam em andamento em todo o país, com as mais diversas coberturas e títulos, os quais tinham sido beneficiados pelo citado financiamento.

Outra peça significativa da trama estadunidense é o Instituto Nacional Democrata (NDI), um instrumento para a «mudança», outro fio da CIA que se encarrega do tão mencionado «empoderamento» dos denominados «agentes para a mudança» (política e de sistema) dos países onde os governos não são do agrado de Washington.

Um jornalista sueco se referia, no passado 4 de junho, à turnê europeia que realizavam naqueles dias três estudantes da Nicarágua, para buscar apoio ao complô contra o governo sandinista e afirmava que ao menos uma das jovens representa uma organização financiada e criada pelos Estados Unidos.

Afirmava que Jessica Cisneros, ativa em temas de integração e participação juvenil nos processos políticos, é membro do Movimento Cívico de Juventudes.

Outra «agente», que andava recopilando ódio para o sandinismo e respaldo para o golpe, é Yerling Aguilera, da Universidade Politécnica (Upoli) de Manágua e especialista em pesquisas sobre a revolução e o movimento feminista, que – segundo afirma o jornalista sueco – também foi empregada e consultora do Instituto de Estudos Estratégicos e Políticas Públicas (Ieepp) na Nicarágua, uma instância que trabalha para «o fortalecimento da capacidade dos atores políticos, estatais e sociais para um público melhor informado através de serviços criativos e inovadores». O Ieepp recebeu apoio da Fundação Nacional para a Democracia (NED) por 224.162 dólares, entre 2014 e 2017.

A NED entre 2014 e 2017 desembolsou na Nicarágua ao redor de 4,2 milhões de dólares.

A Usaid, o NDI e a NED têm uma extensa atividade na Nicarágua, com milhares de ativistas capacitados para «mudar a sociedade», centenas de ONGs, universidades e partidos políticos que recebem dinheiro e material para o complô, que o conceberam não através das organizações políticas tradicionais, mas das solapadas ou fantasmas, para dar a impressão de «estouros espontâneos» de mal estar ou condenação e disfarçar os verdadeiros interesses hegemônicos do Norte.

Embora incrementassem seu trabalho depois da vitória eleitoral de Daniel Ortega em 2006, a partir do ano 2015 (coincidindo com as origens da Nica Act) as agências dos Estados Unidos ampliaram seu apoio financeiro e com recursos aos seus «agentes para a mudança» na Nicarágua, sobretudo por meio de cursos de liderança e dinheiro para os jovens nas universidades, escolas, ONGs e partidos políticos.

Para acompanhar política, diplomática e midiaticamente os golpistas, Washington deu ordens de demonizar Daniel Ortega e seu governo, empenho em que participaram não só a Casa Branca, suas agências, aliados, satélites e mercenários, mas os grandes monopólios da informação e fabricantes de mentiras globais, magnificando os acontecimentos internos contra o governo e culpando as autoridades de todo tipo de violação dos direitos humanos, omitindo totalmente os crimes e destroços dos empoderados da Usaid, o NDI, a NED e a CIA, que fizeram com que fracassasse o diálogo e os apelos de paz. Tal como no caso da Venezuela, Donald Trump e seus assessores, falcões de mil invasões, não acreditam em diálogos nem pactos e continuam apostando na guerra em todos os fronts.

A Nicarágua voltou ao epicentro da maquinaria de guerra dos EUA, da mão dos congressistas anticubanos, outros mafiosos e veteranos falcões. Washington tenta reeditar sua estratégia à custa de mais mortos e destruição nas ruas da Nicarágua.

•••••

ENTRE OS PROJETOS SUBVERSIVOS DA USAID, NA NICARÁGUA, ESTÃO:

- Participação cidadã no processo eleitoral.

- Incubando uma cultura de transparência na juventude nicaraguense.

- Capacitação a jovens estudantes de comunicação para produzir histórias que promovam a auto-eficácia.

- Multimídia para a governabilidade democrática

- Fortalecimento de direito cidadão de mulheres e jovens de Masaya.

- Base Jurídica da Ação Cidadã para jornalistas.

- Participação ativa dos cidadãos nicaraguenses em seu direito ao voto.

OS TENTÁCULOS DO NDI

- Desde 2010 se associou com universidades nicaraguenses e organizações civis para conduzir um programa de liderança juvenil que ajudou a preparar mais de 2 mil «líderes juvenis». Também trabalhou para aumentar a influência política das mulheres, as pessoas LGBT e processos eleitorais.

- O Movimento Cívico de Juventudes (MCJ) é uma organização financiada, criada e parte do Instituto Nacional Democrata (NDI).

- Vários dos membros do grupo são graduados do programa de Certificação em Liderança e Condução Política (CLPM, por sua sigla em inglês).

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