Publicidade

Diário Liberdade
Publicidade
Publicidade
Sábado, 04 Agosto 2018 03:00 Última modificação em Quarta, 08 Agosto 2018 16:56

Democracia Burguesa no Brasil: O Mito Reforçado

Avalie este item
(0 votos)
País: Brasil / Batalha de ideias / Fonte: Diário Liberdade

`[Ney] A superioridade da democracia burguesa reside, justamente, nesta sua capacidade de parecer o que na verdade não é, ou seja, uma verdadeira democracia. Como falar em democracia, eleições livres, direitos iguais e etc., quando tudo favorece o poder econômico dos oligopólios empresariais, dessa minoria parasitária detentora do capital.

Se considerarmos a vigência da constituição de 1988, estamos completando três décadas de regime político democrático burguês em nosso país. Para o senso comum, reforçado diuturnamente pelo oligopólio midiático, nós vivemos numa “democracia”, democracia assim mesmo, sem nenhuma caracterização de classe, como se o regime político fosse neutro e não estivesse subordinado aos interesses da classe dominante.

Antes que respondam bobagens, é preciso dizer que a mudança de regime ocorrida nos anos oitenta do século passado, da ditadura empresarial-militar para a democracia burguesa, foi progressiva do ponto de vista da luta do proletariado. Saímos de um regime obscurantista e repressivo, onde a simples oposição política implicava no risco de prisão, tortura e morte, para outro, onde, em princípio, pelo menos isso, estava descartado.

Dito isso, precisamos esclarecer que os dois regimes, a ditadura empresarial-militar instalada após o golpe de 1964 e a democracia burguesa consolidada com a constituição de 1988, tem algo de extremamente relevante em comum: respondem aos interesses da classe dominante. E qual é esse “interesse” fundamental da classe dominante? A continuidade e o desenvolvimento do capitalismo, ou seja, a continuidade e o desenvolvimento do sistema de exploração do proletariado.

Vejam que o caráter progressivo da democracia burguesa foi relativo à ditadura e de forma alguma pode ser uma conceituação estática. Superada essa transição, a democracia burguesa se revela muito mais apetrechada no sentido de cumprir a missão primordial, garantir o desenvolvimento capitalista. Nesse momento o seu caráter progressista, do ponto de vista da luta proletária, se dissolve. Para confirmar, é suficiente verificar nos últimos trinta anos como foram bem atendidos os interesses das diversas frações burguesas pelas instituições desse regime, o executivo, o legislativo e o poder judiciário.

É inequívoco que o regime de 1988 foi muito mais eficiente no sentido de preservar a hegemonia burguesa, de protegê-la das intempéries da luta de classes. Mesmo agora, sofrendo com um desgaste nunca visto nestes últimos trinta anos, que atinge todas as suas instituições com escândalos de corrupção, esse regime segue atirando contra o proletariado, aprovando leis, emitindo decisões judiciais e executando ações políticas que favorecem as classes dominantes e seus agentes políticos.

A superioridade da democracia burguesa reside, justamente, nesta sua capacidade de parecer o que na verdade não é, ou seja, uma verdadeira democracia. Como falar em democracia, eleições livres, direitos iguais e etc., quando tudo favorece o poder econômico dos oligopólios empresariais, dessa minoria parasitária detentora do capital. Essa realidade é mascarada por todos os meios disponíveis na sociedade, mas, sem dúvida, o mais eficiente deles é a cooptação de agentes políticos oriundos das classes exploradas, dos setores oprimidos, que passam a agir em consonância com o projeto burguês, dividindo o exército proletário, desorganizando e desmoralizando a única classe em condições de levantar uma alternativa de poder frente à burguesia.

Os que hoje correm para “salvar a democracia”, sob o argumento de que ela estaria ameaçada, estão reforçando o mito da democracia ilusória, dissociada dos interesses de classe. Deveriam refletir sobre qual é a democracia que estão querendo salvar. A ilusória ou a burguesa? A ilusória não precisa de salvação, porque não existe. Já a democracia burguesa, essa é bem concreta e está em pleno vigor no Brasil, desferindo golpes e mais golpes contra as liberdades democráticas e os direitos elementares do povo trabalhador.

 

Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Doaçom de valor livre:

Microdoaçom de 3 euro:

Adicionar comentário

Diário Liberdade defende a discussom política livre, aberta e fraterna entre as pessoas e as correntes que fam parte da esquerda revolucionária. Porém, nestas páginas nom tenhem cabimento o ataque às entidades ou às pessoas nem o insulto como alegados argumentos. Os comentários serám geridos e, no seu caso, eliminados, consoante esses critérios.
Aviso sobre Dados Pessoais: De conformidade com o estabelecido na Lei Orgánica 15/1999 de Proteçom de Dados de Caráter Pessoal, enviando o teu email estás conforme com a inclusom dos teus dados num arquivo da titularidade da AC Diário Liberdade. O fim desse arquivo é possibilitar a adequada gestom dos comentários. Possues os direitos de acesso, cancelamento, retificaçom e oposiçom desses dados, e podes exercé-los escrevendo para diarioliberdade@gmail.com, indicando no assunto do email "LOPD - Comentários".

Código de segurança
Atualizar

Publicidade
Publicidade

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Ritech

O Diário Liberdade utiliza cookies para o melhor funcionamento do portal.

O uso deste site implica a aceitaçom do uso das ditas cookies. Podes obter mais informaçom aqui

Aceitar