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Quinta, 22 Setembro 2016 16:38 Última modificação em Domingo, 02 Outubro 2016 16:07

Pequena crônica do eterno retorno à brasileira Destaque

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País: Brasil / Antifascismo e anti-racismo / Fonte: Diário Liberdade

Por Rodrigo Barradas

Terça-feira (20). Indo num banco, vi um cara na orla da cidade de Olinda, Brasil, com as mãos na cabeça. A polícia o estava revistando. Revistando suas coisas: uma sacola plástica, dessas de supermercado. O cara, óbvio, aparentava ser bem pobre. Era negro. Os policiais, com uma farda dessas da Polícia Militar de praia, "cujo o corte relaxado, minimalista, aliado à cor da paz, produz mensagem de limpeza e simplicidade cujo papel pode ser lido como contraste ao clima de violência nas ruas"... Er... e fazia uma casadinha com aqueles veículos engraçados de seguranças de shopping center.

Só que não havia nada de engraçado na cena. Havia repetição. Um mais do mesmo, que nos faz perguntar:

Quantas vezes você foi obrigado pela polícia a colocar as mãos na cabeça e ficar lá, como numa humilhação que parece que não vai cessar nunca?
Quantas vezes você colocou as mãos na cabeça?
Quantas vezes você foi suspeito de ser um criminoso, bandido, ladrão, traficante?
Qual roupa usava?
Que cor de pele portava?
Quantas vezes, porra?!
Quem te põe medo, andando numa rua de noite ou de dia?

Eu não sou branco. Não mesmo! Mas sou tratado como tal sempre aonde vou. É assim que sinto. É que nesse paradoxo de "Marca e Origem" aqui no Brasil, temos nossos próprios padrões segregacionistas. E por isso não sou tratado como suspeito. Lembro que há muitos anos atrás, vinha num ônibus voltando da praia de Boa Viagem. Levava um isopor no colo. A polícia para o ônibus, sobe e revista todos os homens... menos eu. TODOS, MENOS EU! Todo mundo era preto com cara de preto, mesmo. Pardo com cara de preto. E eu lá, pardo, com sangue de índio, mas com cara de sei lá o que, livre, assistindo a cena, com um isopor no colo, que podia guardar drogas, armas ou o que fosse. Lembro também e, mais uma vez num ônibus, a polícia revistando várias pessoas, sendo ríspida com todos e veio falar de forma mansa comigo, perguntando: "senhor, leva alguma arma aí na bolsa?", e rindo como se fosse um absurdo a pergunta. Aí eu disse que levava sim uma arma na bolsa, meu notebook, onde escrevia meus textos. Ele riu e não me revistou. Ele nem me revistou!

Olha, se isso acontece dessa forma comigo, que sempre fui de classe média baixa, e se o contrário acontece cotidianamente com os pobres profundos, das comunidades mais ferradas e sem assistência alguma, você acha mesmo que Polícia vai revistar branquinhos de classe alta? Porque vai achar que branquinhos de classe alta de bairro nobre são suspeitos de algo? Você acha mesmo que a polícia um dia vai dar tiro à esmo em bairro abastado, como faz nas favelas? Você acha mesmo, porra?

Me diz aí: quantas vezes, você colocou a porra das mãos na cabeça?

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