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Diário Liberdade
Segunda, 19 Novembro 2018 12:11 Última modificação em Terça, 27 Novembro 2018 19:47

Os destruidores da Líbia agora são “pela Líbia”

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País: Líbia / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: O Diário

[Manlio Dinucci] A Itália participou activamente, há sete anos, na destruição da Líbia pelos EUA/NATO.

O Estado líbio foi destruído e pilhado, e a sua destruição deu origem a uma vaga de refugiados que, em boa parte, procura atingir as costas da Itália. É provavelmente essa a razão “humanitária” que leva os que participaram nesse crime monstruoso a promover agora uma “conferência” sobre a questão.

Um crescente da lua (símbolo do islamismo) desenhado como um hemisfério estilizado que, flanqueado por uma estrela e pelas palavras “for/with Libya” (por/com a Líbia) representa um mundo que se quer colocar ao lado da Líbia: eis o logotipo da “Conferência pela Líbia” organizada pelo governo italiano, como o evidencia a bandeira tricolo na parte inferior do crescente/hemisfério.

A Conferência internacional realiza-se em 12-13 de Novembro em Palermo, nesta Sicília que há sete anos foi a principal base de lançamento da guerra com a qual a NATO sob comando EUA demoliu o Estado líbio. Essa guerra iniciava-se através do financiamento e armamento de sectores tribais e de grupos islamitas hostis ao governo de Trípoli e da infiltração no país de forças especiais, entre as quais milhares de comandos do Qatar camuflados em “rebeldes líbios.” Depois, em Março de 2011, era lançado o ataque aeronaval EUA/NATO que durou 7 meses. A aviação efectuaria 30 mil missões, das quais 10 mil atacantes, utilizando mais de 40 mil bombas e mísseis.

Por vontade de um vasto agregado político que ia da direita à esquerda, a tália participava na guerra não apenas com a sua aeronáutica e marinha, mas também colocando à disposição das forças EA/NATO 7 bases aéreas: Trapani, Sigonella, Pantelleria, Gioia del Colle, Amendola, Decimomannu e Aviano.

Com esta guerra de 2011 a NATO demolia este Estado que, na margem sul do Mediterrâneo em face da Itália, tinha atingido, embora com significativas desigualdades internas, “altos níveis de crescimento económico e de desenvolvimento humano” (tal como o documentava o próprio Banco Mundial em 2010), superiores aos dos outros países africanos. Era testemunho disso o facto de terem encontrado trabalho na Líbia cerca de dois milhões de imigrantes, na sua maioria africanos. Ao mesmo tempo a Líbia teria, com os seus fundos soberanos, tornado possível o nascimento em África de organismos económicos independentes e de uma moeda africana.

Os EUA e a França – como o provam as mensagens de correio electrónico da secretária de Estado Hillary Clinton – tinham-se posto de acordo para bloquear o plano de Kadhafi de criar uma moeda africana, alternativa ao dólar e ao franco CFA imposto pela França a 14 ex-colónias africanas.

Após a demolição do Estado e o assassínio de Kadhafi, na caótica situação que se seguiu, teve início tanto no plano interno como no plano internacional uma luta feroz pela repartição de um enorme espólio: as reservas petrolíferas – as maiores de África – e de gás natural; o imenso lençol núbio de água fóssil, esse ouro branco em perspectiva de se tornar mais precioso do que o ouro negro; o próprio território líbio, de primeira importância geoestratégica; os fundos soberanos de cerca de 150 milhares de milhões de dólares investidos no estrangeiro pelo Estado líbio, “congelados” em 2011 nos maiores bancos europeus e norte-americanos, roubados, por outras palavras. Por exemplo, de 16 milhares de milhões de fundos líbios, bloqueados no Euroclear Bank na Bélgica e no Luxemburgo, desapareceram mais de 10. “Desde 2013 – documenta a RTBF (radiotelevisão belga francófona) – centenas de milhões de euros provenientes desses fundos foram enviados para a Líbia para financiar a guerra civil que provocou uma grave crise migratória.”

Numerosos imigrantes africanos na Líbia foram aprisionados e torturados pelas milícias islâmicas. A Líbia tornou-se a principal via de tráfego, nas mãos dos traficantes e operadores internacionais, de um fluxo migratório caótico que em cada ano provocou mais vítimas no Mediterrâneo do que as bombas da NATO em 2011.

Não pode silenciar-se, como fizeram os organizadores da contra-cimeira de Palermo, que na origem desta tragédia humana está a guerra EUA/NATO que, há 7 anos, demoliu um Estado inteiro em África.

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