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Diário Liberdade
Domingo, 31 Julho 2016 08:54 Última modificação em Quinta, 04 Agosto 2016 02:39

Pokémon Go: A CIA, o totalitarismo e o futuro da vigilância

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/ Comunicaçom / Fonte: Vermelho

[Steven MacMillan] Se alguém ainda tinha dúvidas de que uma porcentagem da população da Terra era constituída por zumbis, os incidentes que aconteceram em seguida ao lançamento do jogo Pokémon Go foram suficientes para convencê-los.

A despeito do jogo ter sido lançado no início de julho, já pudemos observar um homem dirigindo – e jogando ao mesmo tempo – até colidir com uma árvore. Houve um caso também de uma mulher que ficou presa em um cemitério enquanto caçava essas criaturinhas peludas. Além, claro, de gente que se aventurou para caçá-las em campos minados na antiga Iugoslávia. 

O Pokémon descreve o jogo no seu site do seguinte modo:

"Viaje entre o mundo real e o virtual do Pokémon com Pokémon GO para aparelhos iPhone e Android. Com Pokémon GO, você descobrirá Pokémon em um mundo inteiramente novo – o seu próprio mundo! Pokémon GO é construído com a tecnologia Real World Gaming Platform, da Niantic, e usa locais reais, além de encorajar os jogadores a pesquisar fundo e mais distante no mundo real para descobrir Pokémon... No Pokémon GO, o mundo real será o cenário".
 

Pokémon Go, Google, o Departamento de Estado, a CIA e o Departamento de Defesa dos EUA

A empresa por trás do Pokémon GO é uma desenvolvedora de aplicativos e software de São Francisco chamada Niantic Inc. Foi criada em 2010 como uma divisão interna do Google. O fundador e atual proprietário é John Hanke, um sujeito que tem conexões tanto com o Departamento de Estado dos EUA quanto com a CIA.

Antes de se mudar para São Francisco para estudar na Universidade da Califórnia, Hanke trabalhou para o Departamento de Estado dos EUA em Mianmar. Ele também fundou a Keyhole, em 2001, uma empresa especializada em dados geoespaciais usados em aplicativos. O Google adquiriu a empresa em 2004, tornando vários aplicativos da Keyhole acessíveis, como o Google Maps e o Google Earth. Em 2003, uma joint-venture da CIA, a In-Q-Tel, investiu na Keyhole, com o próprio site da CIA detalhando este investimento de forma orgulhosa: 

"A tecnologia assistida da CIA mais familiar a você é uma que a maioria de nós utiliza de forma regular: o Google Earth. Em fevereiro de 2003, a empresa criada pela CIA In-Q-Tel fez um investimento estratégico na Keyhole, uma empresa pioneira no uso de tecnologia 3-D interativa de visualização da Terra e criadora do inovador e rico sistema de mapeamento EarthViewer 3D system. A CIA trabalhou com afinco com outras organizações de inteligência para adequar os sistemas da Keyhole de acordo com as necessidades deles. O produto final transformou o modo como os responsáveis pela inteligência interagiam com informações geográficas e imagens da Terra".
 

Uma das outras organizações de inteligência com a qual a CIA trabalhou em conjunto foi a National Geospatial-Intelligence Agency (NGA), que está parcialmente sob controle do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Portanto, temos um enigmático, de algum modo, ex-funcionário do Departamento de Estado com conexões com a CIA e o Depto. de Defesa, se tornando o proprietário de uma empresa que criou o que parece ser um simples e inofensivo jogo. O que está acontecendo?

Vendendo e compartilhando seus dados

Como diversas novas tecnologias em nossa era digital, Pokémon GO está constantemente coletando informações sobre o usuário e abertamente admite que vai compartilhar esses dados com quem ela, empresa, quiser.

Como o analista James Corbett analisou em seu artigo intitulado: "O aplicativo da CIA Pokémon Go está fazendo o que o Patriot Act não conseguiu fazer, a política de privacidade dos aplicativos da Niantic afirma que compartilhará as informações que ela coletar (o que é muita coisa) com o Estado e organizações privadas:

"Nós cooperamos com o governo e a Justiça ou partes privadas que respeitem e obedeçam à Lei. Nós podemos revelar qualquer informação sobre você (ou a criança sob sua custódia) que esteja em nossa posse ou controle para o governo ou para a Justiça ou para empresas privadas da forma que nossa empresa acreditar ser necessário ou apropriado"
 

Corbett também detalha como o jogo requer que o usuário dê total acesso à Niantic/CIA/NGA/Depto. de Defesa (inclusive o acesso às contas pessoais no Google e à câmera do usuário).

Oliver Stone sobre o Pokémon GO: Totalitarismo e "um novo grau de invasão"

Falando durante a feira Comic-Con deste ano, Oliver Stone – o premiado diretor de cinema que está dirigindo um filme sobre Edward Snowden – teve um ponto de vista muito perspicaz sobre a loucura que é o novo negócio de data-mining. Como a revista Vulture reportou em um artigo recente, Stone denunciou o jogo como um "novo nível de invasão" e uma nova forma de "Totalitarismo":

"Estou ouvindo falar disso também; é uma nova forma de invasão. Desde que o governo foi desnudado por Snowden, naturalmente as corporações procuraram se proteger com a encriptação, porque elas precisa sobreviver, certo? Mas a caça pelo lucro é enorme. Ninguém jamais viu, na história do mundo, algo como o Google – jamais! É o negócio que mais rápido cresceu, e eles investiram quantidades assombrosas de dinheiro no que é de fato o serviço de vigilância, que é o data-mining (coleta de dados)". 
Stone continua: "eles estão coletado dados de cada pessoa nessa sala, para saber o que você está comprando, o que você gosta e, acima de tudo, qual é seu comportamento. O Pokémon GO vai direto nisso. Está em todos os lugares. É o que algumas pessoas estão chamando de Capitalismo de Vigilância; é um novo estágio. Você verá uma nova forma de, falando francamente, sociedade de robôs, onde eles terão conhecimento do que você quer para viver. Com isso, eles construirão um mundo que seja o que você desejar e alimentarão você. É isso que se chama normalmente de totalitarismo".
 

Prevendo o comportamento humano

O que é interessante é que Stone não só adverte sobre os aspectos comerciais do data-mining, mas para o fato de que quanto mais dados os governos e as empresas coletarem dos cidadãos ao redor do mundo, mais fácil se torna prever o comportamento deles. E não é somente Stone que está advertindo sobre esta nova realidade. No início de 2015, o próprio responsável pela vigilância no governo do Reino Unido, Tony Porter, revelou como os dados obtidos por câmeras de rua podem ser usados pra "prever comportamentos".

Enquanto mergulhamos cada vez mais no século 21 e sistemas algorítmicos mais sofisticados são desenvolvidos para processar esse verdadeiro tsunami de dados, as agências de espionagem e os governos aumentam a capacidade de prever (e manipular) o comportamento de suas populações e dos povos de outros países. Quanto mais avançarmos nesse percurso, os níveis de vigilância no futuro serão muito mais avançados do que aqueles que o próprio George Orwel imaginou. Com a luta pela privacidade digital se tornando a maior delas dentro do no campo de batalha deste século, para aqueles que valorizam a liberdade. 

O Pokémon GO parece mais um Cavalo-de-Tróia da CIA e um grandioso coletor de informações do "Complexo Big Brother" que um simples e inofensivo jogo. Com todas essas conexões com o Departamento de Estado, a CIA e o Departamento de Defesa, não é de se estranhar que alguns países já consideram seriamente de banir o jogo.

*Steven MacMillan é um escritor independente, pesquisador, analista geopolítico e editor do "The Analyst Report", especialmente para a revista online “New Eastern Outlook”.

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