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Quarta, 11 Abril 2018 00:00 Última modificação em Terça, 10 Abril 2018 21:15

Greves de professores alastram nos EUA

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António Santos

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Mesmo nos EUA de Trump há trabalhadores em luta, e não são poucos.


O movimento grevista de professores que neste momento alastra em vários Estados é uma resposta, combativa, quase espontânea, e com grande expressão de massas, à extrema degradação da situação nas escolas públicas.

A greve dos professores da Virgínia Ocidental que, no mês passado, terminou com uma estrondosa vitória dos trabalhadores, foi o catalisador das paralisações de docentes decretadas no Kentucky e no Oklahoma, Estados a que muito em breve se poderá juntar o Arizona.

Foi no Kentucky que, na sexta-feira passada, a greve começou. Os professores, que protestam contra cortes draconianos nos planos de pensões públicas, ultrapassaram os constrangimentos legais que proíbem a greve declarando-se doentes nesse dia. Igualmente ultrapassados foram os sindicatos federais e estaduais que, mais ou menos reiteradamente, procuraram demover da greve os professores. Com efeito, a greve de duração indeterminada, apelidada de «selvagem» mas que na verdade é apenas espontânea, foi organizada pela Internet sem o apoio da Associação Nacional de Educação ou da Associação de Educação do Kentucky. Ainda assim, o Departamento de Educação deste Estado informou que mais de metade das escolas continuavam fechadas na segunda-feira, dia em que milhares de professores se manifestaram em frente ao capitólio estadual, em Frankfurt.

Também segunda-feira, o Oklahoma, segundo Estado na lista dos piores salários docentes nos EUA, deu continuidade ao protesto. Rejeitando a aprovação pelo Congresso estadual, na quinta-feira passada, de um aumento de 6000 dólares anuais por trabalhador por oposição aos 10 000 reivindicados, mais de 30 mil professores deram início a uma greve ilegal que paralisou por completo várias centenas de escolas. No mesmo dia, cerca de 15 mil professores concentraram-se junto ao capitólio, na Cidade do Oklahoma, envergando camisas vermelhas e exigindo mais investimento na educação, manuais escolares novos, turmas mais pequenas e melhores condições materiais. Neste Estado, o subfinanciamento da Escola Pública é tão grave que vinte por cento dos estabelecimentos de ensino já só funcionam quatro dias por semana.

Também no Arizona cresce a pressão para uma greve de professores. Neste Estado, onde há turmas de 50 alunos e a maioria dos professores precisa de um segundo emprego para sobreviver, o subfinanciamento da Escola Pública atingiu um ponto crítico e nunca o fosso entre professores e governador foi tão profundo: o governador, Doug Ducey, propôs aumentos salariais de um por cento, abaixo da taxa de inflação de 2,2 por cento ao passo que os professores exigem aumentos salariais a partir de 20 por cento.

Todos os quatro Estados onde a luta dos professores está mais acesa, Virgínia Ocidental, Arizona, Oklahoma e Kentucky, são Estados onde Trump e o Partido Republicano arrancaram vitórias fáceis a Hillary Clinton e ao Partido Democrata. Estranhamente, a postura dos democratas, que têm insistido em menorizar e caricaturar os povos destes Estados como estúpidos, racistas e machistas sem salvação, contribuiu para soltar a luta dos trabalhadores dos freios do partido do burro, criando o espaço para o que é actualmente o maior e mais progressista movimento laboral dos EUA.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2314, 5.04.2018

Fonte: O Diário

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