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Diário Liberdade
Quarta, 07 Novembro 2018 12:03 Última modificação em Quarta, 07 Novembro 2018 12:23

Ode à pacificação

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Joao

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Parafraseando Benedetti, após a reivindicação de Caxias por Bolsonaro, só posso afirmar: não sei aonde irão os pacificadores com seu ruído metálico de paz, seja como for, quem pacifique os pacificadores um bom pacificador será.


Durante um culto, dentro de um templo religioso, Bolsonaro reivindicou Caxias, segundo ele, o “pacificador”.

Colecionando condecorações, de barão a duque, Caxias determinou a “reescravização” [1] dos negros derrotados na Balaiada e o enforcamento de Cosme Bento das Chagas, responsável por liderar cerca de 3 mil escravos. Caxias foi condecorado por sua violência pacificadora, sendo conhecida sua atuação sanguinária na Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai.

A lógica no Brasil é simples. Em outubro de 1992 – quem não se lembra, favor ouvir a música “Diário de um detento" (Racionais MC’s) –, 150 anos depois da Balaiada, Pedro Franco de Campos, Ubiratã Guimarães, Luiz Antônio Fleury Filho e a Polícia Militar de São Paulo orquestraram o assassinato de mais de uma centena de presos na Casa de Detenção São Paulo – o Carandiru.

Após o massacre, Pedro foi indicado a ocupar uma vaga como magistrado no Tribunal de Justiça de São Paulo pelo quinto constitucional; Ubiratã e Fleury alavancaram suas carreiras na política. Os policiais militares, dos 74 envolvidos, 58 foram promovidos.

Como diz a canção: “quem mata mais, ganha medalha de prêmio!”. Mais claro que isso, só o samba enredo da Mangueira: “tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado”.  

Reivindicar Caxias é expor a violenta coerência que constitui as figuras do próximo governo federal, mas não só.

Por exemplo, para completar o quadro pitoresco, mais um escroque ligado ao PSL (Partido Social Liberal), dessa vez o Luiz Philippe Orleans e Bragança, foi eleito Deputado Federal por São Paulo, mostrando a singular "inteligência" que guia os votos do eleitor paulista.

A árvore genealógica de Luiz o vincula ao Príncipe Gastão de Orleans, Conde d'Eu, responsável pelo massacre de milhares de crianças com idade entre 9 e 15 anos, que enfrentaram os soldados do exército brasileiro sob sua liderança na batalha de Acosta Ñu ou do Campo Grande, em 16 de agosto de 1869, no Paraguai – não acreditem na pintura de Pedro Américo de Figueiredo e Melo! –, dando continuidade às barbáries cometidas por Caxias. Para os interessados, ouçam a música Acosta Ñu aqui.

Voltando à reivindicação do pacificador Caxias por Bolsonaro, só nos resta recordar os versos de Benedetti em sua Ode à Pacificação:

“Não sei aonde irão os pacificadores com seu ruído metálico de paz

quando os pacificadores apontam, obviamente, sacam para pacificar

e as vezes pacificam dois coelhos com uma cajadada só

quem pacifique os pacificadores um bom pacificador será”.

 

João é bacharel em direito pela PUC-SP, coordenador do Grupo de Pesquisa Marxismo e Direito (GPMD) e advogado.

 

Referência

[1] FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006, p. 90/91.

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