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Diário Liberdade
Quarta, 19 Dezembro 2018 01:18

Há melhores caminhos para a humanidade

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Zillah Branco

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A humanidade tem sofrido as consequências da crise do sistema capitalista que estrebucha no mundo inteiro, agravando a miséria que derivou da ganância criminosa das elites imperialistas.


Novamente ressurgem grupos fascistas que agravam as situações caóticas com o seu habitual vandalismo, utilizando as manifestações pacíficas das populações que reivindicam os seus direitos já consignados (nem sempre cumpridos pelos Governos) nas Constituições nacionais e nos Princípios da ONU. O grande exemplo, recente, explode agora em Paris, em plena época natalícia, quando o comércio exibe a beleza luminosa das suas convidativas promoções como incentivo ao descontrolado consumismo.

É a época do caos que lembra Nero na decadência do Império Romano. Os fugitivos de regiões mantidas na miséria pelas políticas colonialistas, somam milhões de cidadãos expulsos dos seus países assaltados por invasores organizados em exércitos ou grupos terroristas (armados pelo imperialismo) que além de matarem impiedosamente, provocam o aumento imparável das condições de miséria impostas a países que perderam a sua soberania e são escravizados por um poder estrangeiro que pretende ser unipolar.

Os atos de agressões são "justificados" pela mídia global com base em farta documentação que segue o modelo das leis, com extensas análises jurídicas e fundamentações em linguagem científica, forjadas por burocratas altamente remunerados para defenderem as elites e condenarem os trabalhadores. E, dessa forma, divulgam os desígnios dos que promovem a comercialização dos produtos de maneira a obterem lucros com os sistemas de extração das riquezas do subsolo, compra e venda do produto bruto, transporte, embalagem, promoções, autorizações e proibições que regulam a dependência de nações pobres e o domínio por grandes empresas acima da soberania de qualquer pátria. E formam a opinião pública treinada como papagaios.

A missão da ONU


Mas, afinal, este desgoverno quase planetário, tem uma organização criada depois da Grande Guerra - a ONU - para manter o equilíbrio multipolar. Com a paciência proverbial dos orientais foi um embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, quem divulgou a mensagem lúcida: "O Grupo dos Vinte (G20) deve enviar uma mensagem clara de defesa do multilateralismo para conduzir a globalização econômica pela direção correta", disse antes da cúpula do G20 na Argentina em um recente artigo, assinado, publicado pela revista britânica “First”.

Liu disse que o G20 é um “importante campo de batalha” para proteger o multilateralismo por ser um local importante para que os países desenvolvidos e em desenvolvimento participem de consultas e tomem decisões em pé de igualdade sobre assuntos de desenvolvimento e governança global. Chama a atenção para que a ONU "defenda o espírito de associação, reforce a confiança global e trabalhe por um crescimento econômico mundial robusto, sustentável, equilibrado e inclusivo".

Ao indicar que a metade dos membros do G20 é constituída por países em desenvolvimento, Liu comentou: (o G20) “tem a obrigação de criar mais oportunidades para eles, promovendo o crescimento econômico mundial, e lhes oferecer mais apoio com o impulso da cooperação internacional para o desenvolvimento”. Ao referir a necessidade dos países conquistarem a sua soberania mediante a organização dos seus próprios planos internos com base no "desenvolvimento sustentável e estabelecendo políticas associativas preferenciais", o embaixador Liu revela: "Na China, 40 anos de reforma e abertura não só criaram um milagre de desenvolvimento mas também oportunidades enormes para o mundo”.

O Presidente da China, Xi Jinping, no encontro do G20, observou a necessidade de promover condições de crescimento da produtividade e de associativismo para todas as nações em desenvolvimento com vistas ao futuro das relações de produção. "Neste processo, os países estão se tornando cada dia mais, uma comunidade com interesses compartilhados, responsabilidades compartilhadas e um futuro compartilhado", observou Xi, enfatizando que "a cooperação de ganhos recíprocos será a única escolha no futuro."

As pontas de lança do imperialismo

Enquanto a ONU promove debates no G20 onde a preocupação com a paz e a possibilidade de desenvolver as forças produtivas dos países por meio da colaboração global, o ideólogo de Trump, Steve Banon, forma um instituto universitário na Itália para formar especialistas em tecnicas digitais para invadirem as redes sociais consideradas "alternativas" à mídia hegemônica e apoiarem a direita fascista no assalto ao poder até agora ocupado pela social-democracia. As suas experiências expandem-se pelas nações europeias, como se assiste em Paris, e ameaça outras capitais, depois de terem sido iniciadas na América Latina contra as forças progressistas que, ha duas décadas, formaram governos e promoveram associações regionais que abriram caminho para a recuperação da soberania nacional e a promoção do desenvolvimento das respectivas forças produtivas nacionais.

Este novo caminho para um futuro de liberdade e democracia, que surgira no Brasil com a eleição de Lula - como na Venezuela, Nicaragua, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai - foi cortado brutalmente pelo processo fascizante de Trump e Banon, conjugado com a iniciativa de promover o golpe através de Temer e sua camarilha (com apoio das forças da ditadura militar adormecidas desde 1985) para eleger Bolsonaro. Antes mesmo da sua posse no governo, este fantoche do moderno fascismo promove um encontro com os seus colegas reacionários em uma Cúpula Conservadora das Américas,"a primeira do gênero, uma iniciativa bolsonarista que tentará aproximar reacionários do continente para ações políticas conjuntas. A “fauna” a se reunir no dia 8/12 em Foz do Iguaçu, no Paraná, será variada e terá como estrela bolsonarista o filho caçula do ex-capitão, Eduardo, uma espécie de chanceler paralelo do futuro governo do pai.

Com ele estarão: um presidenciável chileno admirador de Augusto Pinochet, um exilado cubano acusado de terrorismo nos anos 1980 e uma senadora colombiana que nega ter havido um fato histórico reconhecido por historiadores de seu país, a matança de mil e oitocentos camponeses grevistas em 1928. Também da Colômbia, falará, mas por videoconferência, um ex-presidente que renunciou ao Senado neste ano por acusação de suborno e fraude e depois voltou atrás na renúncia, embora o processo contra ele siga na Suprema Corte. Trata-se de Álvaro Uribe, presidente de 2002 a 2010, que participará de debate sobre segurança, um dos quatro temas do evento."(como revela a mídia 'alternativa', canal 247, no Brasil).

E a mídia global, amarrada aos financiamentos do sistema imperialista, prossegue nos "fakes news" habituais que repudiam as nações que ousam defender o caminho da democracia e da soberania dos povos, ocultando as revelações dos chineses que apoiam a reforma necessária da Organização Mundial do Comércio, e acreditam que "é crucial defender os valores essenciais e princípios fundamentais da OMC como abertura, abrangência e não discriminação, e garantir os interesses de desenvolvimento e espaço de política dos países em desenvolvimento", como frisou o presidente chinês.

É importante ressaltar o esforço de um país dirigido pelo Partido Comunista (e, por esta razão ser alvo de ataques preconceituosos pela forças retrógradas que orientam a mídia global) que defende "as três ferramentas definidas pelo sistema capitalista para o organismo internacional: políticas fiscais, monetárias e reforma estrutural, a serem aplicadas de modo holístico para garantir um crescimento forte, equilibrado, sustentável e inclusivo da economia mundial," como disse Xi Jinping pedindo que "esteja comprometido com a cooperação de ganhos recíprocos para promover o desenvolvimento mundial inclusivo."

Êxitos de governos progressistas

É importante acompanhar os êxitos de governos progressistas, como os da Venezuela e da Bolívia, que marcaram as suas trajetórias no combate sem tréguas ao neoliberalismo e fortaleceram a política governamental voltados para as características dos seus povos e traçando planos para satisfazer as necessidades prementes de sobrevivência e desenvolvimento. Os projetos desses governos priorizam o crescimento forte, equilibrado, sustentável e inclusivo da sua população, além de participar da troca de produtos e de experiências com os demais, a nível tegional e internacional. Aplicam os princípios que foram teorizados pela ONU, tornando-os uma realidade humanista, além de política.

Apesar das falsidades que a mídia global despeja sobre o mundo, a Venezuela constrói desde 1998 o caminho traçado por Hugo Chaves na defesa dos Direitos Humanos, com liberdade de expressão, melhor distribuição de rendas, redução do analfabetismo, ensino e saúde gratuitos, democracia participativa que inclui o referendo revogatório para leis nacionais. São análises internacionais (International Consulting) que registam 80,9% de apoio popular ao Presidente Maduro, 85,4% condenam os atos de violência e 80% da mídia no país é privada. Enquanto Trump ameaça invadir a Venezuela e estimula a fuga de uma burguesia que lamenta a impossibilidade de explorar os trabalhadores naquela nação, o governo de Nicolas Maduro promoveu, dia 9/12, uma eleição da estrutura de poder local que abrange 2.489 cargos municipais, alcançando o apoio de 92,8% dos resultados para o Grande Polo Patriótico que reune várias organizações, o que comprova a realidade de um povo que continua a ser soberano.

A Bolívia era um dos países mais pobres da América Latina quando as suas riquezas minerais - gás, petróleo e estanho - eram exportadas em bruto por empresas multinacionais associadas às velhas famílias oligárquicas do país. Com a eleição de Evo Morales, líder indígena, que formou um governo disposto a combater o neo-liberalismo e estabelecer um equilíbrio plurinacional com reconhecimento das identidades indígenas, estatizou as empresas de exportação e passou a ter um crescimento anual do PIB em 5%. Assumiu o controle das terras e redistribuiu em propriedades privadas pequenas e médias, estabelecendo um controle sobre a cadeia produtiva de modo a garantir o auto-abastecimento alimentar. Esta experiência que tem permitido o reconhecimento internacional dos seus êxitos abre importante campo de estudo antropológico da riquesa cultural indígena, a começar pela capacidade de organização comunitária para assegurar a sobrevivência com recursos limitados em condições climáticas adversas, devido ás elevadas altitudes e baixas temperaturas, e pelo uso de produtos naturais com qualidades medicinais. O primeiro exemplo é o da folha verde de coca - que não deve ser confundida com a branca, da cocaina, utilizada pelo narco-tráfico combatido na Bolívia.

Com a preocupação de "superar 500 anos de desprezo, ódio, escravidão e exterminio pelos colonialistas", como disse Evo Morales na Assembleia da ONU, traçaram um caminho de "refundação" do Estado, de modo a priorizar os serviço públicos sociais para eliminar as carências e taxaram as grandes fortunas e os elevados lucros para manterem alianças apenas com empresas privadas adequadas. A Constituição de 2009 estabelece que os serviços públicos devem ser considerados como Direitos Humanos. Para a sua plena aplicação, reduzem contínuamente os preços da água, do gás e da energia elétrica. Já foi eliminado o analfabetismo e feitos investimentos em centros culturais e desportivos, construídas estradas e teleféricos, e promovida a construção de um porto no Perú para atender ao movimento de importação e exportação boliviano. O gráu de pobreza que era de 63% da população em 2004 foi reduzido para 39% em 2015. É um processo gradual, principalmente pelas pressões do imperialismo e da mídia hegemônica, mas que tem evoluido permanentemente, segundo as avaliações da ONU.

E, no mesmo caminho aberto pela Venezuela e Bolívia, agora surge o México que elegeu Lopez Obrador - incentivador, em 2012, do Movimiento de Regeneración Nacional que promoveu a coligação das forças de esquerda. A sua vitória ficou assinalada pelas fortes palavras com que definiu o programa de governo "contra a corrupção e os abusos de privatização que constituem a marca do neoliberalismo". Anunciou o corte dos mais elevados salários do Estado, a começar pelo seu, como Presidente, o aumento em 100% do salário mínimo nacional e a cobrança de impostos sobre fortunas e rendimentos de grandes empresas.

Nesta fase crítica do capitalismo, os conceitos teóricos que sempre fizeram parte da definição de princípios da ONU e dos discursos populistas utilizado para conquistar o apoio eleitoral das populações - direitos humanos, democracia, previdência social, saúde universal, educação gratúita para todos, solidariedade com povos vitimados por catástrofes - com as promessas de criação de Estados Sociais e de laços de amizade sem discriminações face às diferenças econômicas e culturais, assumem uma condição única e urgente para a superação do caos que envolve também o continente europeu e os países mais ricos de outras áreas geográficas. Exige-se discernimento e coragem cívica para dignificar os altos cargos das estruturas políticas a nível nacional e internacional. É o momento da unidade com respeito pelas nações soberanas em um mundo multipolar.


Publicado originalmente em O Lado Oculto.

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