Publicidade

Diário Liberdade
Sexta, 25 Janeiro 2019 12:54

Trump brinca com fogo ao apoiar golpe na Venezuela

Avalie este item
(0 votos)
Atilio Borón

Clica na imagem para ver o perfil e outros textos do autor ou autora

Belicismo de Washington contra Caracas é uma resposta à derrota militar que os EUA sofreram na Síria depois de seis anos de esforços para derrubar Assad.


O imperador emitiu seu ukaz (decreto) e ungiu presidente Juan Guaidó, um Zé ninguém da política venezuelana, desconhecido para a imensa maioria da população, mas construído "prêt à porter" pelos meios de comunicação e marqueteiros estadunidenses nas últimas duas semanas.

Após o ato extravagante de Trump, os governos que se esforçam para transformar seus países em republiquetas neocoloniais — Argentina, Brasil, Colômbia, Paraguai, Honduras e até o degradado Canadá — saíram em massa para ver quem chega primeiro para lamber as botas do magnata de Nova York .

Toda essa monstruosidade jurídica, que seria risível se não fosse o fato de que pode acabar em tragédia, conta com a bênção de Luis Almagro: "Quanto me darão para derrubar Maduro" e, até agora, o silêncio ensurdecedor do Secretário Geral das Nações Unidas, o português António Guterres, que, como bom social democrata, sofre do tique característico de seus irmãos, que o faz olhar para outro lado cada vez que as batatas queimam em qualquer esquina do planeta.

Por isso, através de seu porta-voz pediu "negociações políticas inclusivas e críveis" para enfrentar os desafios do país, talvez esquecendo que estas negociações foram conduzidas com êxito por José L. Rodríguez Zapatero nos diálogos realizados em Santo Domingo e que, no momento de estampar com suas assinaturas os trabalhosos acordos alcançados, os representantes da "oposição democrática" na Venezuela se levantaram da mesa e deixaram o espanhol com sua caneta tinteiro na mão. Eles haviam recebido uma ligação de Álvaro Uribe, habitual garoto de recado da Casa Branca, transmitindo a Ordem de Trump para abortar o processo.

A tentativa golpista, exaltada pela mídia sicária, vai tropeçar em muitas dificuldades. Não é a primeira vez na história moderna da Venezuela que a Casa Branca reconhece um presidente, como Pedro Carmona, em 11 de abril de 2002, que durou apenas 47 horas no governo e acabou na prisão. Será diferente desta vez? Difícil de prever.

Guaidó pode se refugiar em uma embaixada amigável em Caracas e de lá emitir declarações que se tencionem a corda para forçar um confronto com os Estados Unidos. Por exemplo, diante da ordem do presidente Maduro de que o pessoal da embaixada dos EUA deixe o país nas próximas 72 horas, o mequetrefe imperial pode dizer-lhes para ficar na Venezuela. Outra alternativa é ele se instalar em alguma cidade fronteiriça com a Colômbia e de lá, com a bênção de Trump, os malcheirosos da OEA e as neocolônias latino-americanas proclamar uma nova república, protegido pelos "paramilitares" colombianos do narco governo de Duque, Uribe e companhia e exigir o reconhecimento internacional junto à OEA e à ONU.

Qualquer um destes dois cenários confirmam pela enésima vez que se há algo que nem os imperialistas nem a direita venezuelana querem é o diálogo e a subordinação às regras do jogo democrático.

É evidente que ambos procuram o confronto, seja aplicando o modelo líbio ou o ucraniano, diferente, mas similares no que se refere às milhares de vítimas fatais e às centenas de milhares de refugiados de ambos os países. Mas, para além das fake news, às coisas não serão tão fáceis para os assaltantes do poder presidencial. A base chavista está muito firme e o mesmo pode ser dito das Forças Armadas Bolivarianas.

Uma "solução" militar exigiria um impopular envio de tropas estadunidenses à Venezuela em um momento em que na Câmara dos Representantes ganha força o projeto para submeter Trump a um impeachment. E se os 26 mil homens enviados ao Panamá, em dezembro de 1989, para capturar Noriega e controlar tal cidade tiveram que lutar durante duas semanas para conseguir seu objetivo, mesmo diante de um povo indefeso e umas forças armadas sem equipamentos, a opção militar implicaria, no caso da Venezuela, um risco enorme de reeditar um fiasco como Playa Gironou, em maior escala, a Guerra do Vietnã, além de desestabilizar a situação militar na Colômbia diante do recrudescimento da guerrilha.

O belicismo de Washington contra a Venezuela é uma resposta à derrota militar que os EUA sofreram na Síria depois de seis anos de enormes esforços para derrubar Bashar al-Assad. Por outro lado, não é um fato menor que países como Rússia, China, Turquia, Irã , México, Cuba e Bolívia tenham se recusado a oferecer reconhecimento diplomático para o golpista, e isso conta no tabuleiro da política mundial. Por isso, não é de se descartar que Guaidó tenha o mesmo fim que Carmona.

Tradução: Diálogos do Sul

Fonte: Resumen LatinoAmericano - Tradução Diálogos do Sul

Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Doaçom de valor livre:

Microdoaçom de 3 euro:

Adicionar comentário

Diário Liberdade defende a discussom política livre, aberta e fraterna entre as pessoas e as correntes que fam parte da esquerda revolucionária. Porém, nestas páginas nom tenhem cabimento o ataque às entidades ou às pessoas nem o insulto como alegados argumentos. Os comentários serám geridos e, no seu caso, eliminados, consoante esses critérios.
Aviso sobre Dados Pessoais: De conformidade com o estabelecido na Lei Orgánica 15/1999 de Proteçom de Dados de Caráter Pessoal, enviando o teu email estás conforme com a inclusom dos teus dados num arquivo da titularidade da AC Diário Liberdade. O fim desse arquivo é possibilitar a adequada gestom dos comentários. Possues os direitos de acesso, cancelamento, retificaçom e oposiçom desses dados, e podes exercé-los escrevendo para diarioliberdade@gmail.com, indicando no assunto do email "LOPD - Comentários".

Código de segurança
Atualizar

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Ritech

O Diário Liberdade utiliza cookies para o melhor funcionamento do portal.

O uso deste site implica a aceitaçom do uso das ditas cookies. Podes obter mais informaçom aqui

Aceitar