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Diário Liberdade
Segunda, 18 Julho 2016 09:09 Última modificação em Segunda, 18 Julho 2016 20:42

14 expressons que (nom) só existem em galego

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Mauricio Castro

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Ao cuidado de Xesús Alonso Montero

Dando umha vista de olhos a um conhecido jornal espanhol, deparei-me com um artigo de promoçom das próprias essências lingüístico-culturais, em linha com o tam habitual e pouco subtil chauvinismo que define o panorama mediático do país vizinho.


O título do artigo era, na língua original, “A ver quién traduce esto: 14 expresiones que sólo entendemos los españoles”. Para além da identificaçom exclusivista do idioma com a nacionalidade, o que nos dias de hoje parece meio descabido, o certo é que a fraseologia é umha das esferas em que mais visivelmente se reflete a componente social-cultural do facto lingüístico. Provavelmente por isso seja também a mais difícil de dominar na aprendizagem de umha segunda língua.

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Sendo muito caraterizadora de cada comunidade lingüística, no caso de grandes espaços de dimensom internacional, como o de fala espanhola e também o de fala galega (sob o nome de português, no nosso caso), a identidade das expressons idiomáticas galegas com as utilizadas em Portugal e no Brasil continua a marcar ainda hoje a existência desse espaço idiomático comum.

O texto de El País que comentamos joga a exaltar o exclusivismo idiomático espanhol, o que também nós poderíamos fazer em relaçom ao galego. No entanto, parece mais útil assinalarmos a identidade substancial galego-luso-brasileira, tam discutida por umha parte das pobres elites intelectuais galegas. É o caso do atual presidente da Real Academia Galega (RAG), quem nom achando melhor motivo de confronto vital, recentemente declarou ter dedicado a sua longa vida a combatê-la (!).

Em definitivo, nom deixa de surpreender que, apesar de séculos de costas viradas e do intenso trabalho dos “separadores”, a identidade comum subsista en expressons idiomáticas como as seguintes:

1 “Parece um pau de virar tripas”

Ouvim esta frase pola primeira vez em Betanços, mais tarde soubem que também em Portugal é conhecida. Usa-se informalmente para fazer referência a umha pessoa extremamente magra.

2 “Tarde piaste!”

Provavelmente nengumha galega, nengum galego, desconheça esta expressom, que se utiliza para indicar que umha decisom é tomada tarde de mais. Mas seguramente nom todo o mundo saiba que é de uso correntíssimo em Portugal e no Brasil.

3 “Tem que se lhe diga”

É umha frase tradicionalmente utilizada na Galiza, Portugal e Brasil para indicar que um assunto qualquer é questionável ou matizável.

4 “Sentir um novelo no estômago”

Foi à minha sogra, orginária da freguesia manhonesa das Granhas do Sor, no norte da Galiza, que ouvim pola primeira vez essa expressom de angústia, desgosto ou preocupaçom que nos ataca ao estômago, como se lá se formasse um novelo. Também em Portugal é conhecida.

5 “...num sopro”

Indica um período breve de tempo. Adorei encontrar essa expressom galega no título de um belo documentário dedicado à vida do grande arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer: 'A vida é um sopro', realizado em 2007 por Fabiano Maciel.

6 “Cabeça de vento”

Pessoa distraída, pouco responsável... na Galiza, Portugal e Brasil.

7 “Meter o focinho em todo”

Escusa qualquer explicaçom, a nom ser surpresa de comprovarmos que umha prática tam galega como atribuir informalmente às pessoas os nomes das partes do corpo dos animais está presente também nos outros países de fala comum.

8 “Ter bom dente”

A minha mae, originária de Monforte de Lemos, sempre usou esta expressom para falar de alguém que é bom comedor, mas julgo que seja utilizada um pouco por todo o País... e no resto da lusofonia.

9 “Encher o olho”

Volto à referência familiar. Na minha casa e seguramente em qualquer casa galega, di-se que algumha cousa “enche o olho” a alguém para explicar que lhe causa satisfaçom. Expressom perfeitamente portuguesa.

10 “Ser um cam sem dono”

Abandonado, sem proteçom nem atençom... Sim, é umha expressom bem conhecida entre nós e em todo o espaço lingüístico galego-luso-brasileiro.

11 “Cair como a sopa no mel”

O que acontece no momento certo, da maneira mais adequada. Expressom tradicional galego-portuguesa.

12Torcer o focinho”

Como bem sabemos, é umha expressom bem gráfica, utilizada como mostra de desagrado tanto a norte como a sul do Minho.

13 “Ficar em águas de bacalhau”

Aplica-se a um assunto que deu em nada, nom tivo nengum resultado, aproveitando a referência a um produto tam caraterizador da culinária galego-portuguesa como o bacalhau.

14 “Meu dito, meu feito”

Na Galiza, Portugal e Brasil, utiliza-se para indicar o cumprimento imediato do que acabou de ser enunciado.

A lista poderia ser alargada com muitos mais exemplos, mas preferim adaptar-me ao formato do artigo que me serviu de ponto de partida. De resto, 14 é um bom número para pôr de manifesto que também nós temos umha língua peculiar, extensa e útil.

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