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Diário Liberdade
Sexta, 02 Setembro 2016 11:12 Última modificação em Domingo, 04 Setembro 2016 12:45

A obsessão dos golpistas do Brasil por Cuba Destaque

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Roberto Bitencourt da Silva

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Por Roberto Bitencourt da Silva. Durante mais de um ano, em inúmeras manifestações favoráveis à destituição da presidente Dilma Rousseff, reacionários golpistas de diferentes quadrantes esbravejavam uma renitente palavra de ordem: “Vai pra Cuba!”.


A Cuba revolucionária, altiva e independente dos EUA consiste em uma verdadeira obsessão dos atores individuais e coletivos que, à essa altura do campeonato, refestelam-se com o êxito do golpismo.

Nos devaneios de suas mentalidades colonizadas, as direitas golpistas – localizadas seja nas instituições do Estado, seja na sociedade civil –, identificavam “comunismo” e “cubanização” do país, devido às tímidas medidas redistributivas do período Lula/Dilma.

Malgrado os governos do PT terem apenas aproveitado, com sensibilidade, a expansão dos preços e das vendas das commodities no mercado internacional para adotarem algumas ações que permitiam o aumento do consumo popular.

A dependência externa e a transferência de riquezas e rendimentos nacionais para os setores financeiros e às corporações multinacionais sequer sofreram arranhão. Não foi introduzida qualquer iniciativa consoante a (re)estatizações ou de socialização da propriedade.

Pouco importa. Para os alucinados reacionários golpistas, porque as classes populares não estavam a passar fome, o Brasil descortinava o “caminho de Cuba”.

Em todo caso, talvez por ironia do destino, a obsessão com Cuba está convertendo-se em uma profecia autorrealizável.

Só que existe um detalhe importante: em vez de estarmos seguindo as trilhas do socialismo fidelista e guevarista, o Brasil depara-se no momento com o modelo de sociedade cubana anterior à Revolução de 1959. Explico:

1. O projeto dos golpistas de plantão, sob a batuta do ilegítimo Temer, é eivado de uma profunda visão neocolonial: entregar tudo, entregar nossas riquezas naturais e nosso patrimônio público para os gringos, para as empresas estrangeiras.

2. A perspectiva dos golpistas norteia-se pelo incremento do subdesenvolvimento e da dependência e subserviência extremada aos EUA.

3. Se já nos encontramos envolvidos com significativo processo de desindustrialização e de desnacionalização da indústria, não é difícil imaginar o que acontecerá com o setor sob o projeto de desmonte do país que se insinua.

4. Com isso, tornam-se dispensáveis conhecimento, educação e cultura. A intenção já revelada, e parcialmente aprovada na Câmara, é de congelar por duas décadas investimentos no ensino. O subdesenvolvimento casa bem com a ignorância. Nela se apoia.

5. O governo ilegítimo tem como parâmetro nas relações externas uma indigna e cavalar subserviência aos EUA. Um neocolonialismo sem máscaras é o horizonte já de curto prazo.

6. A burguesia "brasileira" - conglomerados de comunicação, Fiesp e Firjan à frente - assumiu abertamente a sua reles condição de testa de ferro de interesses do capital internacional. Nada produz, vive de engodo, renda, especulação financeira, imobiliária e alugueis. Não tem projeto comprometido com a Nação. Apenas visa entregar o País ao preço que lhe convém. Entreguista e títere de um poder real de comando que é externo.

7. Os espúrios personagens e agrupamentos políticos oligárquicos que capitaneiam o golpismo revelam extraordinário despudor, cinismo, venalidade, que tanto caracterizavam os chefetes da outrora ordem neocolonial cubana, que antecedeu a Revolução.

A obsessiva “profecia” dos reacionários está se materializando. Com a peculiaridade de um período histórico e de uma configuração de sociedade diferentes.

Ao contrário do que golpistas fascistóides ruminavam nas ruas e nas redes, o Brasil não estava "virando Cuba" (socialista, revolucionária).

Mas, seguramente tenderá a ficar bem parecidinho com a Cuba colonizada, subalternizada e desmoralizada, de antes da era aberta pelo povo cubano e o comandante Fidel Castro. Claro, isso até o limite da paciência e da honra do povo brasileiro.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.

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