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Quinta, 15 Fevereiro 2018 00:58

Autoeuropa: resistir ao aumento da exploração

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País: Portugal / Laboral/Economia / Fonte: Jornal Mudar de Vida

[Pedro Goulart] Os trabalhadores da Autoeuropa iniciaram em 29 de Janeiro um novo horário imposto administrativamente pela empresa e que obriga a trabalhar aos sábados.

Em Dezembro, após a rejeição de dois pré-acordos negociados com a Comissão de Trabalhadores, mas que foram rejeitados em votação pela esmagadora maioria dos trabalhadores, a Autoeuropa anunciou um novo modelo de trabalho de 17 turnos semanais.

Os novos horários e turnos, que a administração da empresa acha fundamentais para atingir os níveis de produção previstos para o novo veículo T-Roc, atribuído pela Volkswagen à fábrica de Palmela, estão na origem do conflito laboral, com os trabalhadores a considerarem insuficientes as contrapartidas dadas pela empresa.

Argumentam os detentores do capital (e seus lacaios nos média do sistema) que Portugal necessita da Autoeuropa e do reforço da sua capacidade produtiva, pois a empresa, com um volume de negócios anual de 1,5 mil milhões de euros, representa 4% das nossas exportações e 1% do PIB e que isso justifica os novos horários de trabalho.
Mais, chegaram a afirmar, numa linha chantagista, que se a administração da empresa não conseguir convencer os trabalhadores pode deslocalizar a produção do novo modelo da Volkswagen para outro país, como aconteceu com a fábrica da Opel na Azambuja.

Os trabalhadores salientam que, além do grande transtorno que a obrigatoriedade do trabalho ao sábado iria provocar nas suas vidas, a compensação financeira atribuída também é muito inferior ao que iriam receber pelo trabalho extraordinário aos sábados. Fica aqui bem patente a vontade do patronato de aumentar ainda mais o grau de exploração dos trabalhadores.

Nos plenários realizados no dia 1 Fevereiro, a Comissão de Trabalhadores fez um ponto da situação das negociações com a administração da empresa sobre o caderno reivindicativo e foi considerado que esta não era a melhor altura para avançar com uma greve, visto que as negociações com a administração estariam no “bom caminho”. Segundo a Comissão de Trabalhadores “houve acordo em alguns pontos e noutros não”. Em cima da mesa continua o debate sobre as reivindicações de um aumento salarial e a questão dos novos horários de trabalho a partir de Agosto.

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