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Diário Liberdade
Quarta, 25 Abril 2018 19:05 Última modificação em Terça, 01 Mai 2018 00:02

O paralelismo da violência política na Nicarágua e na Venezuela

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País: Nicarágua / Reportagens / Fonte: AVN

Entre a violência política gerada na Nicarágua em 18 de abril e a que ocorreu na Venezuela entre abril e julho de 2017 há elementos coincidentes, cujo paralelismo pode ser visto no protagonismo juvenil, na campanha de boatos, franco-atiradores, grupos armados e o apoio de artistas para estimular as revoltas.

Como aconteceu na Venezuela com a denúncia da suposta "ruptura da ordem constitucional" feita pela ex-procuradora, fugitiva da justiça, Luisa Ortega Díaz, que detonou a sedição com grupos de choque, na Nicarágua a desestabilização usa como pretexo a reforma do Instituto Nicaraguense de Seguridade Social (INSS) realizada pelo governo de Daniel Ortega.

Após várias meses de negociação em 2017 para distribuir responsabilidades entre empresas e trabalhadores a fim de evitar a privatização do sistema, em 16 de abril Ortega aprovou a reforma do INSS, que inicialmente foi criticada nas redes sociais.

Contas no Twitter, como @sosinssnica, fizeram um "plantão" —modo de manifestação similar ao promovido pela direita venezuelana em 2017— no dia 18 de abril, que se estendeu para 11 cidades. Inicialmente pacíficas viraram protestos violentos.

Os manifestantes utilizaram armas de fogo não convencionais contra as forças de segurança, queimaram e destruíram a propriedade pública e privada, além de cometer atos vandálicos.

Estas armas de fabricação caseira, nas mãos de jovens com máscaras contra gás e encapuzados aparecem nas fotografias divulgadas nas redes sociais com a hashtag "#SOSNicaragua", código igualmente usado pela oposição violenta na Venezuela.

Boatos, artistas e a igreja

Em 21 de abril, as redes sociais divulgaram a mensagem da usuária @TaniaMasaya, que, sem provas, assegurou que "a Polícia da ditadura está lançando armas químicas na rua real de Monimbó. Inclusive as crianças sofrem. Isto está passando agora, sexta, 11 da noite #Nicaragua #SOSNicaragua".

A mensagem é similar a que foi divulgada pelo dirigente da direita na Venezuela e prefeito de El Hatillo (Miranda), David Smolansky, quando em 8 de abril de 2017 divulgou o seguinte tweet: "4:13 PM Atenção comunidade internacional: Cuidado e @NicolasMaduro começa a usar armas químicas, como está ocorrendo na #Siria".

Também vozes do espetáculo e do esporte incentivam o caminho da violência, como a Miss Nicarágua 2018, Adriana Panigua, que desde o começo da violência envia mensagens de apoio aos manifestantes em sua conta no Twitter, e o capitão da seleção de futebol nicaraguense, Juan Barrera.

Em 2017, as rainhas da beleza Stefanía Fernández e Alicia Machado, a atriz Gaby Espino, os cantores Miguel Mendoza (Nacho), Carlos Baute e Karina manifestaram seu apoio aos grupos de choque na Venezuela, apoiados pelos cantores espanhóis Alejandro Sanz e Miguel Bosé, entre outros.

Os hierarcas da Arquidiocese da Nicarágua acusam o governo de "repressor" e asseguram que não há "condições para nenhum diálogo", convocado pelo presidente Ortega enquanto apoiam os manifestantes, como fez na ocasião a Conferência Episcopal Venezuelana.

A lista de falecidos

No sábado 21 de abril, o jornalista Ángel Eduardo Gahona morreu com um tiro na cabeça, quando cobria os atos de violência na cidade de Bluefields. Até a sexta-feira da semana passada, cifras oficiais informavam sobre a morte de dez pessoas no país da América Central.

O assassinato seletivo, com o uso de franco-atiradores e pistoleiros, também foi aplicado durante a violência nas ruas da Venezuela, como nos casos do sargento Niumar San Clemente (estado de Miranda), Bryan Principal (Lara) e Paola Ramírez (Táchira).

A maneira como foi escrita a lista de falecidos nas ruas da Nicarágua com giz no asfalto também foi utilizada como mecanismo de propaganda contra o governo venezuelano.

Embora no último domingo, Ortega decidiu revogar a reforma do INSS, e reiterou seu chamado ao diálogo para que se reestabeleça a paz, os protestos continuaram na segunda-feira. Desta vez os manifestantes já não repudiavam a norma, mas pediam a "demissão" do presidente.

"Que vá embora o ditador", "Não temos medo de você", e "Daniel, queremos você fora" foram as palavras de ordem, muito parecidas às repetidas pelos opositores venezuelanos.

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