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Diário Liberdade
Quinta, 16 Agosto 2018 13:19 Última modificação em Terça, 21 Agosto 2018 16:50

Julio Borges: da conspiração à tentativa frustrada de magnicídio contra Nicolás Maduro

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País: Venezuela / Antifascismo e anti-racismo / Fonte: AVN

[Janet Queffelec] A ordem de detenção contra Julio Andrés Borges Juyent representa o último capítulo deste dirigente da direita que frontalmente pediu uma intervenção militar e um bloqueio econômico e financeiro contra o povo venezuelano.

Na quarta-feira, 8, a Sala Plena do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) decidiu a captura de Borges pelos delitos de incitação pública continuada, traição à pátria.

Coordenador do partido de extrema-direita, Primeiro Justiça, e ex-deputado da Assembleia Nacional, órgão em desacato judicial desde 2016, Borges tem representado os interesses de grupos econômicos e setores políticos da oposição que buscam derrubar o presidente da República, Nicolás Maduro, e acabar com a Revolução Bolivariana, ao ponto de ser um dos responsáveis pela tentativa de magnicídio contra o chefe de Estado, durante a comemoração do 81º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) no dia 4 de agosto na avenida Bolívar de Caracas.


Por este último ato, a Sala Plena decidiu que por se tratar de um flagrante não procede o antejulgamento de mérito e a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) retirou sua imunidade parlamentar.

Na Colômbia participou ativamente do desenho do atentado contra o presidente Maduro, segundo confissão feita às forças de segurança pelo sargento reformado da GNB, Juan Carlos Monasterios Vanegas, após sua captura.

No vídeo mostrado pelo presidente Maduro em cadeia nacional de rádio e TV, Monasterios Vanegas narrou que Borges facilitou sua entrada na Colômbia onde buscaria os drones que seriam carregados com potentes explosivos para atentar contra a vida do mandatário nacional.

Borges recebeu o apoio do ex-presidente Juan Manuel Santos e do atual mandatário Iván Duque que apostaram na derrubada do governo bolivariano. Inclusive, disseram para a agência AFP que se "sente seguro" no país vizinho, depois que o TSJ ordenou sua detenção.

Em abril deste ano, o então vice-presidente executivo, Tareck El Aissami, denunciou que Borges era um dos principais promotores das "máfias" colombianas dedicadas ao contrabando de extração do bolívar, sob o amparo de Santos.

Nesse mesmo mês, o ministro da Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, revelou que o dirigente do partido de direita Primeiro Justiça gastava US$ 50 mil mensais no giro internacional que iniciou em setembro de 2017 para promover uma intervenção militar e o bloqueio econômico e financeiro contra a Venezuela. A origem destes fundos ainda não foi revelada.

Um giro internacional contra o povo venezuelano

Nos últimos 10 meses, Borges participou ativamente de um giro internacional para conseguir uma intervenção contra a Venezuela. Nesta viagem se reuniu com governantes conservadores como o ex-presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski; e com os presidentes: Mauricio Macri (Argentina) Sebastián Piñera (Chile), Emmanuel Macrom (Francia) e o então mandatário do México, Enrique Peña Nieto.

Vale ainda recordar que a tentativa do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, de aplicar de forma arbitrária a Carta Democrática Interamericana contra a Venezuela, teve como base o relatório apresentado pelo dirigente opositor em 1º de abril de 2017.

As ações de Borges visaram desprestigiar o sistema eleitoral e a democracia venezuelana. Por isso em maio deste ano se reuniu com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, e desqualificou as eleições presidenciais de 20 de maio.

Suas palavras encontraram eco em Pence, que depois, em um discurso ante o Conselho Permanente da Organização da OEA, solicitou a a suspensão da votação, assim como a restrição de vistos para as autoridades venezuelanas e a petição aos países-membros do organismo que exigissem que Maduro prestasse contas por supostamente "destruir a democracia venezuelana".

Agente de desestabilização

Sua participação em planos desestabilizadores remonta ao golpe de Estado de 11 de abril de 2002 que duraria menos de 48 horas contra o presidente constitucional Hugo Chávez.

No começo de 2015, Borges foi relacionado a otra tentativa de golpe de Estado contra o presidente constitucional, Nicolás Maduro, conhecido como "Golpe azul", em que conspiravam alguns oficiais e sub-oficiais da Aviação venezuelana.

Em 2017 se soma ativamente à agenda violenta promovida pela oposição, entre os meses de abril e julho, para promover a desestabilização, guerra psicológica e a execução de crimes de lesa humanidade.

O objetivo era "dar energia às ruas", como disse o próprio Borges, através de uma agenda que se traduziu na destruição da infraestrutura pública e privada, o ataque aos corpos de segurança do Estado, o financiamento de grupos de choque e a geração de uma campanha de opinião negativa que refletisse a suposta "matança" de jovens e a"repressão" de manifestantes pacíficos para justificar uma intervenção estrangeira.

Este cenário de violência respondeu a uma "ordem ditada pelo Departamento de Estado" dos Estados Unidos, como denunciou o presidente Maduro, deixando um saldo de 121 falecidos e milionárias perdas materiais.

Em setembro do ano pasado, integra a delegação da oposição que junto ao governo inicia um processo de diálogo na República Dominicana.

Depois de vários meses de discussões, foi redatado o Acordo de Convivência Democrática pela Venezuela mas em fevereiro de 2018 a oposição se nega a assiná-lo, depois que Borges recebeu uma ligação de Bogotá, do então presidente Juan Manuel Santos, que seguia instruções do governo dos Estados Unidos para impedir um consenso a favor da paz e a democracia.

Escândalos financeiros

Seu início na vida política está marcada por escândalos. Em sessão ordinária da Assembleia Nacional de 20 de janeiro de 2011, o deputado Diosdado Cabello mostrou ao país como foi o financiamento irregular por parte de Petróleos de Venezuela (Pdvsa) a então associação civil, Primeiro Justiça, em que Borges era co-fundador.

Cabello apresentou a fotocópia de um cheque por 60 milhoes de bolívares emitido pela então gerente de Assuntos  Públicos da Divisão Serviços de Petróleo e Gas, Antonieta Mendoza de López, mãe do dirigente de direita Leopoldo López.

Borges aparece ainda como proprietário de uma empresa registrada em dia 6 de agosto de 2012 no Panamá, segundo o portal Telesur.

Enquanto que na página digital La Tabla disse que comprou um luxuoso apartamento de 400 metros quadrados no condado de Miami-Dade, através de seu irmão mais velho.

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