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Diário Liberdade
Segunda, 15 Julho 2019 05:32 Última modificação em Segunda, 29 Julho 2019 11:28

Juntos pela verdade na Venezuela

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País: Venezuela / Repressom e direitos humanos / Fonte: Diário Liberdade

Por Anisio Pires*

Há vários anos que a Venezuela vem sofrendo, dentro e fora do país, um assédio midiático que acompanha e inclusive antecipa, em muitos casos, os ataques políticos, econômicos e militares que os EUA e seus satélites decidiram aplicar contra um país que está determinado a ser livre e soberano. Se até agora a Revolução Bolivariana tem saído vitoriosa desses enfrentamentos é pela combinação sinérgica entre seu povo conscientizado e a capacidade de sua vanguarda em tomar sábias decisões, oferecendo orientações táticas e estratégicas capazes de vencer inimigos tão poderosos.

Na difícil luta midiática, temos sabido dar boas respostas e desde que o Comandante Chávez lançou em 2010 sua conta de twitter @chavezcandanga, um conjunto de ativistas tem contribuído para dinamizar, com suas práticas e reflexões, esse novo campo de luta que se tornou decisivo nos dias de hoje.

Uma entrevista realizada com a Comunicadora Digital venezuelana, Ornelys Ortiz (Ciudad CCS-https://t.co/wFaXGyWfvS), motivou-nos a estabelecer uma conversa reflexiva pública centrada nesse que é um grande desafio de todos os que buscamos justiça, igualdade e soberania para nossos povos: vencer a capacidade de mentir e de manipular que possuem o capitalismo e seus representantes, única forma que explica como uma minoria cada vez mais reduzida, imoral e indecente consegue preservar as rédeas do poder que soberanamente pertence ao povo.

Os brasileiros e brasileiras vêm assistindo com surpresa, desde as últimas eleições, uma escalada exponencial e grotesca de fake news e manipulações que, de modo incrível, conseguem arrebanhar

entusiastas seguidores e defensores. Certamente por isso têm e terão interesse nesse debate pela verdade.

A boa receptividade que teve a entrevista de Orlenys parte da inquietude e da preocupação compartilhada por muitas e muitos de nós ao ver como a verdade é derrotada pela mentira. Como costuma dizer o jornalista Walter Martinez, “A primeira vítima, em todos os conflitos que acontecem no mundo, é a verdade”.

Devemos, como afirma Orlenys, conseguir que “nossa política comunicacional realmente se valha de elementos científicos e de uma visão estratégica”. Embora devamos nos preocupar com a educação como berço de valores, necessitamos desenvolver um plano estratégico que seja comunicacional-educativo e não o contrário. O polo dinâmico e de luta diária é que deve e pode marcar a pauta. A educação seguirá por um bom tempo mais lenta do que a comunicação, pelo menos até que possa passar, como diz a Comunicadora Digital, de básica a avançada. Do contrário, os manipuladores que trabalham para preservar o atual estado de coisas vão se adiantar nos aplicando, como sempre fazem, o velho antídoto de nos acusar de fazer uma “doutrinação ideológica”.

Precisamos, no caso da Venezuela, de novos porta-vozes comunicacionais desde o Minci (Ministério do Poder Popular Para a Comunicação e Informação). Porta-vozes ao estilo russo ou chinês, com dois ou três rostos que impactem e que se alternem para não serem nem decalque nem cópia (Mariategui), com um cenário original onde Miraflores (Palácio Presidencial da Venezuela) não imite “The White House”.

Que nossos porta-vozes estrelas comecem, a cada semana, por informar contundentemente e à ofensiva, “As mentiras da semana”. Ato contínuo, que o CONATEL (Conselho Nacional das Telecomunicações) dirija uma comunicação pública, exigindo esclarecimentos, correções ou desmentidos que correspondam, com

as devidas e proporcionais contrapartidas ou sanções, nos casos pertinentes (rigorosamente apegadas à lei). Nossa palavra de ordem tem que ser: na Venezuela se pode fazer uso pleno e total da liberdade de expressão. Somos a melhor democracia do planeta, mas aqui impunemente, não se pode mentir.

O mais escandaloso do recente informe SOBRE A VENEZUELA, da Alta Comissionada da ONU Para Os Direitos Humanos, Michele Bachelet, é que 82% dos testemunhos foram tomados de pessoas QUE NAO VIVEM NA VENEZUELA. Somente esse dado inabilita e deslegitima sua credibilidade.

A crítica que temos feito ao informe argumenta, entre outras coisas, que em nenhum momento faz menção à tentativa de magnicídio contra o Presidente Maduro no dia 4 de agosto de 2018. Apesar de grave, essa questão não terá repercussão e já veremos o porquê. Ao contrário, e por incrível que pareça, esse dado dos 82% de testemunhos obtidos fora do país pode, comunicacionalmente falando, chamar muito mais a atenção e até gerar rechaço a qualquer pessoa no mundo que o conheça. Na cabeça de quem cabe que se obtenha informação confiável, sobre um país, de pessoas que não vivem nele?

Por que esses simples dados puderam gerar mais impacto do que o silêncio a respeito da tentativa de magnicídio? Porque a senhora Bachelet, ao deixar de mencioná-lo, está só ignorando algo que para a opinião pública nacional e internacional já não existe. Inclusive, para muitos, nunca existiu. A mídia se encarregou de fazê-lo desaparecer desde que ocorreu. E tudo faz pensar que a recente tentativa de golpe que conseguimos desarticular, com atentados e assassinatos planificados, vai pelo mesmo caminho.

Apesar das chocantes gravações amplamente divulgadas e das confissões que as reafirmaram, estas foram praticamente sepultadas à raiz dos lamentáveis acontecimentos da morte do Capitão de Corveta

Rafael Acosta Arévalo e do jovem que ficou cego no estado de Táchira. Os 14 meses de árduo e paciente trabalho da Inteligência Bolivariana evitaram o pior em vidas humanas, que é o importante, mas não conseguiu tornar isso, perante a opinião pública, uma tremenda vitória pela verdade na Venezuela.

Emocionalmente, e desde o golpe de 2002 contra Chávez, eles vêm neutralizando nossas razões. Portanto, tampouco será possível vencê-los nos valendo somente da razão. Devemos encontrar as vias para que nossos argumentos emocionem e para que a nossa capacidade de emocionar produza consciência e reflexão. Lograr que “as pessoas sintam” como estão sendo afetadas pela guerra que estamos sofrendo tem uma dimensão eminentemente emocional. São as condições da luta política nos tempos da pós-verdade que, por algum motivo, também é chamada de “mentira emotiva”.

Em sua entrevista, Ornelys Ortiz reclama que esse batalhão de meios alternativos e de comunicadores que se encontram espalhados por todo o país possa se articular de maneira compacta e coordenada. Uma reclamação antiga e compatilhada por muitos de nós. No entanto, como fazemos para “alinhá-los” nessa batalha pela verdade? Depois de várias tentativas frustradas, não vejo outra: o Presidente tem que se colocar à frente.

Lembremos que foi Nicolás Maduro quem nos convidou a ler, em 2017, a primeira reflexão importante a respeito da Big Data: http://www.cubadebate.cu/especiales/2017/02/19/yo-no-construi-la-bomba-solo-demostre-que-existia/#.WKyDpNLhC1s. Haveria que relançar junto ao Presidente uma espécie de “@ChavezCandanga”. Quem escutou os comentários que o Presidente Maduro fez a respeito dos meios de comunicação no dia dos jornalistas na Venezuela (27 de junho), percebeu sua chavista clareza e sua juvenil irreverência. https://bit.ly/30uVFbO

Por fim, cabe-nos agradecer a Orlenys, por nos dar esse álibi de motivação e reflexão que nos ajuda a melhorar nossa capacidade de luta. Na nossa Venezuela vamos derrotar a mentira e faremos triunfar a verdade. Que seja também a Vitória da Pátria Grande!

Leais sempre, traidores nunca!

(*) Anisio Pires é venezuelano, cientista social pela UFRGS

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