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Diário Liberdade
Quinta, 07 Julho 2016 06:31 Última modificação em Segunda, 11 Julho 2016 16:05

Venezuela: 205 anos de independência Destaque

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País: Venezuela / Reportagens, Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: Diário Liberdade

[*João Guilherme A. de Farias] Durante a Cúpula do G-15, em fevereiro de 2004, o presidente Hugo Chávez, em seu discurso inaugural, registrou a seguinte passagem “foi graças à luta heroica contra o colonialismo que os países subdesenvolvidos romperam com aquela ordem econômica e social que os condenava à condição e colônias exportadoras”.

Naquela oportunidade, lembrou o líder latino-americano que precisamos “retomar o Espírito do Sul”.

Quase doze anos depois, numa realidade venezuelana (e latino-americana) bastante alterada em relação àquela em que Hugo Chávez governava, Nicolás Maduro convida o povo venezuelano para continuar essa luta, que já dura séculos.

A “onda rosa” na América Latina, como ficou conhecido o processo de ascensão das “novas esquerdas” para os governos nacionais da Região ao longo da primeira década dos anos 2000, teve como marco inicial justamente a eleição do presidente Hugo Chávez, na Venezuela, em 1998.

Em análise de conjuntura bastante pertinente, feita ainda em 2010, o cientista político Fabricio Pereira, não apenas demonstrou os elementos (redemocratização e o fim da Guerra Fria, com o consequente refluxo da política norte-americana) que proporcionaram essa onda na Região, como apontou também os seus limites, indicando ainda o surgimento de uma “nova direita” e de uma “terceira força”, sendo esta “uma nova versão do autoritarismo latino-americano” [1].

Dentro desse processo de retomada violenta do autoritarismo, que já atinge países como Paraguai, com o golpe contra Fernando Lugo, e Brasil, com o impedimento de Dilma Rousseff, a Venezuela comemorou ontem, dia 05/07, seus 205 anos de independência.

Durante o tradicional desfile militar, Nicolás Maduro reforçou a soberania e a independência do povo venezuelano. Afirmou, também, que hoje a Venezuela é um país com “voz própria, vontade própria, espírito próprio”.

Maduro fez questão de ressaltar a importância das forças armadas, convidando o povo a incrementar o poder militar para que se mantenha vivo o processo de independência contra as ingerências da oligarquia local. “Quando a oligarquia pretende ofendê-lo (o poder militar) tem que ser o povo a sair em defesa dos seus soldados", disse Maduro.

Sem perder de vista as dificuldades internas enfrentadas pelo bloco conformado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) em conjunto com outras forças da esquerda venezuelana em razão da forte oposição encabeçada por Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional, que hoje conta com uma maioria opositora, Maduro mandou seu recado para Allup: “meta-se comigo que sou o Comandante e Chefe desta Força Armada Nacional, covarde”.

Como primeira colônia espanhola a se tornar independente, tendo como figuras centrais os “líderes luminosos” Simón Bolívar e José de San Martín, a Venezuela passou por um intenso e conturbado processo político nas últimas duas décadas, o qual tem se intensificado após a morte de Hugo Chávez.

A Venezuela é hoje a expressão de resistência de um povo contra a opressão brutal e cínica da classe capitalista, por isso é digna de apoio das organizações revolucionárias de todo o mundo.

Todavia, o modelo atual de acumulação rentista do capitalismo na Venezuela precisa ser superado. O afastamento de Nicolás Maduro, como defende a direita venezuelana, apenas retardará esse processo. Mais do que nunca, torna-se necessário o aprofundamento das lutas sociais rumo a uma nova correlação de forças revolucionárias para a construção do Poder Popular.

Em 2004, ainda em seu discurso, Chávez fez questão de lembrar que “os povos não se suicidam”. Ao contrário, “os povos despertam, se levantam e combatem”.

É com essas palavras de esperança, que saudamos o aniversário de independência venezuelana, nesse atual e doloroso processo de construção de um governo popular que demonstra, em ultima instância, as dificuldades existentes em torno de ações de rupturas, evidenciando, ao fim e ao cabo, que um processo revolucionário está longe de ser um mar de rosas.

À época, Chávez encerrou seu discurso com a leitura do poema de Mario Benedeti “O Sul Também Existe”.

Por isso, é sempre bom registrar que com sua esperança dura e resistente, o sul também existe.

*João Guilherme é estudante de Direito da PUC-SP. Integrante do Grupo de Pesquisa Trabalho e Capital da USP. Coordenador do Grupo de Pesquisa Marxismo e Direito.

Nota:

[1] SILVA, Fabricio P. Até onde vai a “onda rosa”? in: http://www.plataformademocratica.org/Publicacoes/22129.pdf

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