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Diário Liberdade
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Quarta, 25 Mai 2016 14:08 Última modificação em Quarta, 25 Mai 2016 17:23

As sete revelações de Romero Jucá Destaque

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País: Brasil / Reportagens, Institucional, Batalha de ideias / Fonte: Diário Liberdade

[Alejandro Acosta] O regime político caminha ao abismo.

Áudio 1: Romero Jucá: “Não, esquece. Nenhum político desse tradicional não ganha eleição, não.”

Análise: Isso revela que a crise do regime político brasileiro é brutal e se alastra desde a queda da ditadura militar. Teve um certo fortalecimento durante os governos “neoliberais” de FHC que provocaram um grande enfraquecimento do PSDB. O regime político teve que ser socorrido pelos governos do PT que entraram em fase terminal no segundo governo da presidenta Dilma, com o aprofundamento da crise capitalista mundial.

Nesse momento, a burguesia está com dificuldades para impor um governo forte com capacidade para aplicar o plano de “ajustes fiscais”. O Partido Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, não parece ser confiável, tanto assim que já havia sido impedido de ter uma atuação de primeiro nível nas últimas duas eleições presidenciais, que teve como papel coadjuvante para impedir o esfacelamento do PSDB.

Por esse motivo, o imperialismo atua, principalmente a partir dos mecanismos que controla diretamente: o judiciário, a Polícia Federal e os PIGs (Partido da Imprensa Golpista). A “saída” do parlamentarismo, que tramita no senado, aparece como uma alternativa na medida em que todos os partidos, vinculados ao regime político burguês, estão em crise. Do que se trata é aplicar o plano de “ajustes fiscais” e na perspectiva isso somente poderá acontecer por meio de um governo de força. No próximo período deverá entrar em cena a mobilização dos trabalhadores que também poderão inviabilizar o governo parlamentarista.

Tchau “querido”...Aécio Neves

Áudio 1: Sérgio Machado : “É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma...”

Áudio 2: Sérgio Machado: “O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...”

Áudio 3: Sério Machado: “O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.”

Análise: Aécio Neves foi inviabilizado o que demonstra o grau de crise, pois Aécio é um elemento vinculado diretamente a FHC. FHC é da ala do PSDB ligado diretamente aos grandes bancos internacionais. Aécio tem sido segurado no cenário política de primeira ordem de maneira artificial, por meio do Supremo Tribunal Federal, principalmente pela ação de Gilmar Mendes. Mas, evidentemente, se trata de uma carta desgastada. O imperialismo busca repetir no Brasil mecanismos que já usou em outros países como, por exemplo, Sebastian Piñera, no Chile, “o empresário responsável”, mas que acabou por se desgastar por completo até o final de seu governo; Peña Nieto, no México, o jovem “bonitão”, que remoçou a direita e que conseguiu aplicar a Reforma Trabalhista, a privatização de PEMEX (a petrolífera mexicana), e depois de dois anos e meio ficou completamente inviabilizado.

O grande modelo para a América Latina é Maurício Macri, presidente argentino eleito por meio de um partido de direita não tradicional, o PRO (Partido Republicano da Ordem). Por enquanto, Macri está avançando nos ataques contra os trabalhadores e deixaram mais de 1,5 milhão de novos pobres em apenas quatro meses. Mas a política de “recuperar a economia”, por meio do endividamento generalizado de todas as esferas públicas, após ter repassado para os fundos abutres U$ 20 bilhões, somente pode conduzir à implosão do país. O peronismo, a direita do kirchnerismo e as cinco centrais sindicais, em diversos graus, conformam a base desse governo. Mas essas políticas deverão, inevitavelmente, conduzir o país à implosão no próximo período.

A “nova onda” de governos “neoliberais” constitui apenas uma saída de crise da política imperialista. Devido o aprofundamento da crise capitalista mundial e do próprio regime político burguês essa “nova onda neoliberal” é bem mais fraca do que aquela dos anos de 1980 e 1990.

O imperialismo deverá, inevitavelmente, fortalecer a opção de extrema-direita. Os trabalhadores deverão, inevitavelmente, em movimento. A tendência é ao confronto aberto entre a burguesia e a classe operária.

A cúpula do PT na ciranda da direita

Áudio 1: Sérgio Machado: “Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]”

Áudio 2: Sérgio Machado: “É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.”

Análise: Os governos do PT, desde 2003, sempre tiveram como objetivo garantir a “governabilidade”. Conforme as palavras do próprio Lula “nunca os banqueiros internacionais ganharam tanto dinheiro na história desse país”. A perda da “governabilidade” acelerou em 2014 quando as contas públicas se tornaram negativas por causa do contágio da crise capitalista mundial. Os preços das matérias-primas caíram no mercado mundial, enquanto o Brasil, que tinha direcionada a economia, à exportação especulativa de meia dúzia de matérias-primas, via as importações dispararem.

Em 2014, com o objetivo de Dilma vencer as eleições para o segundo mandato os gastos públicos dispararam. As chamadas “pedaladas fiscais” que sempre tinha sido praticadas pelos demais presidentes, governadores e prefeitos foram às alturas. O chamado “superávit primário” (recursos priorizados para o pagamento dos juros da dívida pública) fechou abaixo dos R$ 10 bilhões, sendo que o valor cheio era de R$ 168 bilhões. A partir de ai os ataques da direita e do imperialismo escalaram. Para impedir o impeachment da presidenta Dilma, a cúpula do PT baseou a política em conchavos com a direita. A própria subida do governo golpista de Temer é visto como um fator negativo devido a perda dos privilégios no regime político, mas também há a aposta de que esse governo fará uma parte do “trabalho sujo”, se desgastando e abrindo caminho à vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2018.

A política de Lula e da cúpula do PT tem sido orientada para o “acordão” com a direita. O parlamentarismo, que tramita de maneira acelerada no senado, é impulsionado pelo imperialismo, mas conta com apoio do próprio PT. A Rede Globo e os demais setores da direita ligados ao imperialismo tem afrouxado, nas últimas semanas, os ataques contra o PT, mas sempre deixando claro que o lugar do PT no regime político é de conter as massas e não administrando as contas públicas. Enquanto o PT conseguir paralisar os trabalhadores manterá seu “lugar ao sol” no regime político burguês.

Governo Temer, na corda bamba da política

Áudio 1: Sérgio Machado: “Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.”

Análise: Trata-se de um governo muito frágil. Era o possível, uma colcha de retalhos, para depor o governo Dilma e colocar as bases do plano de “ajustes fiscais” em maior escala no lugar, “recebendo o bastão” do governo do PT que tentava avançar com maior força contra os trabalhadores, mas enfrentava dificuldades devido o crescente descontentamento dos trabalhadores, a próprio base eleitoral, por causa do aprofundamento da crise capitalista.

O escândalo do vazamento dos áudios de Romero Jucá mostra que esse governo não é o “queridinho” do imperialismo. Ele foi colocado contra as cordas pelo imperialismo que pressiona para que o “ajuste” seja aplicado. Mas, conforme vários figurões da direita tem repetido várias vezes, não é possível esperar desse governo mais do que pode dar.

PMDB, um produto de contradições

Henrique Alves, Aécio Neves, José Sarney, FHC e Renan Calheiros.

Áudio 1: Romero Jucá: “[concordando] Só o Renan que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.”

Análise: O PMDB é um partido que se formou como a oposição consentida da ditadura militar. Com o fim da ditadura esse partido acabou aglutinando a maior parte dos setores dos representantes da burguesia nacional. Transformou-se assim num lastro necessário e caro para o imperialismo manter o controle do país.

Com a fundação do PSDB, em 1988, o imperialismo buscou um eixo para acabar, ou pelo menos reduzir, esses custos. Vários setores da direita entraram no PSDB, principalmente a partir de 1994. O PMDB, desde o governo Sarney, tem sido um elemento da estabilidade do regime político garantindo a maioria parlamentar desses nove governos.

Neste momento, O PMDB se encontra no governo por uma “coincidência”. Mas, esse governo não passa de uma “colcha de retalhos” com forte peso para o “baixo clero” e elementos do antigo “Centrão”. O partido que seria o representante natural do imperialismo no Brasil, o PSDB, participa desse governo e, ao mesmo tempo, sofre o crescente desgaste desse governo.

As primeiras baixas do governo golpista de Temer apareceram à menos de duas semanas da posse. O PV já abandonou o barco. Conforme as eleições municipais se avizinharem e o desgaste do governo aumentar novas defecções, inevitavelmente, acontecerão.

A cartada final na manga do imperialismo

Áudio 1: Romero Jucá: “[Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então... Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.”

Análise: Perante o aprofundamento da crise do regime político, volta a ser fortalecida a carta da ditadura militar como o último instrumento para estabilizar o regime político burguês perante o inevitável ascenso popular que deverá superar a burocracia da “frente popular” no próximo período.

O endurecimento do regime político tem acontecido desde 1988. As concessões outorgadas na Constituição começaram a ser retiradas, paulatinamente, por meio da regulamentação. Por exemplo, o direito à greve foi, praticamente, eliminado por meio das imposições do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A Constituição de 1988 foi usada como “muleta” para sustentar o regime político burguês que vinha à bancarrota com o fim da ditadura militar.

A liberdade de organização sindical está sendo implodida por meio das truculentas imposições do Ministério do Trabalho. A liberdade de expressão que, no Brasil, sempre foi uma farsa por conta do controle da grande imprensa está sendo eliminada paulatinamente até na internet, por meio de pesados processos judiciais contra quem ousar enfrentar o regime com um certo peso. A próprio Lei Azeredo, “regulamentação da internet”, tem como objetivo acabar com os restos de liberdade nesse seguimento.

A “Lei Anti-terrorista”, imposta pelo imperialismo e aplicada no governo Dilma, representa a cereja do bolo dessa política repressiva e antipopular junto com a retomada da reconstrução dos organismos da inteligência militar que estão sendo colocados em pé novamente.

Uma saída de força representa a última alternativa do imperialismo para manter o controle do regime e assegurar que seus planos sejam levados até as últimas consequências. Mas, o efeito colateral é que no cenário de profunda crise os trabalhadores não aceitarão calados essa imposição, tampouco o ataque contra seus direitos e salários. E por esse motivo, um golpe militar fracassado poderá levar abaixo o regime político de conjunto acelerando as tendências revolucionárias da mesma forma que aconteceu na Venezuela em 2002. E da mesma maneira um governo militar fraco não teria de controlar a explosão social por muito tempo, principalmente no cenário do aprofundamento da crise capitalista mundial. Um exemplo claro disso, é o que está acontecendo no Egito com o governo de Al-Sisi, e também na Ucrânia com o governo Poroshenko, que é totalmente dependente da participação da extrema-direita.

O judiciário no “bolso” do imperialismo

Áudio 1: Romero Jucá: “[Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? [...]”

Análise: O Supremo Tribunal Federal e o poder judiciário de conjunto são órgãos controlados diretamente pelo imperialismo. Eles desempenharam um papel muito ativo, junto à Polícia Federal, no golpe parlamentar contra a presidenta Dilma. Se trata de órgãos que não são eleitos por ninguém, que funciona como se fossem “ministros-biônicos” e que mantem estreitos laços com o grande capital.

O poder judiciário, a Polícia, a grande imprensa burguesa, as instituições ligadas à ala direita do imperialismo, como o Instituto Millenium, atuam orquestrados pela embaixada norte-americana no Brasil e sobre enormes recursos que recebem dos monopólios. É a mesma política que o imperialismo sempre aplicou na região que é vista como seu próprio quintal. Esses setores atuam, na prática, como um partido político. Neste momento, devido à crise da direita tradicional eles tentam empurrar o regime de conjunto à direita para que seja aplicado os “ajustes fiscal”. A saída do parlamentarismo também é uma saída de crise. Por esse motivo eles tentam impulsionar a saída da extrema-direita, seja por meio de um governo autoritário de cunho bonapartista, mas, principalmente, por meio de um golpe militar.

A única maneira de enfrentar os ataques do imperialismo, da direita e derrotar o golpismo passa pela organização dos trabalhadores de maneira independente de todos os setores da burguesia.

O papel do Jornal Gazeta Operária é impulsionar a concentração dos revolucionários para aplicar uma política de agitação, sustentada por uma política de propaganda, com objetivo de mobilizar os trabalhadores em prol da luta contra o “ajuste”, contra o imperialismo, pela formação de um partido operário, revolucionário e de massas e pela tomada do poder em direção a revolução socialista.

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