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Quinta, 16 Agosto 2018 12:06 Última modificação em Terça, 21 Agosto 2018 01:08

Lula tem razão: “brigar até o fim”

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País: Brasil / Batalha de ideias / Fonte: Causa Operária

O combativo e massivo ato realizado por dezenas de milhares de ativistas de todo o País, em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quarta (15) foi uma demonstração inequívoca da enorme disposição de luta presente nas bases das organizações de luta dos explorados que se aglutinam em torno da luta contra o golpe e, mais particularmente, na defesa do elemento aglutinador dessa luta, capaz de unir e mobilizar a esquerda anti-golpista: o agora candidato registrado no TSE e maior liderança popular do País, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aos gritos-de-guerra já tradicionais como “Lula lá” e “Brasil urgente, Lula presidente”, a experiência e a necessidade da luta política acrescentaram outros fundamentais, tais como “Não tem ‘plano B’, é Lula livre, é Lula do PT” e “É Lula ou nada!”, ecoados com enorme entusiasmo pelos participantes da Marcha em que se destacaram – com suas bandeiras e camisetas – os pelotões do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), de diversos movimentos populares (principalmente os de moradia), do Partido da Causa Operária (PCO), da juventude e de diversos setores petistas.

Foi notório que a mobilização das bases do PT foi profundamente contida pela política de setores do partido que, ou não consideram que a mobilização popular é a única arma para fazer a direita rever a decisão já tomada e anunciada (apenas não oficializada) do judiciário  golpista de cassar a candidatura de Lula ontem devidamente registrada e com todo amparo constitucional, ou preferem entregar Lula e toda a imensa massa de lutadores e de explorados que o apoiam (em uma aberta traição) em nome da política de conciliação ou reconciliação com os golpistas. De todo o País, inúmeros militantes petistas davam depoimentos das enormes dificuldades enfrentadas para conseguir apoio junto aos órgãos partidários e aos gabinetes de parlamentares e executivos petistas para ajudar a sustentar a vitoriosa mobilização realizada, que poderia ter sido muito maior.

Não passou despercebido de ninguém com uma capacidade mínima de observação e algum conhecimento político da esquerda que o PCdoB, maior beneficiário e defensor público e notório da política do “plano B”(antes buscando uma chapa e uma “frente ampla” que incluísse o candidato-abutre Ciro Gomes), quase não era perceptível no ato, a não ser em cima do palanque. Não se viram colunas desse partido, bem como das entidades nacionais por ele dirigidas como a CTB e a UNE, evidenciando uma certa distância entre o discurso a favor da liberdade de Lula e de sua candidatura e mobilização necessária para conquistá-la.

De um modo geral a mobilização colocou nas ruas de Brasília uma verdadeira vanguarda, não por cargo que ocupa (embora houvesse algumas centenas de dirigentes sindicais e políticos) mas pela clareza cada vez maior entre os presentes (bem como entre muitos milhares mais que não puderam participar do ato) de que o caminho para derrotar o golpe e libertar Lula não passa por esperar pelas eleições, não passa por aceitar decisões arbitrárias do judiciário e demais instituições golpistas e, menos ainda, passa por buscar um acordo, uma conciliação com os golpistas. Em todo o País cresce, principalmente desde a prisão de Lula, a compreensão de que sem uma mobilização revolucionária, ou como afirmou um importante dirigente petista, sem um “levante popular”, não será possível libertar Lula e eleger Lula presidente.

O ato mostrou que, ao contrário das “teorias” conformistas e reacionárias de que “não há disposição” e condições para realizar uma grande mobilização por parte dos explorados, estes estão evoluindo, e muito, em direção à isso. Estão mostrando uma disposição crescente de lutar e enfrentar o regime golpista, compreendendo que não há outro caminho.

No ato, o PCO apresentou – com bastante apoio dos presentes – a proposta aprovada em uma Plenária dos Comitês realizada no começo da tarde de ontem no Espaço do Servidor, na Esplanada do Ministérios, de que em torno do julgamento do registro de Lula, ou seja, quando o TSE reunir seu plenário para violar a Constituição e cassar sua candidatura presidencial, se organize uma nova mobilização nacional, dez vezes maior, o que está em sintonia com o que Lula propôs na sua Carta lida ao final do ato: “brigar até o fim”.

E que o “fim” seja, nesta etapa atual, a derrota do golpe, com a libertação de Lula e a devida imposição de sua candidatura presidencial. Se esta vitória popular não vier, que a burguesia golpista seja obrigada a pagar um preço ainda maior por realizar eleições fraudulentas, sem Lula, que a etapa atual de mobilização sirva para preparar um gigantesco enfrentamento que ponha abaixo, pelos meios que forem necessários, o regime de fome, miséria e entrega da nação imposto pelo golpe de Estado.

O ato de Brasília mostrou que está se desenvolvendo o movimento da rebelião popular.

Registrada a candidatura de Lula, a direita intensificou seus ataques. Não há o que comemorar e nem tempo a perder. Fortalecer e multiplicar os comitês, preparar já a nova ocupação, ainda maior, de Brasília, pela liberdade de Lula, por Lula presidente, pela derrota do golpe.

 

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