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Segunda, 10 Setembro 2018 04:05 Última modificação em Sábado, 22 Setembro 2018 21:20

A esquerda não pode se solidarizar com a direita, precisa derrotá-la em todos os terrenos Destaque

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País: Brasil / Antifascismo e anti-racismo / Fonte: Causa Operária

O suposto atentado contra candidato fascista, Jair Bolsonaro, de um determinado modo, serviu para desmascarar completamente os moralistas pequeno-burgueses da esquerda nacional e seu compromisso para com a sociedade capitalista liberal. Demonstram que estão na contramão das necessidades políticas da classe operária brasileira no período atual.

O ataque contra o fascista é expressão da polarização política nacional, ou seja, do deslocamento das massas populares para a esquerda. Diante da investida violenta da burguesia golpista contra o povo, derrubando um governo eleito, colocando o principal líder popular na cadeia, destruindo a economia nacional etc., e da ausência de um movimento unificado de toda a esquerda e dos trabalhadores, pela frouxidão da esquerda na luta contra o golpe, o sentimento antigolpista crescente na população, expresso na candidatura do ex-presidente Lula, acaba transbordando em ações individuais inócuas e desesperadas como esta. Quer dizer, a ação isolada de um indivíduo oprimido contra um represente do sistema monstruoso que burguesia estabeleceu no país.  

A burguesia como classe consciente de seus interesses sabe que a polarização política existente é profundamente desfavorável a si. Por isso, prontamente, após o suposto atentado, saiu em defesa da “democracia”, da normalidade institucional, da moral democrática etc., logicamente, não por ideologia, mas por necessidade prática: o acirramento da luta de classes latente no Brasil é um perigo à implementação de sua política e até mesmo, no limite, à sua dominação de classe.

A esquerda pequeno-burguesa, em seu seguidismo tradicional, converteu a orientação política da burguesia, de pacificação das massas diante do golpe, para uma linguagem esquerdista. A esquerda em geral repudiou o atentado e seu autor, exigindo pronta investigação e punição, e até mesmo o pronto restabelecimento do fascista. Não ao ódio! o ódio não pode substituir o debate político e programático! a violência e o ódio não servem ao Brasil! Brada a esquerda nacional contra a polarização política crescente.

São muitas e absurdas as declarações, destaquemos algumas. O Psol, em nota da executiva Nacional, afirmou que:

“A agressão sofrida pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro, configura um grave atentado à normalidade democrática e ao processo eleitoral. Nosso partido tem denunciado a escalada de violência e intolerância que contaminaram o ambiente político nos últimos anos. Por isso, não podemos nos calar diante deste fato grave”.

Guilherme Boulos, candidato à presidência pelo Psol, também se manifestou:  

“Soube agora do que ocorreu com Bolsonaro em Minas. A violência não se justifica, não pode tomar o lugar do debate político. Repudiamos toda e qualquer ação de ódio e cobramos investigação sobre o fato”.

O PCB, partido sem expressão política e aliado do Psol, também saiu em defesa do debate político e contra o “ódio” e a “intolerância”. Manuela D’ávila do PC do B também bem afirmou: A violência e o ódio não servem para o Brasil e nosso povo”.

Por sua  vez, Fernando Haddad do PT também se manifestou equivocadamente:“Repudio totalmente qualquer ato de violência e desejo pronto restabelecimento a Jair Bolsonaro”. Essas são apenas algumas declarações, houve muitas outras.

O cinismo destas afirmações é atroz, o Psol, inacreditavelmente, quer contrapor a violência contra Bolsonaro à normalidade democrática, ora, o país vive um golpe Estado profundamente violento, em que os direitos democráticos são pisoteados diariamente, em que a repressão e a violência da direita contra a população aumentam enormemente. É como se dissessem e endossassem a tese de que só é legítima a violência do Estado, dos poderosos contra o povo; dos oprimidos contra poderosos não é permitido.

Sob a aparência de uma campanha contra o ódio, o que de fato fazem é campanha pela passividade das massas exploradas e oprimidas para que manifestem sua revolta única e exclusivamente nas urnas. É a defesa dos princípios elementares do regime de dominação burguês.

A esquerda não deve solidarizar-se com Bolsonaro

Bolsonaro é  inimigo mortal dos Trabalhadores, é defensor da ditadura, da tortura, do esmagamento do povo para atender aos interesses dos capitalistas. O povo trabalhador, o conjunto dos oprimidos e explorados do país, não deve a mínima solidariedade a este fascista, antes, deve combater intransigentemente, a ele e a seus asseclas.

A ação violenta de Bolsonaro contra a população, sua defesa da ditadura, a qual estamos ameaçados constantemente, da tortura contra a esquerda e o povo, seus ataques aos negros, às mulheres, LGBTS etc., despertam o ódio de esmagadora maioria da população, atestada, inclusive, nos índices de rejeição deste candidato nas pesquisas da própria burguesia.

Diferentemente do que defende a esquerda-pequeno burguesa, que quer prender a luta dos trabalhadores nos limites da institucionalidade burguesa, o ódio do povo a Bolsonaro e aos golpistas em geral é absolutamente legítimo. Quem pode obrigar o povo a amar, a tolerar seus algozes? É absurdo. O ódio não só é legítimo como uma arma na luta tenaz dos oprimidos contra os opressores, e sempre foi.

A facada em Bolsonaro resulta dos constantes ataques deste fascista contra os trabalhadores, uma reação à violência deste. Evidentemente, que como método político, este ataque não é defensável, ainda que compreensível, uma vez que não resolve em absoluto o problema do Golpe e da opressão contra os trabalhadores.

O método de luta correto é o de mobilização e organização das massas populares para lutar contra o golpe e contra a burguesia golpista, sem prender-se nos limites da institucionalidade, é mobilizar e organizar os trabalhadores para derrotar o golpe pelos meios que forem necessários e em defesa dos direitos democráticos do povo. É essa a nossa tarefa.

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