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Sexta, 02 Novembro 2018 12:38 Última modificação em Segunda, 12 Novembro 2018 10:13

Venceu J.B., o cãozinho do imperialismo

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País: Brasil / Resenhas / Fonte: Diário Liberdade

[Eduardo Vasco] Quando, devido ao processo golpista que já começava a desestabilizar o governo de Dilma Rousseff (PT), Jair Bolsonaro emergiu no cenário político nacional, ele se apresentava como um político pretensamente antissistema. Aproveitando-se da erosão do regime político, como é de costume da extrema-direita e dos fascistas, ele investiu no discurso “contra tudo e contra todos”. Era exatamente o “Messias”. Aquele que acabaria “com tudo isso aí”, varreria o País dos males do sistema, da corrupção, dos privilégios.

Boa parte de seu discurso continua o mesmo. Mas aquela aura pseudonacionalista, de que protegeria o Brasil da globalização, do grande capital financeiro internacional, não existe mais. Na verdade, tudo isso é apenas retórica. E a burguesia sempre soube disso. Em países atrasados como o Brasil, elementos fascistas, de nacionalistas, só têm o discurso. Embora não sejam totalmente confiáveis, são cãezinhos do imperialismo, ora com a tendência de seguirem adestradamente os passos de seu dono, ora com uma certa tendência de se soltar da coleira.

 

Mas a burguesia e o imperialismo colocaram Bolsonaro na coleira. Em um primeiro momento, o receio a este candidato levou o principal setor da burguesia a apoiar Geraldo Alckmin, o tradicional capacho dos bancos e da grande indústria. Porém, com a impossibilidade de unir todos os setores burgueses na fraca candidatura tucana, a principal (todavia, numericamente menor) ala do imperialismo teve de ceder a setores secundários, como o comercial, e apostar suas fichas no político de extrema-direita.

 

O último ato do teatro político eleitoral da burguesia para impulsionar Alckmin foi a manifestação coxinha do “#EleNão”, que uniu a direita tradicional e a esquerda pequeno-burguesa em uma manobra que tentou tirar Bolsonaro do jogo e colocar o ex-governador de São Paulo. Não deu certo. O único que poderia derrotar o PT era mesmo o troglodita do PSL.

 

Finalmente, no segundo turno das eleições, ficou absolutamente clara a campanha da burguesia por Bolsonaro. A imprensa golpista, em geral, já não o via com tanto nojo como mostrava anteriormente. A Justiça Eleitoral atendeu aos seus pedidos, enquanto negava os de Fernando Haddad. Poucos dias antes do pleito, uma grande operação envolvendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os Tribunais Regionais Eleitorais (TRE’s), a Polícia Federal e a Polícia Militar, em vários estados, invadiu e reprimiu de maneira ditatorial eventos de estudantes universitários sobre política e contra a extrema-direita. Foi um apoio evidente a Bolsonaro.

 

Os mercados, ou seja, o grande capital financeiro internacional, mostraram-se animados com a previsível vitória do golpista. Seus órgãos de imprensa, ao contrário do que fizeram no primeiro turno, já estavam elogiando o futuro presidente. “Até que ele não é tão ruim assim, seus planos de reformas são bons, vamos dar uma chance a ele” -- expressavam. A revista britânica The Economist, da City de Londres, mostrou qual será a política do imperialismo em relação a seu novo títere: “Se o Sr. Bolsonaro colocar em prática boas ideias para consertar a economia e controlar a corrupção, ele deve receber ajuda.”

 

O veículo só não escreveu “ele deve receber nossa ajuda” porque iria escancarar a vassalagem. Do jeito que está, fica um pouco mais velado. Mas essa é a política do imperialismo: “Bolsonaro é dos nossos. Embora cheire mal, é um bom rapaz, devemos reconhecer seus esforços para nos servir. Você merece uma chance, J.B., mas não nos decepcione.”

 

Bolsonaro se esforçou muito para chegar onde chegou. Foi escalando os degraus para alcançar o Olimpo. Se adaptou completamente ao programa que o imperialismo tenta há cerca de cinco anos impor ao Brasil. Vai privatizar mais empresas do que o próprio Michel Temer, vai implementar a Reforma da Previdência que o golpe ainda não conseguiu fazer, vai entregar os recursos nacionais de bandeja ao imperialismo, vai fazer o trabalhador comer com uma mão e trabalhar com a outra no horário do almoço.

 

J.B. é o homem certo para essa tarefa. Menos por sua pessoa e mais por sua base de apoio. Uma política devastadora como essa só pode ser levada a cabo por um governo truculento, que despreze qualquer rastro de democracia. Para barbarizar dessa forma, a burguesia escolheu Bolsonaro justamente por ter uma tropa de choque tenaz: o gigantesco aparato repressivo do Estado, particularmente o Exército e a polícia. Como a política desejada pelo imperialismo, de saque total da população, é extremamente antipopular, só uma repressão feroz teria a possibilidade de controlar o repúdio das massas.

 

No entanto, há um problema. A disciplina e coesão dos militares para com a burguesia imperialista tem limite. A extrema-direita, ascendida ao poder, é a porta de entrada para o fascismo e a ruptura do regime. Também, sua capacidade de estabilizar o regime para uma melhor exploração imperialista, é um tanto quanto débil. Em verdade, a possibilidade de desestabilização e de revolta popular, por um lado, e de polarização e radicalização da extrema-direita, por outro, preocupa sobremaneira os capitalistas.

 

É por isso que, desde já, a burguesia imperialista está utilizando os seus meios, como a imprensa e a Justiça, para manter a coleira no pescoço do cachorro Bolsonaro. Ele pode fazer de tudo para mostrar que é um serviçal de confiança, pode tentar ao máximo comer na mão da burguesia e lamber seus pés. Se, no entanto, fizer o trabalho mal feito, deverá ser descartado como resíduo que realmente é.

 

Por enquanto, a burguesia sabe que ele está no bolso. Ela saiu vitoriosa em suas eleições.

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