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Quinta, 05 Mai 2016 06:16 Última modificação em Quinta, 05 Mai 2016 11:25

Aprofundar a luta contra o golpe, barrando os ataques na Unicamp

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País: Brasil / Língua/Educaçom / Fonte: Esquerda Diário

Com o argumento de menor repasse de ICMS, a Unicamp recentemente divulgou um documento que prevê além de outras medidas, um corte de orçamento de 40 milhões da universidade. Diversos institutos como o de Artes já sofrem com a precarização do ensino e falta de estrutura do curso e a medida na realidade aprofundaria essa precarização.

O repasse de ICMS feito pelo governo estadual já vem sofrendo uma queda de alguns anos, o que de fato restringe o orçamento da universidade. Contudo, a reitoria nem citou o pagamento de super-salários a alguns servidores e professores que ganham muito acima do teto de R$ 21.000 com alguns salários chegando a R$ 65.000 bruto, sem contar a dupla matrícula.

Tal corte significa uma redução, em todos os institutos, de bolsas de pesquisa, programas de intercâmbio, e auxílio permanência. Já há um contingenciamento de bolsas para os programas de pós-graduação, e soma-se a esse fato a recente aprovação na câmara de pós-graduação paga nas universidades públicas, revelando na verdade um plano privatizador do ensino junto com o novo marco legal da Ciência e Tecnologia, que sancionado por Dilma já permite espaços privados para pesquisa dentro do espaço público.

Menos professores, servidores, médicos e enfermeiros

Segundo outra medida da reitoria seria a não contratação de novos professores nas carreiras de magistério superior, docentes especiais e carreiras de pesquisador. No total são menos 108 vagas para professores e pesquisadores, sendo 88 de Magistério Superior (MS).

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Segundo dados já houve uma diminuição total de 55 de funcionários MS, de um total de 231, por aposentadoria, morte e outros motivos. Ou seja, dos 231 existentes com os cortes prometidos pela reitoria, esse número cairia para apenas 88, devido ao congelamento de concursos.

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Essa medida vem sendo acompanhada pelo congelamento de concursos para diversas áreas, como técnico-administrativa, e nas áreas da saúde. A estimativa é que para cada 2 médicos ou enfermeiros que se aposentem, apenas 1 seja reposto no lugar. Afetando também a comunidade que utiliza do Hospital Universitário.

Outra medida que afetará diretamente os estudantes é o contingenciamento do serviço de cópias e impressões, que pode sofrer cortes de até 40%. Pode ser conferido nesse link, página 36.

Em relação aos serviços de manutenção que incluem os funcionários da limpeza, a reitoria exige uma “redução de custos” no contrato de 5% a 8%, o que pode significar a demissão de vários trabalhadores.

O tempo de almoço dos funcionários da limpeza já foram reduzidos em uma hora, além de reclamações diárias das trabalhadoras em relação ao assédio moral e pressão no ambiente de trabalho.

O movimento estudantil conquistou café da manhã nesse ano, mas ao mesmo tempo a bandejão continua com trabalho terceirizado, e quando defendemos pautas estudantis precisamos ter em mente que muitas estão diretamente ligadas com a questão dos trabalhadores, tanto efetivos quanto terceirizados. Como estudantes, não podemos entender a luta dos trabalhadores e estudantes de forma separada, uma vez que isso toca na questão de que projeto de universidade que queremos. Nesse sentido, devemos buscar nos ligar à esses setores que estão se mobilizando também na universidade.

Estudantes precisam se mobilizar para barrar os ataques

Em um cenário nacional que a direita avança impondo seu golpe institucional e reacionário, não está desligado com as questões da universidade. A direita entrar no governo representa um aprofundamento dos ataques que já vinham sendo implementados pelo governo do PT.

Da mesma forma o governador do Estado de São Paulo, Alckmin, já vem atacando os estudantes secundaristas, com o corte de merendas e o plano de fechamento das escolas. E agora esses ataques afetam diretamente as ditas universidades de elite, como USP e Unicamp.

Há sim uma diminuição do repasse do ICMS, e para isso devemos exigir um maior orçamento para educação, questionando os bilhões que vão para os bolsos de banqueiros com o pagamento da dívida pública, enquanto cortam das áreas sociais através do mecanismo da dívida pública. Mas ao mesmo tempo, a reitoria da Unicamp aprofunda esses ataques, na medida que corta das áreas de pesquisa, saúde e dos trabalhadores, e não questiona o pagamento de supersalários, que geraria uma economia de mais de 5 milhões por mês.

É necessário se mobilizar para barrar esses ataques à educação, que vem representando na verdade um processo contínuo de sucateamento do ensino, abrindo espaço para a privatização como mostra a aprovação no congresso federal do pagamento de mensalidades nas pós-graduação, o mesmo congresso reacionário que mostrou suas caras na votação do impeachment.

Precisamos seguir o exemplo dos estudantes que paralisaram a Unicamp contra o golpe e os ataques à educação, seguir o exemplo do Instituto de Artes que votou greve nessa segunda-feira (02), precisamos continuar a luta contra o golpe, dessa vez mobilizando a universidade para lutar contra os cortes na educação, que vem sendo implementados tanto pelo governo federal, mas que serão aprofundados pela direita.

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