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Terça, 07 Março 2017 21:04 Última modificação em Sábado, 11 Março 2017 01:52

Comissom Lingüística da AEG contesta posiçom da RAG sobre a restauraçom de apelidos

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País: Galiza / Língua/Educaçom / Fonte: AEG

Comunicado da Comissom Lingüística da Associaçom de Estudos Galegos.

Comunicado da Comissom Lingüística da Associaçom de Estudos Galegos a propósito de 'Os Apelidos en Galego: Orientacións para a súa Normalización', da Real Academia Galega (RAG)

Mediante o presente comunicado, a Comissom Lingüística da Associaçom de Estudos Galegos (CL-AEG) deseja denunciar perante a opiniom pública da Galiza a incompetência técnica que patenteia o opúsculo Os Apelidos en Galego: Orientacións para a súa Normalización, elaborado e recentemente divulgado pola Real Academia Galega (RAG). Se bem que a CL-AEG nom questione a oportunidade de umha tal publicaçom ­—que visa, em princípio, divulgar a forma genuína e correta dos apelidos galegos, tam freqüentemente deturpados nesta altura por causa da histórica subordinaçom sociocultural do galego frente ao castelhano—, essa incompetência técnica determina, na prática, como aqui veremos, que tal iniciativa, longe de contribuir para umha eficaz regeneraçom onomástica, esteja condenada de antemao ao fracasso efetivo, à inoperáncia social, e, no melhor dos casos, fomente a introduçom ou a preservaçom nos nossos apelidos de alguns traços de duvidosa galeguidade.

Em primeiro lugar, à vista do opúsculo da RAG, infere-se que esta nom sabe distinguir entre onomástica galega e foránea, pois, na sua relaçom, inclui apelidos que, claramente, nom som galegos, como Díez, Ferrer (catalám, equivalente ao galego Ferreiro), Muñoz ou Sáez, além de incorrer em verdadeiros dislates, ao validar formas patentemente espúrias, como *Abal (por Da Val), ou *Vázquez (derivado do prenome Vasco, e nom *Vazco), ou *Velo (por Belo).

Em segundo lugar, refiramo-nos à importante questom da presença da letra j e das seqüências ge,i nos apelidos galegos. Na página 18 do opúsculo da RAG afirma-se que «A utilización destas grafías <j> ou <g+ e,i> en calquera deses casos débense [sic] ao castelán, non á continuidade das grafías históricas, e implica a pronuncia do fonema castelán /x/ (fricativo velar xordo), no canto do /∫/ (postalveolar).» A opiniom pública deve saber que esta asseveraçom é duplamente falsa, já que a) em bastantes casos (mas nom em todos), a ocorrência nos atuais apelidos galegos do j e das seqüências ge,i se deve à conservaçom, ao longo dos séculos, da grafia etimológica original, presente já no galego da Idade Média (o único, até agora, de vida normalizada), como acontece, por exemplo, em Araújo, Feijó, Gestoso, Janeiro, Juiz, Justo, Queijeiro, Rajói, Tojo, etc. (cousa diferente é que essa continuidade histórica nom se tenha visto interrompida graças à circunstáncia de a grafia genuína e etimológica com j e ge,i [mas nom a correspondente pronúncia correta!] ser tolerada polo castelhano); b) a ocorrência nos atuais apelidos galegos da letra j e das seqüências ge,i etimológicas nom implica a sua realizaçom fónica com o fonema do jota castelhano; para se evitar essa aberrante pronúncia, chega com informar e, nos casos pertinentes, instruir os galegos no sentido de deverem pronunciar essa letra e essas seqüências (etimológicas), nos apelidos galegos, com o fonema pós-alveolar galego, quer dizer, com o mesmo fonema que o xis tem naqueloutros apelidos galegos que, por causa da etimologia e da história da língua, estes si, devem grafar-se com x, como Freixo ou Seixo.

De facto, dado que, conforme a legislaçom espanhola, a mudança ortográfica dos apelidos fica sujeita à vontade de cada pessoa, é a estratégia social, nom individualista, baseada na correspondente informaçom e instruçom de pronúncia correta, e que nom demanda a alteraçom das grafias etimológicas, a que, na prática, garante os melhores resultados regeneradores a nível social. Falando com clareza, pode dizer-se que aqui, com as suas disposiçons, a RAG parece ficar à espera de Alberto N. Feijó e Mariano Rajói mudarem no julgado a grafia dos seus apelidos (a qual, de facto, já está correta com jota), antes de ela nos dizer que já os podemos pronunciar corretamente, à galega (longa espera desesperançosa!), de modo que, assim, também, a RAG parece estar a justificar, ou a tolerar, a aberrante pronúncia castelhana que, por exemplo, os locutores da TVG e da Rádio Galega continuam a perpetrar dos numerosos apelidos galegos que apresentam —em muitos casos, de modo genuíno, por motivos etimológicos— ­a letra j ou as seqüências ge,i.

Ora bem, se no caso ­da presença nos nossos apelidos da letra j e das seqüências ge,i a RAG nos pede umha intervençom que, como vimos, em muitos casos se revela gratuita e, globalmente, de efeitos contraproducentes, já noutros ámbitos aquela peca por omissom, por falta de umha intervençom indispensável para conferir coerência interna à grafia dos apelidos galegos. Assim, em primeiro lugar, como é possível que a RAG nom demande a regularizaçom da grafia (e da pronúncia) em –es (ou –is) dos apelidos galegos patronímicos terminados hoje em –ez (*Gómez > Gomes, *Núñez > Nunes, *Pérez > Peres, *Rodríguez > Rodrigues), quando essa grafia castelhanizante colide com a circunstáncia de na Idade Média terem sido muito freqüentes as formas com –es e, sobretodo, com o facto de nom haver hoje em (bom) galego sílabas átonas terminadas em –z (cf. alferes, biscoito, esquerdo, jasmim, jaspe, lápis, mesquita, ourives, pomes, etc.)? Como é que, para a RAG, só terminam em –s os patronímicos Bieites, Eanes e Pais? A única razom para tal é que apelidos como estes últimos nom fôrom identificados como castelhanos (Benítez, Yáñez e Peláez ficavam longe), polo que a sua grafia original e coerente, com –s, nom foi castelhanizada!

Em segundo lugar, em contra do afirmado pola RAG (pág. 19), num galego que queira reputar-se de genuíno, nom é admissível a soldadura gráfica, nos apelidos compostos, do nexo preposicional com artigo ao correspondente substantivo (ex.: *Dacruz, *Dacuña, *Doval(e)). Em beneficio da clareza, da identificaçom dos correspondentes componentes vocabulares, da harmonizaçom com as variedades lusitana e brasileira do galego-português e, em geral, da harmonizaçom internacional com outros ámbitos idiomáticos (cf. Del Riego, De la Cruz; De Vries, Van Lawick; Von Armin, Von der Leyen...), deve prescrever-se a escrita independente desses dous componentes dos apelidos galegos: Da Cruz, Da Cunha, Da Silva, Do Campo, Do Souto, Do Val(e), etc. (escritos da Cruz, etc., quando precedidos de prenome ou primeiro apelido, aspeto em que erra o opúsculo da RAG).

Se a umha marcada incompetência técnica dos membros da RAG cabe atribuirmos, por conseguinte, os dislates aqui assinalados, e muitos outros que por falta de espaço omitimos, também devemos lamentar, por um lado, a linguagem taxativa e excludente com que a RAG redige este opúsculo sobre os apelidos, pois nele continua sem reconhecer a existência e o caráter profundamente galego e galeguista do movimento reintegracionista —o qual propom, com bases etimológicas e históricas perfeitamente razoáveis, a conservaçom, nos apelidos galegos em que forem oportunas, e com a pronúncia galega, da letra j e das seqüências ge,i—, e, por outro lado, a sua atitude obscenamente hipócrita, já que a RAG aqui exorta os galegos a restaurarem a galeguidade dos seus apelidos, quando a maior parte dos seus membros utiliza os apelidos próprios deturpados, castelhanizados, a começar polo seu presidente, o senhor Xesús Alonso Montero [sic], quem, no cúmulo da incoerência1, assina dessa forma o prólogo ao opúsculo dos apelidos, enquanto, na sua parte dispositiva, esse texto, com razom, pede para corrigirmos os *Alonso em Afonso, e os *Montero em Monteiro!

Enfim, frente a esta berrante falta de competência técnica da RAG —a qual, com este deficiente opúsculo, talvez esteja, de facto, a complicar a galeguizaçom legal dos apelidos até agora protagonizada (em solitário, sem qualquer apoio do oficialismo) polo ativismo lingüístico—, a CL-AEG, como órgao académico do reintegracionismo de padrom galego, continuará a assessorar com conhecimento e sinceridade toda a cidadania galega interessada na restauraçom plena da nossa onomástica, tarefa em que, aliás, se enquadra a elaboraçom de um prontuário de apelidos galegos que, já encetado, aquela em breve disponibilizará.

Em Santiago de Compostela, a 6 de março de 2017

1 Observe-se, aliás, a incompetência pessoal do presidente da RAG, Xesús Alonso Montero, quem, no Prólogo do opúsculo, utiliza (pág. 7) a forma castelhanizante *Caurel em vez da correta Courel (de resto, a proposta no próprio DRAG [s.v. “courelao”]!), escreve (pág. 7) *avelaneira (no DRAG, abeleira e abraira) e coloca mal o pronome átono na seguinte oraçom (pág. 8): *«Villarino, que a algúns sóalles moi fino, é [...].»! Também nom fai caso do dicionário da RAG neste opúsculo Ana Isabel Boullón Agrelo, membro da RAG, quem erradamente escreve (pág. 11) *a nada, enquanto o DRAG prescreve, justificadamente, o nada (v. DRAG: s.v. “nada3,4”).

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