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Diário Liberdade
Quarta, 14 Março 2018 21:04 Última modificação em Quinta, 22 Março 2018 23:16

Morre Stephen Hawking, o homem que revolucionou a ciência

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País: Reino Unido / Cultura/Música / Fonte: Vermelho

O autor de grande parte das descobertas da astrofísica moderna tinha 76 anos e enfrentava uma esclerose lateral amiotrófica desde os 21. O físico britânico que revolucionou a Ciência e nossa maneira de entender o Universo

O físico britânico Stephen Hawking morreu nesta quarta-feira (14) aos 76 anos de idade, em sua casa em Cambridge, informou sua família em comunicado.

O cientista, conhecido por seu trabalho na área da relatividade, é autor de grande parte das descobertas da astrofísica moderna, como a nova teoria do espaço-tempo e a radiação dos buracos negros.

"Estamos profundamente tristes com a morte do nosso amado pai no dia de hoje. Foi um grande cientista e um homem extraordinário, cujo trabalho e legado permanecerão por muitos anos", escreveram os filhos do cientista, Lucy, Robert e Tim.

Hawking é um dos cientistas de maior destaque desde o físico alemão Albert Einstein, o autor da teoria da relatividade. Nascido em Oxford, no dia 8 de janeiro de 1942, em uma família de intelectuais, ele iniciou seus estudos em em 1959 na Universidade de Oxford, e obteve seu doutorado em Física Teórica e Cosmologia em Cambridge. Era considerado um dos cientistas mais influentes do mundo, não só por suas decisivas contribuições para o progresso da Ciência, como também por sua constante preocupação em aproximá-la do público e por sua coragem de enfrentar a doença degenerativa da qual sofria e que o deixou em uma cadeira de rodas e sem capacidade para falar de maneira natural.

Hawking usava um sintetizador eletrônico para poder falar, mas a voz robótica produzida pelo aparelho para expressar suas ideias acabou se tornando não só uma de suas marcas registradas, como também constantemente ouvida e respeitada no mundo todo.
Para produzir sua "fala", o físico usava formava as palavras em uma tela com o movimentos dos olhos, também usado para movimentar sua cadeira de rodas.

Big Bang e Teoria de Tudo

Após conseguir seu doutorado, Hawking se dedicou à pesquisa e ao ensino ensino na faculdade de Gonville e Caius. Em 1977, ingressou no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica de Cambridge, onde foi professor de Física Gravitacional.

Três anos depois, chegou a titularidade da cátedra Lucasiana de Matemática Aplicada e Física Teórica, a mais importante de Cambridge, que foi ocupada por Isaac Newton em 1663.

Seu trabalho tinha como objetivo desvendar as leis que governam o universo. Junto com seu colega Roger Penrose, Hawking mostrou que a teoria da relatividade implica que o espaço e o tempo devem ter um ponto inicial, que denominou Big Bang, e um final, dentro dos buracos negros.

Nos anos 1970, ele descobriu que a combinação das leis da mecânica quântica e da relatividade geral evitariam que os buracos negros fossem completamente negros, uma vez que emitiam uma radiação, que passou a ser conhecida como "radiação Hawking".

Como professor de matemática na universidade de Cambridge, Hawking participou de uma das mais importantes pesquisas na área da física, sobre a chamada "Teoria de Tudo", que resolveria as contradições entre a teoria geral da relatividade – que descreve as leis da gravidade que determinam o movimento de corpos como planetas – e a teoria da mecânica quântica, que lida com partículas subatômicas.

Hawking chegou a afirmar que a Teoria de Tudo permitiria à humanidade "conhecer a mente de Deus". O nome pesquisa foi utilizado no título de um filme de 2014 que retrata a vida pessoal e acadêmica do cientista.

"Uma Breve História do Tempo”

Hawking revolucionou a física com as suas teorias do espaço-tempo, o Big Bang e a radiação dos buracos negros, resumidos em Uma Breve História do Tempo. O livro teve mais de 25 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

A obra serviu como base para uma série de televisão da BBC, onde o cientista trabalhou 1993 e 1996, chamada Into the Universe with Stephen Hawking ("Dentro do Universo com Stephen Hawking”, em tradução livre).

Outro livro de sua autoria, O Universo Numa Casca de Noz, explica conceitos como a supergravitação, singularidade nua e a possibilidade de um universo com onze dimensões.

Casamento e diagnóstico

Aos 21 anos ele começou a notar que seus movimentos eram cada vez mais desajeitados e foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neuromotora.

Os médicos disseram que ele não viveria mais do que dois anos.

Quando foi diagnosticado, planejava seu casamento com Jane Wilde, sua primeira mulher. "O compromisso me salvou a vida, me deu uma razão para viver", contou o físico anos mais tarde.

O casal teve dois filhos. Hawking desafiou todos os prognósticos - a doença avançou mais lentamente do que o previsto. Mas com os anos acabou o deixando com movimento somente em dois dedos e em alguns músculos faciais. Isso não impediu que seguisse trabalhando em suas teorias, divulgadas em livros e eventos públicos.

Aparições

O físico tentou por todos os meios que as pessoas comuns se aproximassem dos mistérios do Universo, e em busca desse objetivo não duvidou em recorrer ao humor. Em uma aparição que ficou famosa no desenho de televisão Os Simpsons, o cientista advertia Homer de que roubaria sua ideia de que o Universo tem forma de rosca.

Stephen Hawking viria a elogiar a série, descrevendo-a como "a melhor coisa na televisão americana". "O apelo dos Simpsons é que as personagens põem em evidência todos os traços que vemos em nós. Em particular, o Homer é o típico homem de meia-idade, um pai que está sempre a errar com os filhos, que faz asneira no emprego e que está sempre a tentar obter alguma coisa a troco de nada", disse o físico.

Antes do sucesso do filme A Teoria de Tudo, que valeu a Eddie Redmayne um Óscar de Melhor Actor em 2015, Stephen Hawking já tinha deixado a sua marca na cultura pop mundial, com referências nos Simpsons, mas também nas séries O Caminho das Estrelas, a Geração Seguinte (em 1993) e A Teoria do Big Bang (em 2012).

Numa das cenas mais icônicas das sete temporadas de O Caminho das Estrelas, a Geração Seguinte, Stephen Hawking joga pôquer com Isaac Newton e Albert Einstein. No meio da cena, Einstein tenta voltar a concentrar-se no jogo, dirigindo-se a Hawking. "Você subiu a aposta em quatro fichas, o que significa que a aposta está em sete fichas para mim", diz Einstein, merecendo uma resposta exasperada de Newton: "A aposta está em dez fichas. Você não consegue fazer uma simples operação aritmética?".

Outra mostra de sua relação com a ironia está presente em sua própria página na internet, com piadas contadas por ele mesmo. "Quando tive que dar uma conferência no Japão, me pediram que não fizesse menção ao possível colapso do Universo, porque isso poderia afetar as bolsas de valores", escreveu. "Porém, posso assegurar a qualquer um que esteja preocupado com seus investimentos de que é um pouco cedo para vender. Ainda que o Universo acabe, isso não deve ocorrer dentro de ao menos 20 bilhões de anos", concluiu.

Repercussão da morte e homenagens

Diversar persinalidades e entidades importantes se manifestaram pós a morte do físico. Abaixo alguns deles, divulgados pelo G1:

NASA:

"Suas teorias desbloquearam um universo de possibilidades que nós e o mundo estamos explorando. Pode continuar voando como Superman em microgravidade, como você disse aos astronautas no @Space Station em 2014".

Theresa May, primeira-ministra britânica:

"O professor Stephen Hawking era uma mente brilhante e extraordinária – um dos grandes cientistas de sua geração. Sua coragem, humor e determinação para tirar o máximo proveito da vida foi uma inspiração. Seu legado não será esquecido".

Universidade de Cambridge

"Olhe para as estrelas e não nos seus pés" – professor Stephen Hawking 1942-2018

Eddie Redmayne, ator que viveu Hawking no cinema

O ator Eddie Redmayne, que interpretou Hawking no filme "A teoria de tudo", afirmou em um comunicado que o mundo perdeu um "cientista surpreendente", com "uma mente bonita". "Perdemos uma mente realmente bonita, um cientista surpreendente e o homem mais divertido que eu tive o prazer de conhecer. Meu amor e meus pensamentos estão com essa extraordinária família", afirmou o ator, que ganhou o Oscar pela sua interpretação do físico, em 2014.

Lord Martin Rees, astrônomo e professor de Cosmologia e Astrofísica da Universidade de Cambridge:

"Logo depois de me inscrever como estudante de pós-graduação na Universidade de Cambridge, em 1964, encontrei um colega de estudo. Dois anos antes, ele estava inseguro e falou com grande dificuldade. Este era Stephen Hawking. Ele havia sido diagnosticado recentemente com uma doença degenerativa, e pensou-se que ele não poderia sobreviver o suficiente para terminar o seu doutorado. Mas, incrivelmente, ele viveu até a idade de 76 anos. Mesmo a mera sobrevivência teria sido uma maravilha médica, mas é claro que ele não apenas sobreviveu. Ele se tornou um dos cientistas mais famosos do mundo – aclamado como pesquisador líder mundial em física e matemática, pelos seus livros sobre espaço, tempo e cosmos, e por seu surpreendente triunfo sobre a adversidade. A tragédia atingiu Stephen Hawking quando ele tinha apenas 22 anos. Ele foi diagnosticado com uma doença mortal, e suas expectativas caíram para zero. Ele mesmo disse que tudo o que aconteceu desde então foi um bônus. E qual é o triunfo de sua vida. Seu nome viverá nos anais da ciência, milhões de pessoas tiveram seus horizontes cósmicos ampliados por seus livros, e ainda mais, em todo o mundo, foram inspirados por um exemplo único de conquista contra todas as probabilidades – uma manifestação de vontade incrível – poder e determinação".

Do Portal Vermelho, com informações da Deutsche Welle, BBC Brasil, Publico e G1

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