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Diário Liberdade
Quarta, 29 Agosto 2018 14:52 Última modificação em Quarta, 12 Setembro 2018 18:27

Por dentro da NED, organização financiada pelos EUA que dá golpes e interfere em eleições em todo o mundo

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País: Estados Unidos / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: Grayzone Project

[Max Blumenthal, Tradução da Vila Vudu] Decidi cobrir a cerimônia, porque essas organizações estão fazendo precisamente tudo de que o Congresso está acusando veículos de mídia e grupos de trolls que seriam pagos pela Rússia, de terem feito e continuarem a fazer nos EUA. Essas organizações existem para interferir na política de outros países, com dinheiro estrangeiro. A única diferença é que essas organizações do governo dos EUA agem abertamente, em nome de disseminar a 'democracia'.

Fundada em 1983 pelo então presidente Ronald Reagan, a Dotação Nacional para a Democracia [ing. National Endowment for DemocracyNED] tornou-se veículo internacional para a agenda neoconservadora. Os primeiros quadros eram ideólogos da Guerra Fria, os quais eram, como muitos agentes neoconservadores naquele momento, ex-trotskistas que haviam pertencido ao Partido dos Social-democratas dos EUA.

Ao longo dos anos, a NED e organizações parceiras armaram a sociedade civil e as mídia-empresas contra governos que se oponham às ideias da direita, aos partidos pró livres mercados e a interesses das grandes empresas norte-americanas.

Suborno pesado por depoimentos contra a RPDC [Coreia do Norte], quase sempre com resultados vergonhosos

Dentre os grupos sempre homenageados nas reuniões da NED estava o Unification Media Group [Grupo de Mídia Unificação]. Esse pessoal fomenta a oposição interna contra o governo da Coreia do Norte, servindo-se de emissões de rádio por ondas curtas.

Sempre a mão, havia uma coleção de desertores. Esses ativistas são responsáveis por muito do que o Ocidente crê que sejam fatos sobre a Coreia do Norte e suas práticas no campo dos direitos humanos. Enquanto vários contam histórias horríveis de fugas para escapar à repressão política, muitos já foram desmascarados como mentirosos seriais, movidos a gordas quantidades de dinheiro.

Em 2017, a Coreia do Sul quadruplicou o prêmio por testemunhos de desertores da Coreia do Norte, para impressionantes 860 mil dólares. A fartura incentivou o surgimento de relatos sádicos – de impressionante criatividade – de abusos de direitos humanos.

Segundo um daqueles desertores, uma multidão de dez mil pessoas fora forçada a assistir à execução de onze músicos, pelo crime de ver pornografia. Disse que os músicos foram mortos a tiros de armas antiaéreas e, depois, foram esmagados sob tanques. Ou desertor contou que as prisioneiras eram estupradas e, adiante, obrigadas a entregar os bebês para serem usados como alimento para cães de guarda famintos.

Naquele mesmo ano, notícias sobre a deserção de 13 garçonetes norte-coreana provocaram furor entre opositores do regime em Pyongyang.

Mas recentemente, o agenciador das garçonetes  admitiu ter enganado as mulheres, forçando-as a deixar o país sob pressão dos serviços de inteligência da Coreia do Sul. O escândalo está agora sob investigação na ONU.

Outra investigação também na ONU, de uma acusação contra Kim Jong-Un, que teria praticado crimes contra a humanidade também já foi desqualificada, quando se soube de testemunhos de desertores, como Shin Dong-hyuk, que confessou ter inventado partes da história que contou.

Testemunhos ao Congresso dos EUA, dados por outro desertor, Kwon Hyuk, que alegava ter testemunhado experimentos com seres humanos em prisões da Coreia do Norte deram impulso à aprovação da Lei dos Direitos Humanos da Coreia do Norte, em 2004. Mas Kwon foi logo desmascarado como forjador de histórias falsas e sumiu completamente da mídia.

A rede de direita por trás da desertora-celebridade

Yeonmi Park é talvez a mais famosa desertora da Coreia do Norte. Surgiu no cenário internacional na reunião de cúpula One World Summit, em 2014 com história tristíssima de fuga pela China.

Mas partes chaves do que Park contou na reunião internacional estavam em contradição com outros testemunhos que ela já prestara.

Uma das muitas inconsistências na história de Park foi documentada pela jornalista Mary Ann Jolley, que noticiara uma primeira versão da história de Park, em que ela dissera ter escapado pela China com sua mãe e seu pai.

Na reunião One World Summit, porém, a pessoa que entrevistara Park  dizia que ela teria atravessado a China só com a mãe, a qual fora estuprada por um comerciante chinês – novo detalhe dramático repentinamente acrescentado à história da fuga.

Seja como for, Park estava ganhando dinheiro, mais de $12 mil por palestra, sempre com importante apoio de uma rede política direitista, que incluía as empresas comerciais Freedom Factory e Atlas Foundation.

Ela foi integrada como membro pleno da Oslo Freedom Forum, operação comandada pelo oligarca venezuelano-norte-americano Thor Halvorssen especialista em propagandear ações sobre direitos humanos, sempre a favor de objetivos da política exterior dos neoconservadores.

Em 2014, em parceria com o tech-bilionário de extrema direita Peter Thiel, Halvorssen lançou uma campanha de deliberada provocação, "Hack Them Back" [Hackeie eles], para fazer desandar as conversações de paz entre as duas Coreias.

A campanha pôs as duas Coreias a um passo da guerra, com o Norte ameaçando retaliar contra o lançamento de balõespara seu território, com mensagens de denúncias contra o presidente. O governo da Coreia do Sul também condenou o lançamento dos balões, enquanto grupos pacifistas e moradores das áreas de fronteira tentavam bloquear a ação.

Park teve papel decisivo na 'operação', recolhendo apoio entre os figurões do Vale do Silício, para a cruzada de Halvorssen.

A operação de desestabilização forçou Mike Bassett, ex-soldado de reconhecimento na Zona Coreana Desmilitarizada e ex-oficial de informação de guerra, a denunciar Park como instrumento de um grupo de ricos personagens que não querem a paz na península coreana. Escreveu que "as discrepâncias na narrativa [de Park] têm de ser seriamente investigadas, porque a história foi modificada para atender a outra agenda política e econômica, não por qualquer genuíno desejo de bem informar o público sobre o melhor meio para livrar os norte-coreanos de qualquer opressão."

Apesar de várias vezes criticada pelas sucessivas modificações que metia em sua história, Park voltou ao noticiário nacional no mês de junho passado, graças ao New York Times, que a mostrou num vídeo viral incendiário, com o objetivo de tumultuar a reunião Trump-Kim; no vídeo Park compara o governante norte-coreano Kim Jong-un a Adolph Hitler.

Bari Weiss, colunista neoconservadora do New York Times, também usou a narrativa já amplamente desmentida de Park para atacar as conversações de paz: escreveu que Park teria sido, ela também, estuprada durante a viagem pela China – denúncia que nem a própria Park jamais fizera ou fez. Por sorte de Weiss, seus editores na seção de colunistas do New York Times não se deram ao trabalho, sequer, de investigar, ainda que só superficialmente, a lista de desertores que ela listou como fontes, na coluna.

O Grupo de Trabalho de Justiça Transicional [ing. Transitional Justice Working Group, no sentido de 'justiça para o período de transição para a democracia à moda NED], mantido pela NED, é responsável por fazer chegar vários desses depoimentos ao ocidente.

Na cerimônia na NED, encontramos o diretor do grupo, Hubert Younghman Lee, que enfatizou a importância do apoio dos EUA: "Quero manifestar nossa gratidão sincera ao apoio que recebemos dos dois partidos, e também do pessoal do Congresso dos EUA e especialmente dos cidadãos norte-americanos. Todo o nosso trabalho é feito com dólares dos impostos pagos pelos norte-americanos."

Como acontece com os desertores mais 'midiáticos', a informação repassada à mídia ocidental pela inteligência da Coreia do Sul, frequentemente também se comprovou imprestável e provocou algumas 'correções' embaraçosas, em noticiário publicado.

Em 2016, a mídia ocidental fervilhava de 'notícias' de que a Coreia do Norte teria executado o general Ri Yong-gil.Alguns dias depois, o general reapareceu perfeitamente vivo.

Três anos antes, a mídia ocidental 'noticiava' insistentemente que Kim Jong Un teria executado uma ex-namorada, Hyon Song-wol, por fuzilamento. Meses depois, Hyon surgiu normalmente, viva como sempre, apresentando seu número musical na TV norte-coreana.

A pergunta óbvia: será a Coreia do Norte habitada por zumbis, que voltam do mundo dos mortos? Ou o 'noticiário' não passa de operação paga com dinheiro dos cidadãos norte-americanos para impedir que se estabeleça qualquer relação pacífica e produtiva com a Coreia do Norte, operação que se serve de fontes nada confiáveis, a favor de agendas muito suspeitas?

Apoio dos dois partidos 

Durante a cerimônia na NED, a líder da minoria Democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, rememorou visita que fez a Pyongyang, capital da Coreia do Norte. "Quando vimos o povo em Pyongyang – expressões vazias, a lavagem cerebral a que são submetidos – aquela pobreza de espírito que lá estava era maior que qualquer pobreza em qualquer parte do mundo".

Pelosi, na sequência, 'informou' que locais eram executados pelas ruas, se apanhados consumindo milho, sem autorização expressa. "São fuzilados, se pegarem um milho da caixa, uma espiga de milho" – exclamou a Democrata.

Pelosi era uma, de grupo de deputados dos dois partidos encontrados à mão e reunidos para homenagear a NED. Com ela estavam deputados Republicanos como Ed Royce e Pete Roskamp, e também Democratas, como os deputados Julian Castro e Stephanie Murphy.

Por mais que a NED seja louvada no Congresso como entidade politicamente benigna, que promoveria a democracia e os direitos humanos, o currículo dessa Dotação Nacional para a Democracia conta história bem diferente.

Semear o caos, espalhar instabilidade e roubar mercados

O primeiro sucesso da NED foi a derrota do governo sandinista nas eleições de 1990 na Nicarágua, substituído pelo partido neoliberal de Violeta Chamorro.

Desde então, a NED promove interesses dos EUA em incontáveis países: ajudou a mudar a tendência eleitoral na Rússia e elegeu Boris Yeltsin em 1996; organizou e promoveu uma fracassada tentativa de golpe de estado na Venezuela em 2002; orquestrou um golpe bem-sucedido no Haiti em 2004 e outro na Ucrânia em 2014, que abriu o caminho pelo qual os neonazistas ucranianos voltaram à vida política naquele país.

Philip Agee, o falecido denunciador de crimes da CIA, descreveu o trabalho da NED como versão mais sofisticada das velhas operações clandestinas que eram arquitetadas em Langley. "Hoje em dia, em vez de a CIA andar por aí por trás dos panos tentando manipular o processo injetando dinheiro aqui e ali e distribuindo instruções secretamente e toda aquela história, usam um atalho, que se chama Dotação Nacional para a Democracia [ing. National Endowment for DemocracyNED]."

As palavras de Agee foram abertamente confirmadas por Alan Weinstein, um ex-trotskyista e fundador da NED. Weinstein contou ao Washington Post em 1991, que "grande parte do que fazemos hoje era feito clandestinamente há 25 anos, pela CIA."

Desde então, o dinheiro destinado à NED praticamente quadruplicou. Só nos últimos quatro anos, a organização distribuiu pelo menos 4 milhões de dólares a partidos e veículos da mídia-empresa só na Nicarágua.

Com esse 'estímulo', a revista Global Americans mantida pela NED pôs-se a propagandear ainda mais o papel do grupopara "preparar o terreno para a mudança" na Nicarágua, onde violentas manifestações de rua visavam a derrubar o presidente eleito Daniel Ortega. O artigo dizia também que "é cada vez mais claro que o apoio recebido dos EUA teve papel importante no crescimento dos protestos atualmente em curso."

Denúncias contra "Campo de reeducação" uigur tem por alvo a China

Outro dos principais alvos da NED e de seus parceiros em Washington é a China.

Os EUA trabalharam em estreita cooperação com muçulmanos uigures, uma minoria étnica que parece ter enfrentado discriminação na China. Com o confronto com Pequim aprofundando-se cada dia mais, os EUA tentaram usar os uigures como moeda de barganha para aumentar a pressão sobre Pequim.

Na cerimônia, encontrei Omer Kanat, presidente do Congresso Mundial Uigur – grupo mantido quase integralmente com dinheiro da NED.

"As autoridades chinesas prenderam mais de um milhão de uigures em campos de reeducação, muito semelhantes aos campos de concentração" – disse-me ele.  

Disse que sua organização, uma das principais, dentre as mantidas pela NED, forneceu grande parte da informação na qual o governo dos EUA e as mídia-empresas ocidentais nutriram todo o noticiário e as 'declarações' sobre os supostos campos.

O Congresso Nacional Uigur é mantido em grande parte pela NED e ajudou a introduzir o conto dos campos chineses de reeducação na opinião pública nos EUA.

De fato, ao lado da Radio Free Asia, mantida pelos EUA, e para a qual Kanat já trabalhou, o Congresso Uigur de Kanat, mantido com dinheiro dos EUA, é responsável pelas 'notícias' forjadas segundo as quais cerca de 1/10 da população muçulmana da província chinesa de Xianjing estaria presa em campos de reeducação.

O número de uigures que estariam vivendo nesses campos varia extraordinariamente, de 120 mil a 500 mil e chega a 1 milhão de almas. E as 'fontes' sempre são, quase exclusivamente, veículos de mídia mantidos pelos EUA como a Radio Free Asia.

Analistas ocidentais reconhecem  que praticamente não há depoimentos de pessoas que tenham realmente vivido nos tais campos. Um dos poucos de que se tem registro veio de fonte anônima.

O próprio Kanat reconheceu que não sabe quantos estariam nos tais campos, e que se valera das "estimativas que encontrou na mídia ocidental" para o cálculo de um milhão de prisioneiros.

As notícias terríveis – mas até agora sem qualquer confirmação – sobre campos de reeducação para uigures acrescentaram força e drama à nova doutrina de defesa nacional do governo Trump que define a China como um dos principais adversários dos EUA. Com a ajuda de 'especialistas', como o comediante John Oliver, que também repetiu  o que diziam fontes pagas pelo governo dos EUA sobre Xianjang, Washington parece ter esperanças de que uma bem urdida campanha de Relações Públicas [no Brasil é o famigerado "marketing político" (NTs)] conseguirá reverter a atitude dos norte-americanos que, de modo geral, é favorável à China.

Neoliberalizar a Mongólia

NED também fez subir as chamas dos tumultos na China, ao interferir em eleições num país vizinho.

Em 1996, o International Republican Institute (IRI) — grupo parceiro da NED — trabalhou para promover partidos libertaristas de extrema-direita na Mongólia, o que representou ataque letal à tradição socialista do país e fez subir extraordinariamente a desigualdade econômica no país.

Na cerimônia da NED, conversei com um funcionário do IRI, Alexander Moree, que apresentou o trabalho do grupo na Mongólia como um rascunho do que deve ser uma Coreia do Norte pós-comunista. "Levamos um grupo de intelectuais dissidentes para a Mongólia, para estudarem a transição" – Moree explicou-me. "A transição na Mongólia, se você não sabe, foi transição democrática pacífica, sem qualquer luta, sem revolução. Mas ali se desenvolveu uma bem-sucedida economia de livre mercado, sem derrubada dramática do velho poder. É mais uma ilha de democracia na Ásia, e tem mais a ver com o modelo que encorajamos os norte-coreanos a buscar."

"Então, passar de economia socialista para economia de livre mercado é a meta e o modelo principais?" – perguntei. "Exatamente."

A máquina de interferir em outros países montada por McCain

IRI foi dirigido durante anos pelos Senador John McCain, que converteu o grupo no que o New York Times chamoude "uma porta giratória para lobbystas, e Republicanos afastados do governo, que garante aos grandes doadores de campanha um meio para ajudar ao mesmo tempo o Partido e o diretor do instituto."

O fundador da Dotação Nacional para a Democracia é Carl Gershman, um ativista neoconservador (...) que crê na [numa sua versão pessoalíssima da] revolução permanente. Mas com a paz já ameaçando a península coreana, Gershman foi forçado a garantir aos seus bolsistas que de modo algum o trabalho deles para mudar o regime tornar-se-á irrelevante.

"Há alguma preocupação entre os ativistas, de que o foco na questão nuclear hoje possa reduzir a pressão a favor dos direitos humanos na Coreia do Norte e talvez reduza o apoio ao tipo de trabalho que está sendo feito pela organização que homenageamos nessa noite" – disse Gershman. – "Quero assegurar aos nossos amigos que o apoio da NEDcontinua firme."

No saguão Longworth, do lado de fora do evento da NED, perguntei a Nancy Pelosi se ela achava que o governo dos EUA deve parar de financiar organizações que trabalham a favor da mudança de regime na Coreia do Norte, se for assinado um tratado de paz entre sul e norte. "Não sei se é isso que eles fazem" – Pelosi respondeu, falando da NED e de mudança de regime –, "mas o que sei é que eles promovem os direitos humanos onde quer que estejam".

Perguntei então se ela considera as atividades da NED como sendo equivalentes à intromissão de que os russos estão sendo acusados nos EUA. "Não vou perder tempo com discutir hipóteses" – disse ela, descartando minha pergunta com um gesto de mais.

Os EUA continuam obcecados com o fantasma da interferência dos russos e as supostas atividades de Moscou contra nosso sistema político. Mas ao mesmo tempo a Washington oficial festeja e celebra a máquina norte-americana de "promoção da democracia", mantida com dinheiro dos contribuintes. Será que o público norte-americano sabe o que é feito com o seu dinheiro, e algum dia haverá algum tipo de debate sobre as consequências dos esforços em que Washington tanto se empenha, para mudar governos?

Dia 13/6/2018, a Dotação Nacional para a Democracia, ing. NED entregou seu Prêmio Democracia 2018 a um grupo deativistas coreanos que são pagos para derrubar o governo comunista da Coreia do Norte.

O evento foi cronometrado para coincidir com as primeiras conversações de paz em Singapura, entre o presidente Donald Trump e Kim Jong-Un. A cerimônia pareceu o tiro de partida para operação gigante de relações públicas [no Brasil, também chamado "marketing político" (NTs)] com o objetivo de sufocar qualquer possibilidade de que haja relações normais entre EUA e Coreia do Norte.

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