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Diário Liberdade
Domingo, 16 Setembro 2018 12:09 Última modificação em Sábado, 29 Setembro 2018 18:59

Provado: EUA Protegem a Al-Qaeda na Síria Destaque

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País: Síria / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: The Saker Blog

[Eric Zuesse, Tradução da Vila Vudu] Há provas abundantes de que o governo dos EUA protege Al-Qaeda na Síria. Nesse momento, EUA estão protegendo o principal centro da Al-Qaeda em todo o mundo – a província de Idlib na Síria. Essa proteção não é fenômeno isolado: é item de um quadro maior.

Por exemplo, o ponto chave de diferença entre o governo Obama nos EUA e o governo Putin na Rússia, relacionado ao estabelecimento de um cessar-fogo na guerra síria, foi que Obama recusava-se a permitir que os terroristas de Al-Qaeda na Síria fossem bombardeados durante o tal cessar-fogo, e Putin insistia que todos os terroristas, Al-Qaeda na Síria e ISIS na Síria tinham de continuar a ser atacados durante o cessar-fogo. Obama só pensava em proteger os terroristas da Al-Qaeda na Síria, mas Putin insistia em continuar a bombardear também Al-Qaeda e não só os terroristas do 'Estado Islâmico' [ing. ISIS] durante o cessar-fogo. (Provas reunidas aqui, de que Obama protegia Al-Qaeda na Síria.)

Nesse momento, o governo dos EUA e alguns de seus aliados ameaçam ir à guerra contra a Rússia, se a Rússia bombardear o maior ninho de terroristas da Al-Qaeda em todo o mundo. Aqueles terroristas estão implantados na única província de toda a Síria que sempre preferiu os terroristas de Al-Qaeda e do ISIS ao governo sírio secular do presidente Bashar al-Assad. É a província de Idlib, hoje central mundial da Al-Qaeda, como foi o Afeganistão antes do 11/9 (e motivo alegado pelo qual os EUA bombardearam o Afeganistão imediatamente depois do 11 de setembro).

Um discurso de 30/7/2017 esclarece perfeitamente tudo isso. Não foi discurso de crítico ou de opositor do governo dos EUA, mas de alto funcionário do governo dos EUA que fala pelo presidente dos EUA na Síria, e que não começou a fazer isso no governo Trump, porque já fazia o mesmo no governo Obama. Trata-se de Brett McGurk, Enviado Especial do Presidente Trump dos EUA para a Coalizão Global para Derrotar o ISIS, do Departamento de Estado dos EUA, neoconservador e perversamente anti-Assad, anti-Irã, pró-sauditas e pró-Israel. 

Brett McGurk reconheceu publicamente que "a província de Idlib é o maior paraíso seguro da Al-Qaeda desde o 11/9, conectada diretamente a Ayman al-Zawahiri. (…) Líderes da Al-Qaeda que viajam para a província de Idlib raramente saem de lá." Admite que Idlib é semelhante ao que foi o Afeganistão antes do 11/9. McGurk, que apoia consistentemente a Arábia Saudita sunita contra o Irã xiita, culpa o Irã pela existência da Al Qaeda e por tudo que Al Qaeda faz. Justifica a prática de culpar o Irã por tudo que aconteça, dizendo que o Irã nunca foi 'suficientemente hostil' contra membros da Al Qaeda. (Pode-se dizer o mesmo de quase todas as nações de maioria muçulmana, mas é especialmente verdade no que tenha a ver com a Arábia Saudita e outros muçulmanos sunitas, se não por outras razões, com certeza porque a Al Qaeda é organização sunita, não, de modo algum, xiita.)

Assim também o especialista conservador Kyle Orton escreveu, dia 21/7/2017 (apenas poucos dias antes da fala de McGurk, funcionário dos EUA) que Al Qaeda ameaça usar terrorismo contra o Irã, se o Irã atacar com violência a Al Qaeda; e mesmo assim Orton afirmava que o Irã seria culpado pelas ações da Al Qaeda.

Dito em outras palavras: o Irã estaria com medo da Al Qaeda, e mesmo assim (na avaliação de Orton e do governo dos EUA, o que inclui McGurk) o Irã seria culpado pelo que a Al Qaeda faça. – Por alucinado que pareça, esse é o pensamento oficial dos EUA (e só pode ser compreendido se se compreende o quadro geral).

O fato de Al Qaeda ser operação totalmente sunita e o fato de a Al Qaeda crer que todos os xiitas mereçam morrer são fatos completamente apagados pelos funcionários dos EUA. 11 de setembro, por sua vez, é declarado 'culpa dos xiitas', apesar de  os perpetradores (os outros, além de Bush, Cheney e amigos) serem quase todos sauditas fundamentalistas sunitas, e de nenhum deles ser xiita, não importa de onde tenham vindo.

Orton cita McGurk, dos governos Obama-Trump, como fonte de sua convicção de que o Irã teria de ser conquistado e de que, como diz o governo Trump, e o governo Obama também dizia, "o Irã é o principal estado patrocinador do terrorismo no mundo." Não a Arábia Saudita, mas o Irã (o mesmo Irã que a família Saud jurou destruir). O governo dos EUA culpa o Irã, não importa quantas provas haja contra isso, e culpa o Irã por todos os males que haja no Oriente Médio e que saiam de lá, contra o mundo. O governo dos EUA sabe que mente. E continua a mentir.

Putin, Erdogan e Rouhani reuniram-se em Teerã dia 7/9, para discutir a ameaça feita por Trump (com apoio não só de aliados dos EUA, mas também das agências 'humanitárias' da ONU), de que o governo Trump iria à guerra contra a Rússia por razões 'humanitárias', se os russos garantissem ajuda ao governo de Assad para exterminar os terroristas em Idlib. A Rússia não quer uma 3ª Guerra Mundial, motivo pelo qual aconteceu a reunião de Teerã. A revista TIMEpublicou em manchete, dia 7 de setembro, que "Presidentes de Rússia, Turquia e Irã reúnem-se para planejar o futuro da Síria, antes da batalha pela última fortaleza da resistência" e noticiou que "o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan pediu um cessar-fogo e o fim dos ataques contra a província de Idlib, no noroeste, proposta que foi imediatamente rejeitada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, e pelo presidente do Irã, Hassan Rouhani."

Não houve qualquer declaração oficial sobre o que tenha sido discutido ou decidido naquela reunião. Dia 9/9, o Wall Street Journal noticiou que o "presidente Bashar al-Assad da Síria aprovou o uso de gás de cloro numa ofensiva contra a última maior fortaleza dos rebeldes, informaram funcionários dos EUA." Sinal de que o governo Trump continuava com a operação sob falsa bandeira que estava planejada; ali estava a senha para que os terroristas que os EUA mantêm em Idlib iniciassem um ataque com armas químicas que seria na sequência atribuído a Assad, e serviria como pretexto para que EUA e aliados iniciassem a 3ª Guerra Mundial contra Síria, Irã e Rússia... para 'proteger civis' em Idlib.

Dia 10/9 publiquei "Prelúdio para a 3ª Guerra Mundial", artigo no qual disse e expliquei por que "A menos que a Síria simplesmente entregue sem luta sua província mais pesadamente pró-jihadista, Idlib, para que seja integrada à Turquia – que diz ter 30 mil soldados lá, e está planejando acrescentar mais 20 mil, é muito provável que a 3ª Guerra Mundial aconteça muito em breve." Escrevi que:


O caminho para o plano que evitará esse resultado será o seguinte:

Assad e Putin, ambos, anunciarão que, devido às acusações do governo dos EUA e da ONU, e do governo turco, a Síria entregará a província de Idlib, e construirá sobre a fronteira entre Idlib e áreas adjuntas da Síria, uma ZDm [Zona Desmilitarizada, ing. DMZ, De-Militarized Zone], de modo que não só os moradores de Idlib fiquem a salvo de qualquer ataque pelos sírios e aliados (como os EUA e aliados estão exigindo), mas também todos os sírios – também nas outras províncias sírias – estarão salvos de qualquer ataque continuado pelos jihadistas que se concentraram em Idlib.

Assim, o presidente Erdogan da Turquia pode manter seguros em Idlib, se quiser, seus 50 mil soldados; o presidente Trump dos EUA pode declarar vitória na Síria e assim cumprir sua já velha promessa de que poria fim à presença dos EUA em partes da Síria já ocupadas (quase todas controladas pelos jihadistas) e, assim, talvez seja possível evitar a 3ª Guerra Mundial ou, pelo menos, adiar, de modo tal que quem lá vive hoje, não morrerá agora vítima da 3ª Guerra Mundial e de seus efeitos.


Também dia 10/9, Erdogan publicou coluna assinada no WSJ "O mundo deve deter Assad": "Se o regime sírio atacar Idlib, o resultado será desastre humanitário e geopolítico" – escreveu ele do ponto de vista de Trump. Erdogan tem agora 50 mil soldados turcos em Idlib. É verdade que a Rússia já iniciou campanha muito limitada de bombardeio em Idlib. Mas os soldados turcos não foram atingidos. Os jihadistas tampouco foram atingidos, sequer os que esperavam pelas bombas, depois de já terem engatilhado as armas químicas, para que disparassem ali, para servir a Trump como pretexto para que a 3ª Guerra Mundial começasse na Síria.

Já transcorreram vários dias depois da reunião de 7 de setembro, e o plano de Trump para a 3ª Guerra Mundial ainda não pôde ser executado, dado que o pretexto ainda não foi ativado. Por alguma razão, parece estar vigente um cessar-fogo limitado em Idlib.

Evidentemente, Erdogan persuadiu Putin (se realmente tiver precisado de persuasão; dada a ameaça de Trump, é possível que o próprio Putin tenha apresentado esse plano) de que a Turquia assumiria a responsabilidade por Idlib. Um bombardeio reduzido dos russos em Idlib seria apenas cenográfico, de modo a não deixar ver que a proposta de Erdogan (se foi dele, não de Putin) fora aprovada na reunião de 7 de setembro. Se esse plano tivesse sido inicialmente apresentado por Putin, o lado dos EUA poderia tê-lo condenado; mas, vindo da Turquia, que é membro da OTAN, os EUA poderão apresentar a implantação da "posição da Turquia" como 'uma vitória do ocidente'.

Mas qual, afinal de contas, foi o acordo a que chegaram na reunião de 7 de setembro? Qual o plano que Putin, Rouhani e Erdogan construíram?

Claro que Assad opôs-se –, pelo menos em público. Meu argumento de que o plano o ajudaria e ajudaria à Síria absolutamente não convenceu Assad. Fosse qual fosse o plano de Teerã, com 50 mil soldados turcos em Idlib, é possível que, sim, a Síria tenha de entregar Idlib (o centro de mais alta intensidade jihadista do mundo) à Turquia.

Dia 11 de setembro, Peter Korzun escreveu em Strategic Culture Foundation (que apoia a Rússia e seus aliados, incluindo a Síria), escreveu:

A Síria precisa de Idlib — a última fortaleza dos jihadistas e o caminho mais curto de Latakia para Aleppo. A rodovia internacional M5 cruza Idlib, ligando Turquia e Jordânia via Aleppo e Damasco. Controlar essa província facilitaria imediatamente as negociações com os curdos e reforçaria a posição da Síria nas conversações negociadas pela ONU em Genebra. Se o processo de negociações avançar, os únicos territórios que ainda tenham de ser libertados seriam as zonas controladas pelos EUA, como a base militar al-Tanf e a área que a cerca, partes ao norte do país sob controle dos turcos e pequenas áreas ainda ocupadas pelo ISIS.


Naquele mesmo dia, SyriaNews.cc (outro site pró-Síria) atacou duramente Erdogan por suas declarações. Com link paraaquela matéria, Korzun escreveu:


"objetar contra uma grande operação lá, 'porque' causaria algum grande êxodo de refugiados pelas fronteiras, com extremistas potencialmente infiltrados entre os refugiados?"

Bobagem e conversa fiada para que todos se dobrem de rir... ou de chorar.

Preocupação com refugiados??!! Erdogan rouba órgãos de refugiados. Campos de refugiados na Turquia converteram-se em centros de recrutamento.

A aliança EUA está de fato, agora, se referindo não apenas à Al Qaeda em Idlib, mas também ao ISIS em Idlib como "rebeldes" e "refugiados"; e Erdogan também. Essa é a propaganda do lado dos EUA. O comentarista da SyriaNewstinha motivos para ficar chocado. Erdogan e os EUA estão claramente representados com precisão. Mas isso não significa necessariamente que Rússia e seus aliados (especialmente a Síria) não possam vencer com essa estratégia que está sendo condenada por Assad, pela Strategic Culture Foundation e por Síria News. Se a estratégia for a que propus dia 10 de setembro, acho que os sírios têm muito a ganhar. Certamente manter Idlib seria terrível tanto para a Síria quanto para Assad (que sempre foi detestado pelos residentes daquela província, que o veem como ou xiita ou ateu).

E Erdogan está em ambos os campos – dos EUA e da Rússia – e joga um campo contra o outro, em nome do que só a ele interessa. Mas pode acabar como o maior perdedor, por causa do 'seu' sucesso na própria empreitada.

Se Erdogan exterminar os jihadistas de Idlib, o lado dos EUA o condenará por isso. Mas se, em vez de exterminar, ele libertar os jihadistas para que voltem aos países de origem, ambos os lados o condenarão.

O aparentemente grande "vencedor" de toda essa luta, Erdogan, pode vir a ser o maior perdedor real. E o aparentemente maior "perdedor", Assad, pode vir a ser o maior vencedor real.

ATUALIZAÇÃO: Na 6a-feira, 14 de setembro, o jornal turco Yeni Safak manchetou "habitantes de Idlib fogem em busca de segurança para áreas controladas pela Turquia", e noticiou que "habitantes de Idlib, Síria, começaram a fugir, temendo ofensiva do regime de Assad e aliados para tomar a província." Também manchetaram "Turquia desloca mais blindados para a fronteira síria", e noticiaram que "Mais reforços militares incluindo tanques, conforme relatos vindos de campo, chegaram à fronteira síria na província de Hatay, no sul da Turquia."

Esses relatos são consistentes com o plano segundo o qual a Turquia deve isolar os jihadistas ativos em in Idlib, onde Rússia e Síria possam exterminá-los. Outra manchete, essa da Reuters ("Erdogan da Turquia e Putin da Rússia reúnem em Sochi na 2ª-feira"), sugere que há coordenação extremamente próxima entre Putin e Erdogan para as etapas do plano em andamento. 

A inteligência russa sabe onde estão instaladas as armas químicas dos EUA e da Al Qaeda. Presumivelmente o objetivo é exterminar todos os demais jihadistas, deixando para o final o ataque aos que estão operando o falso ataque de Al Qaeda e EUA, servindo-se de armas químicas. Idlib nesse caso permanece como território sírio. Não é o que Erdogan deseja.

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