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Diário Liberdade
Quarta, 23 Novembro 2016 11:45 Última modificação em Sábado, 26 Novembro 2016 16:28

EUA e Rússia: em direçom a umha nova ordem mundial?

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País: Estados Unidos / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: Punto y seguido

[Nazanín Armanian, traduçom do Diário Liberdade] Afinal aconteceu. A favorita nos inquéritos foi derrotada, e a paz mundial pudo respirar.

 Hillary Clinton, a reencarnaçom da deusa Eris da discórdia, dor e carnificinas, desapareceu para deixar o cenário a outro despojo do capitalismo mais sem-vergonha e selvagem, enchendo o palco de umha inquietante incerteza.

Enquanto a apparatchik perdia por ignorar as necessidades do sistema (apesar de ter recebido um aviso em 2012 ao ser excluída do segundo gabinete de Obama), Donald Trump era linchado pola imprensa ortodoxia por despir o imperador, mostrando uns EUA misóginos, racistas, aporofobos, capazes de manipular o resultado dos votos como se fai em qualquer outra ditadura vulgar, ou do absurdo que é gastar o dinheiro dos cidadaos (50 milhons vivem abaixo do limiar da pobreza) em manter no poder as elites corruptas doutros países que vivem como parasitas dos EUA. Também, por querer que o mesmo que os EUA figérom no mundo aconteça com a sociedade norte-americana: a supremacia de umha naçom, um grupo e umha classe sobre as outras naçons, grupos e classes; utilizando medo, ódio e outros sentimentos para provocar conflitos e assim ganhar mais poder e mais influência.

No meio desta situaçom surrealista, que Trump falasse bem do grande inimigo russo deixou mais de um desconcertado. Os clintonistas acusárom-no de ser o “agente de Putin”.

A distensom com a Rússia?

Para a Rússia, a mesma derrota de Clinton é umha vitória e nom só por incitar ou apoiar os protestos de 2011 em Moscovo contra a eleiçom de Vladimir Putin, armar os grupos e governos de extrema-direita nas suas fronteiras, invadindo sua periferia de segurança; mas por aquilo que ia fazer: umha grave intervençom militar na Rússia, sem se importar de provocar umha guerra nuclear, como revelavam os seus e-mails filtrados.

Sobre as razons da estranha simpatia de Trump para a Rússia, apontou-se aos laços financeiros de alguns membros de sua equipe com Gazprom, ou com os políticos pró-russos da Ucránia, ou que o próprio magnata celebrasse em Moscou o concurso de Miss Universo 2013. Então, por que Trump nom conseguiu abrir a sucursal de seu hotel em Moscou quando si o fizeram Ritz, Hilton ou Radisson?

Talvez a resposta esteja nas fortes posiçons anti-chinesas de Trump: Tenciona quebrar a aliança entre a Rússia e a China, aproximando-se de umha delas, seguindo a mesma estratégia de Richard Nixon e de Barack Obama? É difícil que o consiga: os dois gigantes unírom-se na Organizaçom de Cooperaçom de Xangai, no Grupo de BRICS, e em numerosos acordos estratégicos militares e energéticos. A Doutrina Putin está a conseguir, com o apoio da China, restaurar a posiçom da Rússia no mundo, pondo fim à unilateralidade de Washington e da sua Nova Ordem Mundial declarada em 1991, ano da queda da URSS. Agora, a Rússia está a recuperar a Ásia Central, enquanto os EUA estám a perder o Paquistám, Líbia, Iraque, Turquia e Arábia Saudita.

O Kremlin acompanha com cautela as declaraçons de Trump, quem já dixo que “poderá olhar” o reconhecimento da Crimeia como território russo, cooperar na luita antiterrorista (deve ignorar quem o patrocina!), pôr fim a umha nova Guerra Fria, e reduzir o militarismo do seu país. Talvez porque vive a resaca e o cansaço de tantas guerras, ou entom talvez se trate doutra fraude eleitoral. Se realmente pretender “levantar o país”, terá que cortar a despesa militar e as ajudas aos regimes clientes como o Iraque, Afeganistão, Israel, ou Colômbia.

Nos últimos anos, a esquizofrenia dominou a política exterior russa: votou a favor da agressom da Aliança à Líbia, das multas económicas sobre o Irám, facilitou a ocupaçom e a permanência da NATO no Afeganistám, oferecendo-lhe o aeroporto de Uliánovsk (a cidade natal de Lenin, convertido, segundo a oposiçom, numha base dos EUA), para o tránsito de equipamentos às tropas de Bush e Obama. E isso apesar de em 2001 Washington ter saído do Tratado de Mísseis Antibalísticos e tê-la assediado às próprias portas a partir da Georgia e Ucránia. É impensável que o Pentágono abandonasse a doutrina Domínio Completo do Espetro (Full Spectrum Dominance) de controlar o espaço aéreo e as rotas marítimas.

Também nom deixará de utilizar a NATO para sua expansom, e para desmantelar a Federaçom Russa, ou levar adiante o projeto do Século Pacifico da América, daí que esteja a semear as proximidades do estratégico Mar Oriental da China de bases militares.

Nom há nengumha lógica objetiva que propicie umha viragem na política exterior de Washington (também nom houvo com Obama após Bush), centrado nas três “ameaças existenciais” da China, Rússia e Irám. Barack Obama prometeu umha cooperaçom entre as potências, a bem da humanidade, mas a realidade é que em 2016 falamos da Guerra Fria 2.0.

Nom vai haver umha Nova Ordem Mundial com um gabinete reacionário composto por indivíduos milionários fundamentalistas cristaos. O estado profundo continuará seguirá com a reconfiguraçom do mapa estratégico global, com o objetivo de manter a supremacia militar e política dos EUA sobre o mundo e a qualquer preço.

Ainda assim, há que exigir aos líderes das superpotências que dialoguem e reduzam a perigosa tensom acumulada.

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