Publicidade

Diário Liberdade
Segunda, 12 Novembro 2018 10:03 Última modificação em Segunda, 12 Novembro 2018 11:03

Legislativas volatilizam EUA

Avalie este item
(0 votos)
António Santos

Clica na imagem para ver o perfil e outros textos do autor ou autora

As eleições nos EUA provocaram algumas mudanças mas, polarizando a disputa entre dois partidos gémeos, garantiram também que tudo fica mais ou menos na mesma.


O Partido

Democrata não é alternativa ao Partido Republicano, do mesmo modo que Hillary Clinton não era alternativa a Trump. Todavia, as fracturas sociais agravam-se, e ganham expressão na opinião pública sentimentos de rejeição do sistema vigente.

Não estavam apenas em causa todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes, um terço do Senado e a governação de 36 Estados: as eleições legislativas de ontem foram um plebiscito à presidência de Donald Trump. Os democratas reconquistaram a maioria na câmara baixa, mas os republicanos reforçam o controlo da câmara alta e dos governos estaduais, um resultado que promete tornar ainda mais volátil a vida política estado-unidense, sem alterar o rumo fascizante em curso.

O controlo da Câmara dos Representantes permite, por exemplo, ao Partido Democrata (PD) iniciar procedimentos para a destituição de Trump, mas o domínio republicano no Senado reduz a probabilidade do impeachment se concretizar. Na própria noite eleitoral, o PD prometeu dar renovada perseguição a Trump, usando a Câmara dos Representantes para exigir documentos do presidente que alegadamente provam evasão fiscal. Está lançado o mote democrata até às presidenciais: atacar a figura Trump e poupar a política de Trump. Durante a campanha, a maioria dos candidatos democratas ao Congresso procurou colar-se às propostas mais reaccionárias de Trump: Joe Manchin (da Virgínia Ocidental) disse concordar com a construção do muro; Joe Donnelly (do Indiana) aplaudiu a proposta da Casa Branca de pôr fim ao princípio jus soli, que prevê o reconhecimento da cidadania estado-unidense a todos os bebés que nasçam nos EUA, independentemente da situação legal dos pais; Claire McCaskill (do Missouri) disse «concordar a 100 por cento» com a mobilização ilegal de 15 mil soldados, com autorização para abrir fogo, para cortar o passo a uma caravana de imigrantes que se aproximam da fronteira com o México; Bernie Sanders (o autodenominado «socialista democrático») prometeu tréguas em política externa e absolveu Trump de responsabilidades políticas no recente ataque terrorista anti-semita perpetrado por um republicano fanático e a recém-eleita Ocasio-Cortez, (também autodenominada «socialista democrática», também eleita nas listas do PD) deixou de defender a abolição do ICE (o corpo policial militarizado anti-imigração).

Eppur si muove

Ainda assim, em vésperas das eleições, a Casa Branca publicou um relatório intitulado «O custo de oportunidade do socialismo». O documento de 70 páginas começa de forma reveladora: «Coincidindo com o 200.º aniversário do nascimento de Karl Marx, o socialismo está a regressar ao discurso político americano. Propostas políticas de autoproclamados socialistas estão a ganhar apoio no Congresso e junto dos eleitores mais jovens». O documento restante é propaganda de duvidosa qualidade, preenchida com injúrias à Venezuela bolivariana, garantias de que só o capitalismo é democrático e a embaraçosa repetição da definição de socialismo como a existência de sistemas públicos e universais de saúde e educação.

O facto de a Casa Branca sentir necessidade de, duzentos anos depois do seu nascimento, vir a terreiro atacar Marx valida vários estudos recentes que apontam para a crescente popularidade do socialismo nos EUA: em Novembro, um estudo da YouGov revelou que 51 por cento dos estado-unidenses entre os 21 e os 29 anos preferiam viver numa sociedade «socialista ou comunista» e, em Agosto, outra sondagem da Gallup concluiu que a percentagem de jovens com boa opinião sobre o capitalismo caiu de 68 por cento em 2010 para 45 por cento este ano. Já o número de greves no país de Trump triplicou desde o ano passado. Os republicanos usam o seu nome para assustar eleitores, os democratas usam-no para ganhar votos e, no entanto o socialismo, como um dia terá murmurado Galileu, move-se.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2345, 8.11.2018

Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Doaçom de valor livre:

Microdoaçom de 3 euro:

Adicionar comentário

Diário Liberdade defende a discussom política livre, aberta e fraterna entre as pessoas e as correntes que fam parte da esquerda revolucionária. Porém, nestas páginas nom tenhem cabimento o ataque às entidades ou às pessoas nem o insulto como alegados argumentos. Os comentários serám geridos e, no seu caso, eliminados, consoante esses critérios.
Aviso sobre Dados Pessoais: De conformidade com o estabelecido na Lei Orgánica 15/1999 de Proteçom de Dados de Caráter Pessoal, enviando o teu email estás conforme com a inclusom dos teus dados num arquivo da titularidade da AC Diário Liberdade. O fim desse arquivo é possibilitar a adequada gestom dos comentários. Possues os direitos de acesso, cancelamento, retificaçom e oposiçom desses dados, e podes exercé-los escrevendo para diarioliberdade@gmail.com, indicando no assunto do email "LOPD - Comentários".

Código de segurança
Atualizar

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Ritech

O Diário Liberdade utiliza cookies para o melhor funcionamento do portal.

O uso deste site implica a aceitaçom do uso das ditas cookies. Podes obter mais informaçom aqui

Aceitar