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Diário Liberdade
Segunda, 07 Novembro 2016 03:18 Última modificação em Quinta, 10 Novembro 2016 00:25

O Brasil vive cada vez mais um estado de exceção

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Coletivo Editor

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[Coletivo Editor] A repressão e a arbitrariedade são tradicionais maneiras da burguesia manter o seu poder intacto e o seu sistema de exploração em funcionamento.


Esses recursos nunca deixaram de ser empregados. A ditadura empresarial-militar (1964-1985) os elevou a patamares jamais alcançados na história da República. Sua herança, simbolizada especialmente pela Polícia Militar, permanece até os dias de hoje.

Mesmo durante os governos petistas, mais democráticos em relação a seus antecessores, nada foi feito para barrar as ações repressivas contra a classe trabalhadora, seja nas periferias, no campo ou nos protestos sociais.

Isso é perfeitamente compreensível. Ora, quem comanda as ações do Estado burguês é a burguesia, pouco importam as aspirações do governo de turno. A burguesia nunca abre mão do poder econômico e de sua força coercitiva para defendê-lo.

Entretanto, desde o início do processo de golpe de Estado – no contexto de crise capitalista e acirramento da luta de classes, a nível nacional e mundial – as medidas repressivas e arbitrárias têm aumentado em tamanha escala e velocidade somente vistas pela última vez durante o regime militar.

A totalmente parcial e manipulada Operação Lava Jato e a perseguição política à esquerda a partir de ações criminosas da extrema-direita, somada ao fortalecimento das ações policiais contra o movimento popular, são parte de um processo de golpe de Estado com um caráter ditatorial.

O terror por parte do Estado vem mostrando quase que diariamente a sua face mais tenebrosa. Militares infiltrados em manifestações, prisões escandalosamente ilegais de estudantes e investidas policiais contra sem terra não são exatamente uma novidade, mas agora estão sendo praticadas às claras e aos montes.

A violação sistemática dos direitos humanos, digna de verdadeiros estados de exceção, se tornou política oficial do golpe de Estado.

Todas as instituições da burguesia se uniram como não faziam há tempos para executar o projeto ultrarreacionário de criminalização de toda a resistência e dos movimentos de reivindicação populares e dos ataques aos direitos civis, políticos, sociais e humanos da população.

Justiça, Congresso, Executivo (em todas as esferas) e mídia deram as mãos e recrudesceram seus próprios aparelhos repressivos para sufocar completamente qualquer liberdade democrática.

Negam, obviamente. O regime militar, mesmo em sua época mais repressiva, também negava a tortura e a perseguição política. Quanto mais as violações à dignidade do povo são praticadas, mais elas são escondidas pelo discurso oficial.

Ao mesmo tempo em que todos os direitos do povo estão sendo retirados, as riquezas do país são entregues de bandeja aos monopólios estrangeiros, ao imperialismo, financiador e principal beneficiário do golpe de Estado.

O Brasil caminha a passos largos pela mesma estrada que levou Honduras a um estado policial após a queda de Zelaya e o Paraguai à extraordinária militarização do Estado depois da derrubada de Lugo.

Ou talvez a da Ucrânia, que se transformou em um Estado puramente fascista, uma vez que o Brasil assume uma importância estratégica devido ao seu tamanho e recursos naturais, além de seu papel na diplomacia mundial.

Nesses três países o aumento das mazelas, da vigilância e da restrição a todas as liberdades é acompanhado pelo saque imperialista.

No Brasil, a ditadura se aproxima cada vez mais. A máscara democrática talvez permaneça, mas o rosto por trás dela tende a expressar uma feição cada vez mais sinistra.

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