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Diário Liberdade
Domingo, 14 Outubro 2018 05:08 Última modificação em Quarta, 24 Outubro 2018 09:31

Fidel e Cuba no coração do Vietnã

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País: Vietname / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: Granma

[Daina Caballero Trujillo] Era setembro de 1973, na província de Quang Tri, no Vietnã. A «terra do aço» ainda cheirava a pólvora, sentia-se a atrocidade da guerra. Os vietnamitas ainda lutavam pelo direito à independência e à liberdade de seu povo, mas Quang Tri era território livre e Fidel, em nome de Cuba, estava lá para acompanhá-los.

Fidel foi o primeiro e único presidente que visitou o Vietnã durante a guerra. O líder cubano se declarou admirador da capacidade de luta do povo vietnamita, capaz de expulsar primeiro os colonizadores franceses e depois os invasores norte-americanos.

Sua imagem naquela visita, levando a bandeira da Frente Nacional para a Libertação do Vietnã do Sul, expressava sua fé absoluta na vitória. Ele, como Ho Chi Minh, tinha a certeza de que uma vez que o inimigo fosse derrotado, construiriam uma Pátria «dez vezes mais bela».

«Nenhum movimento de libertação, nenhum povo daqueles que lutaram por sua independência teve que travar uma luta tão longa e tão heroica quanto o povo do Vietnã», disse o Comandante-em-chefe da Revolução Cubana, em 12 de setembro de 1973, em sua primeira visita ao país asiático.

Quarenta e cinco anos depois desse encontro, os habitantes desta área libertada no sul do Vietnã ainda lembram a imagem daquele imenso homem caminhando ao lado dos líderes e combatentes vietnamitas no campo de batalha, conversando com os doentes, sempre próximo, humilde, símbolo da solidariedade que une as duas nações. Assim conta em entrevista exclusiva para o Granma Internacional, o embaixador do Vietnã em Cuba, Nguyen Trung Thanh.

A visita de Fidel ao Vietnã acarretou riscos, a guerra ainda estava no auge, mas apesar disso, Fidel decidiu visitar a zona libertada de Quang Tri.

«Os inimigos não queriam que se soubesse que esta província já era uma zona livre. A visita de Fidel possibilitou que o mundo soubesse, lá estava ele com seu uniforme verde-oliva, demonstrando sua grandeza. Foi um símbolo do apoio de Cuba ao povo vietnamita», diz Trung Thanh.

«Fidel cativou os corações dos vietnamitas, deixou os ideais de solidariedade, a coragem, a dignidade, foi o impulso para continuar lutando pela justiça, não só no meu povo, mas no mundo», acrescentou.

VIVER A HISTÓRIA DE NOVO

Por ocasião da primeira visita oficial do Comandante-em-chefe Fidel Castro ao Vietnã, os dois países realizaram uma jornada em memória deste importante acontecimento na história das relações entre os partidos comunistas, os governos e os povos destas nações.

Em Cuba, o ato central para comemorar esta data, foi realizado em 12 de setembro, no teatro do Ministério das Comunicações, na capital.

O embaixador do Vietnã em Havana relatou que também em instituições e escolas de províncias como Pinar del Río, Holguín, Camaguey e Guantánamo, ocorreram reuniões e eventos que consolidaram a irmandade entre os dois países.

«No Vietnã, a atividade central esteve voltada à inauguração de um busto do Comandante-em-Chefe Fidel Castro, na cidade sede da província de Quang Tri, nesta cerimônia estiveram presentes altos representantes do Governo do nosso país e pela parte cubana presidiu a delegação oficial o membro do Bureau Político do Partido Comunista de Cuba e primeiro-vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros Salvador Valdés Mesa. Dong Ha terá a honra de ser a primeira cidade do mundo com uma praça chamada Fidel Castro», explicou o diplomata.

No lugar já foi colocado um busto de bronze do líder histórico da Revolução Cubana, montado acima de um pedestal de mármore e no fundo se levantam três montículos que evocam as montanhas onde lutaram pela independência definitiva da Ilha.

Nesses montículos, já cobertos de grama, foram plantadas várias palmeiras reais, árvore nacional de Cuba. Um pouco à esquerda, como pano de fundo, um pequeno lago artificial trará uma lembrança clara do mar do Caribe.

AMIZADE DAS RAÍZES

Da raiz mais poderosa nasceu a amizade entre o Vietnã e Cuba, que nos lembra os versos de Ho Chi Minh: «Somente quando a raiz é firme, a árvore pode viver muito tempo». Talvez seja por isso que entre Cuba e o Vietnã cresce uma eterna amizade que tem sua essência na alma de seus povos.

«Agora é responsabilidade das novas gerações e dos novos líderes de nossos países que as relações bilaterais entre Cuba e Vietnã continuem sendo de fraternidade, solidariedade e apoio inabalável e foi desde 1960 quando estabelecemos relações diplomáticas entre os dois países», afirmou Nguyen Trung Thanh.

«Os dois Estados compartilhamos a mesma ideologia, há laços de confiança mútua e temos que trabalhar para levar a relação econômica e comercial ao nível das relações políticas», comentou.

O Vietnã é o segundo parceiro comercial de Cuba na região asiática. A visita a Cuba do secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, companheiro Nguyen Phu Trong, em março deste ano, permitiu fortalecer as relações, com a assinatura de 22 acordos que se concretizaram nos últimos meses.

A amizade entranhável superou o teste do tempo. Um sólido relacionamento foi construído, forjado nos difíceis anos da luta pela libertação de nossos povos.

Cuba e o Vietnã também estão unidos por coincidências históricas, já que o acaso permitiu que o dia 19 de maio se transformasse em uma data comum. Naquele dia de 1895, José Martí caiu em combate e, cinco anos antes, o lendário e excepcional revolucionário Ho Chi Minh nasceu em uma aldeia humilde.

Fidel e Ho Chi Minh nunca se conheceram, mas juntou-os as ideias justas, os desejos de liberdade para seus povos, o desejo de lutar e a imensa sabedoria que só os grandes homens, verdadeiros líderes têm e transmitem.

Esses mesmos princípios continuam entrelaçando os povos cubano e vietnamita, portanto, corresponde às novas gerações concretizar as suas ideias todos os dias, materializá-las e torna-las imperecedouras em função do mundo melhor que construímos e queremos para toda a humanidade.

EVENTOS NAS RELAÇÕES DE CUBA E O VIETNÃ

- Relações diplomáticas

Comemorando o desembarque do iate Granma e a criação das Forças Armadas Revolucionárias, em 2 de dezembro de 1960, Fidel declarou a popular decisão de estabelecer oficialmente relações diplomáticas com o Vietnã.

- Trocas acadêmicas

Na década de 1960, o primeiro grupo de estudantes vietnamitas chegou a Cuba. De 1961 até o presente, mais de 3 mil estudaram diferentes carreiras universitárias na nação caribenha.

- A solidariedade

Em 25 de setembro de 1963, foi fundado o Comitê Cubano de Solidariedade com o Vietnã do Sul, presidido pela heroína de Moncada Melba Hernández. Hoje é a Associação de Amizade Cuba-Vietnã.

- Visita do Balé Nacional de Cuba

Em 1964, membros do BNC, liderados por Alicia Alonso, visitaram Hanói. Foi a primeira companhia cultural que viajou para a República Democrática do Vietnã e foi recebida por Ho Chi Minh.

- Visitas de alto nível

O secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, companheiro Nguyen Phu Trong. visitou Cuba em março de 2018. O primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Salvador Valdés Mesa, foi recebido por Phu Trong, em setembro passado, com motivo do 45º aniversário da primeira visita de Fidel Castro ao Vietnã.

- Projeções na ZEDM

Atrair o investimento estrangeiro e o desenvolvimento de um parque industrial são alguns dos objetivos da empresa ViMariel S.A., empresa cubana com capital inteiramente vietnamita assente na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel (ZEDM), desde agosto deste ano.

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