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Diário Liberdade
Sexta, 18 Novembro 2016 19:29

Cuba: Prodal, uma empresa estatal socialista para crescer

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País: Cuba / Laboral/Economia / Fonte: Granma Internacional

Por Nuria Barbosa León

Cuba aposta no empoderamento da empresa estatal socialista como motor que dará impulso ao modelo econômico almejado e a máxima aspiração se expressa em como conseguir de forma concreta um crescimento sistemático, sob o princípio da eficiência e a produtividade.

Assim o conheceu o Granma Internacional através da produtora e comercializadora Prodal, uma entidade pertencente ao Grupo Empresarial da Indústria Alimentar (GEIA), com mais de 50 anos de fundada e responsável pelo processamento de mais de 15 mil toneladas anuais de carnes, aves, peixes e frutos do mar, com vendas à rede hoteleira e ao mercado interno em pesos conversíveis (CUCs), primordialmente.

Seus produtos: carnes moídas, croquetes, almôndegas, filés e hambúrgueres (classificados em enchidos, defumados e frios), têm um alto valor nutritivo e qualidade certificada, pelo qual são preferidos pelas famílias para uma rápida elaboração na atividade doméstica diária e para a mesa em locais de trabalho, educativos e hospitalares.

Suas três usinas produtoras elaboram mais de 40 produtos e entre seus objetivos básicos se encontra: incrementar permanentemente a eficiência industrial nos processos produtivos, certificando a diminuição dos custos; garantir uma alta disponibilidade técnica do equipamento e as instalações; desenvolver um sistema integrado de trabalho com os recursos humanos que potencialize a preparação, organização e direção destes; e continuar trabalhando no desenvolvimento e introdução de novos produtos, com alta qualidade e preços competitivos.

Em entrevista ao Granma Internacional, a diretora de Organização, Supervisão e Controle, Maricel Torres Lorenzo, explicou que a principal preocupação dos dirigentes é assegurar a labuta diária aos 1.368 trabalhadores em 24 horas de trabalho contínuo. O centro da atenção focaliza-se nos operários, que participam da produção por sua contribuição direta como força de trabalho, na tomada de decisões e na distribuição das rendas.

A licenciada acrescentou que os horários de trabalho são de 16 horas, pelo que na madrugada executam os trabalhos de limpeza e higienização e a caldeira e o quarto de máquinas mantêm seu funcionamento. Também, proporcionam alimentação, vestuário e os meios de proteção individual. Uma vez por semana realizam atos matutinos com informação básica e um dia no mês convocam às assembleias sindicais, para debater o cumprimento dos planos produtivos, a execução do orçamento, o uso eficiente dos combustíveis, a disciplina e a organização do trabalho, entre outros temas de interesse, com o propósito de tornar partícipe os trabalhadores das decisões coletivas.

«A empresa conta com um posto médico integrado por uma doutora e uma enfermeira, com serviço de ambulância mais assistência odontológica. Também uma pequena frota de transporte transfere o pessoal de e até as proximidades da casa. Preparam a mão de obra qualificada com cursos de capacitação para operários, técnicos e motoristas, para isso estão habilitadas salas de aulas e uma biblioteca especializada», comentou a dirigente.

Acrescentou que entre outras atividades lembram as datas históricas da Revolução, principalmente o mártir Argelio Reyes Aguilar, que foi diretor da empresa por vários anos, assassinado na vil sabotagem perpetrada em Barbados a um avião cubano em pleno voo, em 1976. Neste ano 2016 dedicaram uma exposição de fotos ao líder da Revolução Fidel Castro em seu 90º aniversário, exibida na área da recepção.

«Também ativam um plano de férias para que os filhos dos trabalhadores curtam no verão, fazem festas e contam com uma equipe esportiva de softbol que os representa em diversos torneios», indicou Torres Lorenzo e assegurou; «Nossa empresa ocupou, durante muitos anos, um lugar importante no mercado nacional, oferece produtos de qualidade e isso permitiu ganhar a preferência de muitos clientes».

COMPROMISSO DE TRABALHO E REALIZAÇÃO PESSOAL

Acerca do nível acadêmico dos trabalhadores, a diretora de capital humano, Bárbara Muguercia Correa, argumentou que a força de trabalho supera a 12ª série escolar, provêm por pedido próprio ou formados de escolas tecnológicas ou universidades. «Muitos deles, antes de se formar fazem seu estágio aqui e depois decidem permanecer aqui para trabalhar conosco», afirmou.

Apontou, também que ao entrar na empresa lhes é ministrado um adestramento acerca das normas de higiene, a proteção pessoal e os deveres que deve cumprir cada um, posteriormente realizam um percurso pelas áreas com uma explicação pormenorizada dos lugares de acesso, as medidas contra fogos, os planos de evacuação perante acidentes ou desastres naturais e, por último, é avaliado o conteúdo para fixar o conhecimento.

A dirigente destacou que já contam com vários profissionais formados em Mestrados. Para todos, o propósito principal consiste em respaldar a qualidade das produções, certificadas e avaliadas com as normas ISO 9000, amparado pela aplicação do Sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, prevendo assim que o processo produtivo conte com os requisitos necessários e se ajuste à normalização baseada na legislação vigente.

Deste tema falou a diretora de Qualidade, Tecnologia e Desenvolvimento, Jacqueline Esquijarosa Alvárez: «Existe na entidade um coletivo de trabalho conformado por um corpo de inspetores colocados nas linhas de produção, um laboratório para verificar o peso exato, a qualidade das matérias-primas e o produto elaborado. Predomina um grupo de desenvolvimento que introduz a variedade ou a correção nas produções».

«Outros colegas se encarregam de zelar pela higiene e epidemiologia dos locais, pelo cumprimento do estipulado na elaboração dos alimentos e o cumprimento estrito da higiene pessoal, a lavagem das mãos e a colocação de luvas, gorros, calçado e batas sanitárias», manifestou a também Licenciada em Microbiologia.

«Igualmente», ressaltou Esquijarosa Álvarez, «os inspetores da empresa visitam os pontos de venda e perguntam aos consumidores para medir o grau de satisfação com os produtos elaborados por nós, além de ter criado um sistema de queixas e atendimento ao cliente para receber qualquer tipo de comentário negativo sobre nossas produções e imediatamente corrigir alguma deficiência».

Este rigor permitiu à empresa merecer vários prêmios da qualidade no âmbito nacional e de participar de feiras comerciais, como a agropecuária, a Convenção de Alimentos e a realizada, cada ano, no recinto expositivo da ExpoCuba e nomeada Fihav.

Isso é respaldado pela chefe de usina de Processos Vários, Aclaris Alfonso Hernández, a quem se subordinam mais de 380 trabalhadores e se ocupa de controlar as cartas tecnológicas, as medidas de higiene, de segurança do trabalho e a qualidade dos produtos. «Minha principal preocupação é oferecer um melhor atendimento ao coletivo de trabalho, para gerar maiores volumes de produtos», assegurou Aclaris, também Técnico Médio em Química dos Alimentos, com mais de dez anos dentro da entidade, começando desde controladora de dados até chefe de brigada, depois chefe de horário, até chegar a diretora.

Ela ressaltou que seus trabalhadores são muito consagrados, com um acentuado sentido de apego ao centro e uma grande identidade por seu local de trabalho. Ganham salários vinculados aos resultados mensais e à complexidade do trabalho, com estímulos monetários na ordem individual e coletiva.

«Nos processos produtivos a meu cargo se desempenha um grande número de mulheres, porque realizamos muitas atividades manuais. Dentro da usina confluem várias gerações de trabalhadores, recebemo-los a partir dos 18 anos e escasseia a flutuação na força de trabalho. Transmite-se muito conhecimento entre eles, formando-se uma tradição produtiva. Apesar de que o trabalho é intenso o compensa o fato de assumir o coletivo de trabalho e sentir-se participante ativo dentro do processo produtivo. Consideramo-nos uma família», asseverou Alfonso Hernández.

Com ela concorda a jovem chefa da usina de Enchidos, Janet Hernández Smith, que realizou seu estágio de Engenharia Química na Prodal e depois desenvolveu um tema de pesquisa para defender sua tese de graduação. Ao formar-se pediu por decisão própria integrar-se ao coletivo de trabalho.

Apontou: «Levo poucos anos trabalhando na empresa, mas me sinto atraída por aquilo que faço. Aprendi muito acerca de minha profissão e ainda posso aprender mais. Senti o apoio do Conselho de Direção para desempenhar-me em minha atividade de dirigente, também meus colegas e subordinados contribuem com experiências para dar melhor qualidade às produções».

Nesse sentido, a chefe da Usina de Defumados, Sisley Vega Delá, insistiu em que o processo de aprendizagem é dado até que a pessoa deseje e igual acontece com a promoção para ocupar cargos, atendendo ao bom desempenho mostrado e diz sentir-se muito realizada do ponto de vista profissional.

Ela é formada em Licenciatura em Matemática, começou como especialista de salário e depois transitou por outros postos de direção, atende 187 trabalhadores, deles 170 como operários e quatro em funções de dirigentes. «Minha usina é um elo produtivo essencial, ligado às outras, portanto mantemos uma comunicação interna empresarial que nos permita resolver problemas e dar resposta às demandas de trabalho», apontou.

Alguns desses problemas aparecem ao manter ativo o equipamento produtivo, daí a necessidade de um grupo de técnicos responsáveis pela manutenção à tecnologia, que ao mesmo tempo colocam em funcionamento todos os sistemas, maquinarias e redes. Aqui trabalha Cándido Fuente Lazaga há 35 anos. «Comecei com 21 anos e já quase estou na idade da aposentadoria. Este foi meu único local de trabalho»

Por sua experiência conhece os processos produtivos e destaca o trabalho realizado pelos inovadores e inventores, que geraram ideias para substituir peças e introduzir mudanças, graças a eles se mantém funcionando a maior quantidade dos equipamentos.

A empresa também foi vítima do criminal bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de 50 anos. Sofreram os efeitos do bloqueio com a entrada de uma minigeladeira para a usina de Defumados. Depois de ser comprada e fazer mudanças na estrutura da edificação não entrou ao país a esteira, porque alguns de seus componentes eram de fabricação estadunidense. Tiveram que esperar mais de um ano e meio para adquirir outra esteira.

Então, Prodal tem pela frente vários desafios do presente e do futuro: Incrementar permanentemente a eficiência industrial; buscar novos mercados para aumentar as vendas de forma sustentada e desenvolver uma estratégia de trabalho que lhes facilite se inserir no mercado externo.

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