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Quarta, 13 Dezembro 2017 18:28 Última modificação em Sexta, 22 Dezembro 2017 15:16

O golpe pode ser derrotado nas eleições?

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País: Brasil / Batalha de ideias / Fonte: Causa Operária

Essa é a maior dificuldade no momento atual em que a maior parte da esquerda tem a ideia de que a situação será mudada por meio das eleições, como se fosse um milagre. A eleição reflete de maneira bastante deformada uma determinada relação de forças. Aquele que não tem forças fora das eleições, também não as têm nas eleições.

É preciso ter muita força real para se impor na eleição e mesmo alguém com essa força pode ser impedido de ganhar as eleições pela burguesia. Lula esperou quatro eleições para chegar ao governo em 2002, mas tinha muito mais força popular em 1989. As eleições não refletem de maneira perfeita a relação de forças porque são dominadas pelos setores fundamentais da burguesia, isto é, porque as eleições não são neutras.

Do ponto de vista da força, o movimento operário, popular, o único que poderia constituir um poder por conta própria, só consegue dar demonstrações extraordinárias de fraqueza, como se viu nesta semana com a suspensão da greve geral do dia 5, resultado das lutas internas dentro das centrais sindicais e partidos que não querem se lançar a uma política de mobilização, que não abriram mão de uma política eleitoral. Depois de desmarcar a greve, convocaram atos públicos que foram um fracasso extraordinário no país inteiro.

Os atos públicos vêm em uma curva declinante. Quando se colocou na ordem do dia, em 2015-2016, a luta contra o impeachment era uma mobilização difícil no começo. Muita gente atribuía a dificuldade de mobilização a que o povo estaria supostamente do lado da direita.

Não se tratava disso, mas sim de uma campanha política muito forte da direita, muito bem organizada, contra o PT e a esquerda e que fazia com que setores que normalmente são oscilantes em toda situação política, refletissem a posição da direita, mobilizavam os setores efetivamente da direita, que são minoritários, e colocava na defensiva os setores esquerdistas

Nosso Partido, que participou deste movimento desde o princípio, viu como, sob a pressão da campanha da direita, a esquerda tinha medo de se pronunciar contra o impeachment em um primeiro momento.

Foi feito um esforço grande, do qual participamos, que levou à formação da Frente Brasil Popular, à convocação de grandes manifestações contra o golpe e começou a quebrar o espirito defensivo que dominou a esquerda. Até determinado ponto que os atos contra o impeachment começaram a crescer cada vez mais.

impeachment foi aprovado na Câmara e isso foi um balde de agua fria na cabeça da esquerda.

A esquerda tinha a perspectiva de derrotar o golpe pela via institucional, no Congresso Nacional. Era sem propósito. A única solução era fazer com que a mobilização aumentasse. Foi chamada uma greve geral, que embora não tenha sido a maior possível, tinha possibilidade de se desenvolver, como outras ações de rua, mas isso foi estrangulado em torno da ideia de que em última instancia não adiantava lutar contra o golpe, a ideia de que era preciso “virar a página do golpe”, que significava admitir a derrota e partir para se recuperar nas eleições..

Um setor lançou a palavra de ordem de “diretas já”, apregoando que essa era a saída. Isso se evaporou na situação política

Agora temos a formulação: “vamos ganhar as eleições de 2018”. Também é uma fantasia. Se não houver mobilização popular, ninguém vai ganhar eleição em 2018. A única possibilidade para essa política vingar, do jeito que está sendo conduzida hoje, é que a revolta popular chegue a ser tão grande que haja uma mobilização espontânea contra a direita. Mas quem pode traçar uma política apoiando-se nisso?

Os que acreditam na possibilidade da eleição de 2018 pensam que o medo que os golpistas têm dessa eventual explosão popular, vai levar a que não fraudem as eleições, não as desconvoquem, não façam anda para garantir o predomínio do golpe durante as eleições. O que não é verdade, porque se fosse assim não teriam dado o golpe, não teriam levado adiante a reforma trabalhista, a reforma da previdência, R$34 bilhões em emendas para aprovar as reformas etc. 

Se os golpistas tivessem medo do povo não teriam dado o golpe. E se deram o golpe, e agora estão com medo do povo sem que o povo tenha feito nada, então são golpistas fajutos, não teriam capacidade para dar o golpe. O golpe entrou em crise, a burguesia está dividida, mas a possibilidade de que entreguem o poder de volta ao PT sem que aconteça nada que os obrigue a fazer isso é muito remota.

Neste momento, temos duas possibilidades. Uma, apostar tudo nas eleições de 2018. Outra, somente através de uma ampla mobilização popular é possível impor derrotas parciais e totais aos golpistas. Mesmo aqueles que acham que uma solução seria a vitória do PT nas eleições de 2018, deveriam entender que mesmo esta perspectiva só pode ser garantida por uma mobilização popular. Teriam que eleger um governo contra toda a burguesia, a tentativa de fraude, a mudança no regime, o golpe militar, e depois governar. Como seria possível? Qual seria a base para esse governo?

O atual Congresso golpista teria que perder as eleições em todos os lugares. Mas o mais provável é que vão renovar ou mesmo aprofundar a composição direitista do Congresso. Lula falou que quem for eleito vai ter que governar com o Congresso. Mas um Congresso igual ao dos dias de hoje faria unicamente o mesmo: conspirar para derrubar o governo.

O problema da mobilização é decisivo. Não é possível progredir no marco desta situação deixando as coisas caminharem exatamente como estão hoje, com o movimento operário em uma intervenção extremamente débil, como vimos nas recentes manifestações do dia 5.

Para uma mobilização forte, é necessário um esforço extraordinariamente grande de todas as organizações operárias para mobilizar os trabalhadores, porque a situação não é favorável à mobilização. Há um potencial, mas não há mobilização de fato. Para a mobilização é preciso uma perspectiva política definida e o movimento está mergulhado na confusão. Ou há luta contra o golpe, ou há uma política de avestruz, que ignora a existência golpe.

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