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Terça, 07 Agosto 2018 14:23 Última modificação em Sábado, 11 Agosto 2018 02:17

A única política realista é “Lula ou nada!” o resto é se render ao golpe

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País: Brasil / Batalha de ideias / Fonte: Causa Operária

[João Jorge Pimenta] Para os mais leigos da política, o processo político é quase que exclusivamente a política eleitoral. Na verdade as eleições são apenas uma versão distorcida da política real, a luta de classes, da luta política travada no dia a dia, e uma distorção que nunca favorece os trabalhadores.

Na época eleitoral a burguesia limita onde se pode fazer campanha, de onde o dinheiro pode vir, que tipo de campanha pode ser feita, é o terreno favorito da burguesia, podemos ver que nem nos momentos maiores de radicalização do povo, a esquerda operária conseguiu uma maioria no parlamento burguês.

O PT, que contava com apoio de um amplo setor dos capitalistas, com fileiras de milhões de trabalhadores de trás de suas bandeiras, nunca conseguiu nem 20% dos deputados, quanto mais uma maioria.

Agora, em época de eleições, carreiristas e oportunistas de todos os tipos vêm dizer para a militância que é preciso fazer escolhas práticas, “pragmáticas”, para “ganhar as eleições”. A primeira destas escolhas práticas seria abandonar a candidatura de Lula para presidente, escolher um novo candidato, abandonar a campanha de protesto contra o golpe, fazer campanha como se nada tivesse acontecido.

Estes senhores “práticos”, os generais do “Plano B”, falam como se estivéssemos participando numa disputa de iguais com a direita golpista. Mas não estamos. A eleição será regulada pelo TSE, que está nas mãos de quem prendeu Lula, e a publicidade das eleições será feita pelo monopólio da imprensa golpista, em primeiro lugar, a Rede Globo, articuladora do golpe.

Mas mesmo assim, na improvável eventualidade de, se contra tudo e todos, sem lutar,   a esquerda vencesse as eleições, irá a direita aceitar uma derrota? Ou eles farão como fizeram em 2014, começarão um novo “terceiro turno”, um novo golpe de estado?

Participar das eleições como meras eleições, como se fossem justas e democráticas, e não uma roleta viciada, é se render ao golpe, e, ao contrário do que diz a esquerda rendida ao golpe, não é a única opção.

Nas eleições é preciso fazer campanha contra o golpe. Exigir que libertem os presos políticos da República de Curitiba, começando por Lula. É preciso ir às ruas e fazer para campanha pela presidência de Lula contra a direita e contra o golpe. Se a direita escancarar a farsa e não permitir que Lula seja candidato é preciso que a população não assine embaixo, denunciando as eleições e a fraude que se tornaram e fazendo com seja lá qual for o golpista “eleito”, será eleito só com o voto dos ricos, sem a legitimidade do povo.

A burguesia estabeleceu as suas regras para as eleições, o TSE está escolhendo quem pode ser candidato. É preciso derrotar a direita e forçar, nas ruas, ela a aceitar a derrota. O povo tem que escrever as suas próprias regras, e o artigo 1º tem que ser: É Lula ou nada!

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