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Diário Liberdade
Sexta, 24 Junho 2016 14:06 Última modificação em Segunda, 27 Junho 2016 21:00

Dentro do Quarto Verde: Os supremacistas brancos ainda perseguem os corredores do punk

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País: Estados Unidos / Cultura/Música / Fonte: Jacobin

Por Jarek Paul Ervin | Tradução de Alejandro Garcia para o Diário Liberdade

Em 29 de Abril, Green Room, o novo filme da nova estrela indie Jeremy Saulnier, chegou às salas nacionais. O filme apresenta um elenco só de estrelas — incluindo Patrick Stewart, Anton Yelchin e Imogen Poots — e conta a história de uma banda punk, em dificuldades, os The Ain't Rights, que por engano aceitam dar um concerto em um bar skinhead neonazi no interior profundo de Oregon.

Quando um dos membros da banda testemunha o rescaldo de um homicídio, ficam cativos no clube e são forçados a lutar pelas suas vidas. Green Room é um filme de [horror] atmosférico de fuga, perturbador e lindo ao mesmo tempo e tem recebido constantes elogios da crítica desde a sua estreia no Festival de Cannes o ano passado. Muitos sublinharam a execução do filme e os seus impressionantes efeitos visuais, particularmente o uso abundante da cor verde.

Mas o filme de Saulnier é interessante por outra razão. Ao encenar uma batalha entre punks e skins coloca questões mais amplas sobre o género e a sua política lançando uma luz na batalha, de longa data, entre as estirpes de esquerda e direita no punk.

Rock Contra o Racismo

Nos seus primeiros anos, o punk, politicamente, era basicamente uma cartada imprevisível. Enquanto que muitas das primeiras bandas flirteavam com significantes políticos — pensem na evocação à “Anarchy in the UK” dos Sex Pistols ou as alusões ocasionais à Alemanha Nazi em canções como “Blitzkrieg Bop” e “Commando” dos Ramones — estas eram feitas, em grande medida, para provocar e não por alguma filiação a movimentos concretos.

A ambiguidade de tais mensagens era igualada com a sua música, que pouco fez para clarificar os compromissos do punk através do som. Rock minimalista, tocado agressivamente, era um genérico para um sem número de valores sociais. Ainda que a expressão de que o punk é “revoltado, jovem e pobre” não seja necessariamente falsa, é ao mesmo tempo vaga: revoltada com quê? E com quem?

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Pelo final dos anos 70, estas questões recebiam respostas conflituantes. Na Bretanha, emergiram simultaneamente tipos de punk tanto de esquerda como de direita, catalisados pela ascensão da Frente Nacional Britânica (NF). Fundado em 1967, o partido ganhou proeminência durante os anos 70 ao capitalizar com a insegurança económica e o sentimento anti-imigrante.

Utilizavam retórica racista, culpando as minorias indianas e caribenhas pelos problemas britânicos. Uma das suas palavras de ordem, adornadas em cartazes, dizia: “Parem os gatunos, 80 porcento dos gatunos são negros, 85 porcento das suas vítimas são brancas.” No fim da década, a Frente Nacional havia atraído quase vinte mil membros, apresentado mais de cem candidatos às eleições britânicas e organizado dezenas de manifestações. Organizações de esquerda como a Liga Anti-Nazi — fundada em 1977 com o apoio do Partido Socialista dos Trabalhadores [Reino Unido] — surgiram para combater o grupo em ascensão.

A música encontrou um lugar proeminente neste movimento através da campanha Rock Against Racism (RAR) [rock contra o racismo] — uma rede informal de músicos e organizações que se organizaram após Eric Clapton, bêbedo, ter expressado apoio ao político de extrema direita, Enoch Powell e ter avisado que a Bretanha se estava a volver uma “colónia negra.” O RAR encorajou dezenas de bandas a falar abertamente contra o supremacismo branco. Muitas, que o fizeram, estavam afiliadas com o emergente movimento punk, incluindo os Clash, X-Ray Spex e Sham-69. Os fãs do RAR fundaram uma editora e uma revista e também organizaram concertos de bastante relevo e outros eventos apresentando artistas punk e reggae. O auge do RAR veio em 1978, quando co-organizou (com a Liga Anti-Nazi) um concerto e concentração em Londres que incluía uma marcha de Trafalgar Square até o Victoria Park arrastando à volta de oitenta mil pessoas.

De todas as bandas que participaram, os Clash eram, em esse período, os mais emblemáticos. Rivalizados, na sua iconicidade, apenas com os Sex Pistols e os Ramones, os Clash colocaram-se completamente à parte com a sua orientação política explícita. O vocalista, Joe Strummer, era um defensor explícito das causas progressistas. Actuando no Victoria Park, usou uma camiseta de apoio às Brigadas Vermelhas e com um logo, posicionado centralmente, da RAF [Rote Armee Fraktion]. Era apenas a primeira intimação de uma relação entre o punk, o anti-racismo e a extrema-esquerda.

Talvez ainda mais importante tenha sido o papel dos Clash em juntar estes valores ao som do próprio punk. Definindo letras abordando o racismo, a pobreza e o imperialismo com tonalidades raggae e um hard-rock guiado por guitarras, os Clash lançaram a retórica de esquerda em forma musical. Muitos fãs, provavelmente, vieram inicialmente para o punk através das canções dos Clash. E ao ouvir o explícito esquerdismo de “London's Burning,” “I Fought the Law,” e “Revolution Rock” é fácil de, erradamente, pensar que o punk seja intrinsecamente um movimento de esquerda.

Mas a reacção da direita à RAR rapidamente inspirou pontos à dupla face do punk. Em pouco tempo, a Frente Nacional organizou a Young National Front, uma tentativa de unir as questões do nacionalismo branco aos interesses dos adolescentes como o desporto e a música. Isto deu origem a um novo lema: Rock Against Communism (RAC) [rock contra o comunismo]. O punk de extrema-direita tinha nascido.

Contra-revolução

Esta contra-revolução punk continuou pelos anos 80. O RAC cresceu tornando-se uma enorme rede descentralizada de músicos, fãs e até uma editora de supremacistas brancos. A White Noise Records. Muitas bandas punk de direita ou simpatizantes de direita estavam intimamente ligadas ao subgénero punk Oi!. Ainda que não fizessem formalmente parte do RAC ou sequer fossem necessariamente de direita, o género tinha uma inclinação forte de classe trabalhadora branca e afiliações aos skinheads que geralmente levavam ao nacionalismo branco.

O mais proeminente destes grupos foi Skrewdriver, uma banda que viria a ser o grupo de supremacismo branco mais conhecido na história. Os Skrewdriver começaram nos anos 70 como um grupo punk relativamente comum, tocando ao lado dos Police e Damned em clubes como o Roxy.

Após um pequeno hiato, o vocalista Ian Stuart Donaldson (usualmente referido como Ian Stuart) recriou o logo do grupo, no início dos anos 80, com uma imagem nova de direita skinhead. O seu segundo álbum, Hail to the New Dawn (1984), editado pela editora alemã Rock-O-Rama Records, introduziu, na sua música, temas explicitamente neonazis. 

Pelo fim da década, os Skrewdriver tinham seguidores em todo o mundo. O seu tema de 1983, “White Power”, que foi editado em single pela White Noise Records é agora um hino para o nacionalismo de direita.

A canção apresenta a mitologia da extrema-direita em miniatura, incorporando, nos versos, posições sumárias explícitas da direita nacionalista britânica — “Em tempos tivemos um Império e agora temos um bairro-de-lata” — e um inolvidável refrão:


Poder Branco! Para a Inglaterra

Poder Branco! Hoje
Poder Branco! Para a Bretanha
Antes que seja demasiado tarde

Stuart viria a fundar a organização Blood and Honour, em 1987, tomando o seu nome do lema da Juventude Hitleriana “Blud und Ehre.”A Blood and Honour, afiliada com o grupo violento neonazi internacional Combat 18, tornou-se, provavelmente, na mais importante promotora de música de supremacia branca no mundo.

Lírica de Esquerda

A explosão de punk de direita não passou despercebida — ou sem ser desafiada. Pelos anos 80 e 90 houve um empurrão concertado, em determinadas frentes, para erradicar o punk racista. Em 1981, uma multidão, essencialmente de jovens asiáticos, protestando contra o racismo skinhead bombardeou um concerto da banda Oi!, 4-Skins. O ataque abriu um duro precedente, avisando os grupos a que não sejam ambivalentes no que toca a racismo.

Stuart enfrentou constante assédio por parte da Esquerda durante toda a década, antes de falecer em um acidente de viação em 1993 (muitos dos fãs de Stuart afirmam que este foi assassinado). A resistência anti-direita também teve uma forma musical.

Seguindo os passos dos Clash, bandas britânicas como os Angelics Upstarts, Oppressed e Exploited criticavam o racismo, o “Thatcherismo”, o imperialismo e frequentemente professavam posições explicitamente socialistas ou anarquistas nas suas letras. Roddy Moreno dos Oppressed veio a tornar-se a cara pública dos skinheads anti-racistas, ou SHARPs (“Skinheads Against Racial Prejudice”).

Apesar de não ser formalmente uma organização, a designação SHARP fez recuar o racismo no movimento skinhead e ainda continua a ser, até aos dias de hoje, um forma de identificação proeminente para os skinheads de esquerda. “I Believe in Anarchy” e “Hitler's in the Charts Again” dos Exploited — esta última um aviso da persistente influência Nazi nas posições do Reino Unido — tornaram-se hinos para uma poderosa esquerda punk. Grupos como os Conflict, Flux of Pink Indians e Chumbawamba (sim, isso mesmo Chumbawamba) uniam um som mais inquieto com um esquerdismo mais vigoroso.

A banda do Reino Unido, Crass, foi essencial para guiar este surto radical. Formados em 1977, lideraram a transição do punk clássico para uma forma mais politizada e agressiva na sua segunda década. O grupo usava imaginário que gozava com a autoridade britânica e letras que esbatiam a linha entre a letra de uma música e um discurso político; um dos números consistia na frase “luta contra a guerra, não lutes nas guerras” cantada sobre apenas uma tarola.

A reputação controversa dos Crass — o seu tema “Asylum” era tão estridente nas suas críticas à igreja britânica que a polícia chegou a investigar o grupo —ajudou a coser o punk com a esquerda, uma afiliação que se tornou paradigmática nos nossos dias.

Nos Estados Unidos, a viragem à esquerda no punk foi mais subtil, as divisões políticas menos pronunciadas. Mas houve muitas excepções, como, por exemplo, os Dead Kennedys. A música mais famosa da banda de Bay Area é provavelmente “Nazi Punks Fuck Off” (uma canção tão famosa que Saulnier pôs os The Ain't Rights a tocá-la no Green Room). No final dos anos 80, ao mesmo tempo que as variantes batalhavam pela alma do punk, o género foi transformado de uma subcultura urbana e anglo-americana em um fenómeno mundial com dezenas de subgéneros.

Hatecore

Mas a crescente popularidade do punk de esquerda não fez esmorecer as multidões do punk de direita. Começando a meio dos anos 80, o som do RAC começou a disseminar-se pelo mundo, transformando-se em um código geral de palavras para a música supremacista de todos os tipos. Também conhecido como “hatecore”, o RAC acabou por englobar uma variedade de géneros com simpatia pela direita, desde o punk e hardcore até às “ballads” — fundamentalmente música folk de direita.

Mas mesmo com a diversidade contemporânea, o punk mantém-se no centro deste mundo musical. Ao lado com o subgénero heavy metal, National Socialist Black Metal (NSBM), o RAC é o som que define uma alargada comunidade internacional de supremacistas brancos.

Em este meio, Ian Stuart continua a ser reverenciado, celebrado com concertos à sua memória e biografias laudatórias. O RAC tem sido especialmente poderoso na Europa continental, onde os supremacistas brancos têm tido um papel ascendente na política contemporânea. Os europeus brancos supremacistas — ávidos, consumidores desde o início da RAC britânica — rapidamente juntaram a música para promover movimentos que iam desde o neonazismo até ao paganismo de direita, mitologia nórdica e Odinismo.

Isto é especialmente verdade na Alemanha, onde a extrema-direita está em ascensão. O país tem dezenas de grupos de direita activos, incluindo o Preussen Standarte (“Estandarte Prussiano” assim nomeado pelo estado que teve um papel central no Império Alemão), Sleipnir (pelo cavalo de Odin na mitologia nórdica), e Alocer88 (pelo demónio e o número 88, um identificador neonazi habitual). Tampouco a influência do RAC está confinado à Europa. O RAC expandiu-se nos Estados Unidos através de uma ampla rede de organizações de supremacistas brancos. Editoras como a Panzerfaust e Resistance Records (criadas durante os anos 90) editam e distribuem música RAC e NSBM.

Muitas mantêm laços activos com grupos supremacistas brancos; a própria Resistance Records foi listada como “grupo de ódio” pela Southern Poverty Law Center. O RAC sediado nos Estados Unidos ganhou, recentemente, atenção dos média na sequencia do massacre do templo sikh, de 2012, em Oak Creek, Wisconsin. Após o massacre, os investigadores descobriram que o autor do crime, Wade Michael Page, era um supremacista branco que tocava em uma banda RAC, End Apathy.

Ainda que as suas mensagens sejam ambíguas, o grupo utiliza um certo número de tropos habituais de supremacia branca e neonazi na sua música. O seu próprio nome já o diz — frases como “end apathy” [acaba com a apatia] ou “Offne Deine Augen” (“abre os teus olhos”) são eufemismos comuns para encorajar as pessoas a tomar as causas do nacionalismo branco.

Em uma era em que os supremacistas brancos usam a Internet como base de recrutamento, sítios como Hammerskin Nation e Stormfront tornam a música RAC imediatamente acessível. Muitos sítios de Internet hospedam discografias exaustivas, entrevistas com artistas como Stuart e outro material promocional de rock supremacista branco.

Um sítio, a Hammerstorm, apresenta quase todos os “clássicos” dos primeiros tempos, assim como numerosos álbuns dos anos mais recentes (incluindo a demo dos End Apathy). A Hammerstorm tem dezenas de álbuns só deste ano. Ainda que as edições recentes continuem a utilizar estilos e retórica que datam dos primeiros tempos do RAC, os grupos supremacistas brancos continuam, de forma alarmante, actuais.

Um variado número de gravações, no sítio, aborda a existente crise de migrantes na Europa e abraçam políticas anti-islâmicas. A compilação Hammerstorm Vol. 5, publicada em 20 de Abril, apresenta um variado leque de artistas internacionais e inclui canções com títulos como “Mosque Burner” e “We Honor The Swastika”, “The Symbol Of Our Aryan Pride.”

A imagem da capa do álbum tem representada uma mão escura que se aproxima para oprimir a Europa. A Islamofobia tem sido uma força galvanizadora para a música RAC, assim como para o nacionalismo branco mais genericamente. Um grupo, os Kill Baby, Kill, actualiza o lema do RAC para uma nova era, intitulando uma canção “Rock Against Islam.” Isto encaixa com o emblema comummente usado em linha, substituindo o martelo e a foice por uma lua crescente com estrela.

De Que Lado Estás

O tropo punks vs skins ganhou consistência nos últimos anos à medida que o punk de esquerda continua a crescer. O legado dos pioneiros como os Crass e Conflict persiste através de um variado número de subgéneros, incluindo o anarco-punk, o peace punk, e o crust punk. Estes e outros fazem com que as posições de esquerda não sejam apenas uma parte mas sim a parte central do conteúdo das letras.

Tais grupos continuam o projecto original do RAR de oposição ao nacionalismo de direita. Criaram novos lemas para substituir os velhos, incluindo “Smash Racism” dos Nausea, Smash Division dos Disrupt e “Fuck Nazi Sampathy” dos Aus-Rotten.

Muitos artistas actuais, editoras e locais de concertos contribuem para uma rede informal de punk anti-racista. A Profane Existence, editora sediada em Minneapolis, é um farol para esta música e um grande número de grupos com tendências de esquerda — como os Appalachian Terror Unit, Kran, Silence e Contravene — têm trabalhos recentes editados por esta editora.

As suas canções abordam os temas duros do anarquismo e do anti-racismo, mas as bandas de esquerda também tido respostas para os nossos dias. O mais recente álbum dos Appalachian Terror Unit (We Don't Need Them), contem canções que abordam a destruição ambiental (“Banners Over the Wasteland”), o abuso sexual (“Casualties of a Rape Culture”) e o complexo industrial-prisional (“Officer Down/Warehousing Prisoners”).

No entanto, apesar da importância deste trabalho, as grupos activos de esquerda punk são geralmente mais difíceis de localizar que os de inclinação de direita. Ainda que muitas bandas continuem a se opor ao racismo, o estandarte do RAC forma uma plataforma muito mais coerente e perigosa que o esquerdismo que é geralmente apenas presumido mas não declarado.

Enquanto se faz uma pesquisa rápida pelas produções RAC e facilmente se tem acesso à quase completa biblioteca de rock branco supremacista, o RAR, mais frequentemente, convoca a memória dos bons velhos anos 70, um período dourando antes do punk ter perdido a inocência.

O punk de esquerda manteve uma vigia persistente contra a Direita. Mas fora dos ângulos brilhantes da câmara e da luz ambiente dos cinemas de arte não é claro se o punk funciona melhor como uma voz da Esquerda ou como um instrumento de recrutamento para a extrema-direita. 

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