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Terça, 04 Setembro 2018 15:38 Última modificação em Segunda, 10 Setembro 2018 18:22

A História, a Educação e a Cultura arderam em chamas

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País: Brasil / Língua/Educaçom, Cultura/Música / Fonte: PCB

[Afonso Costa*] A tragédia que se abateu sobre o Museu Histórico Nacional expressa a sanha do capitalismo na busca incessante por lucro. O descaso de sucessivos governos, acentuado pelo golpismo, é o instrumento utilizado para tal barbárie; advém de quem só dá valor ao que proporciona lucro para o capital.

Segundo a Revista de História da Biblioteca Nacional, “o museu mais antigo do Brasil, com um acervo histórico, antropológico e paleontológico inestimável, está em chamas”. Queimou o maior patrimônio histórico e cultural do país.

Não foram “apenas” 200 anos de nossa história que arderam em chamas, foram milhões de anos representando a história do planeta, das civilizações, do próprio Brasil, do conhecimento, da pesquisa, da cultura. É uma perda irreparável, incomensurável.

Não foi um mero acidente, mas sim o reflexo direto do descaso de sucessivos governos e a adoção de políticas que privilegiam o capital em detrimento do ser humano, da sua história, da natureza, do planeta. Os mesmos governos que destinam cerca de 45% do Orçamento da União para a pseudo dívida pública dão isenções de bilhões de reais para as grandes empresas e que roubam os cofres públicos são os responsáveis por essa tragédia. É a cara do neoliberalismo, um sistema danoso a beneficiar apenas o capital e seus cúmplices.

O museu é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com o estrangulamento das verbas para a educação e para as universidades públicas, os recursos da UFRJ minguaram e, consequentemente, os do museu. Em 2013, o museu recebeu cerca de meio milhão de reais. Dois anos depois, fechou por falta de recursos. Em 2016, foram suspensas as visitações por falta de verbas. Este ano, o diretor da instituição denunciou a falta de dinheiro, pois havia apenas para adotar “medidas paliativas”, já que até abril foram repassados somente R$ 54 mil, menos que o custo mensal de um ministro do Supremo.

Essa catástrofe é fruto daqueles que defendem a “Escola sem partido”, o fim do ensino de História, Geografia, Filosofia, Sociologia etc., o fim do pensamento e da cultura, da visão crítica, com o objetivo de coibir o livre pensar, o questionar, o debater e de garantir a mais valia para o capital através de mão de obra barata e sem consciência. É o reflexo claro de um governo golpista, sem qualquer legitimidade, que congelou os gastos em Educação, Saúde, Segurança etc. por 20 anos.

O golpista Temer, os ministros da Cultura e da Educação, o governador Pezão e o prefeito Crivella são responsáveis diretos (ainda que não os únicos) por esse crime, são as ferramentas que o capitalismo utiliza em sua busca incessante por lucro. Há anos o estado de abandono do museu é denunciado. Funcionários, pesquisadores, reitores, reiteradamente lutaram por mais verbas públicas para a instituição. Nenhum governante os ouviu. Mais uma vez o descaso prevaleceu em favor do capital.

Essa tragédia trouxe à memória a queima de livros promovida pelos nazistas durante a hegemonia hitlerista. A intolerância, o desprezo pela vida, cultura, história, bem-estar social etc. são similares. Vivemos uma conjuntura tão extrema que um nazista é um dos principais candidatos à Presidência da República.

Perdemos, o Brasil perdeu. Um acervo insubstituível, assim como é insubstituível a vida de milhões de brasileiros, perdida para as balas, a repressão, os baixos salários, a falta de saneamento, o desemprego, o desalento, a homofobia, a misoginia e todas as formas de opressão que o capital – as grandes empresas e bancos – utiliza para lucrar cada vez mais.

Ao ver as cenas de destruição da nossa memória, não foi só a indignação que prevaleceu. Confesso que chorei.

*Jornalista e militante do PCB

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