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Sexta, 01 Setembro 2017 00:18 Última modificação em Terça, 05 Setembro 2017 13:32

Avante!: A Festa que nasce da militância

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País: Portugal / Reportagens / Fonte: Abril Abril

A preparação e construção da Festa do Avante!, que começa já esta sexta-feira e decorre até domingo, têm muito que se diga. O trabalho é realizado por militantes e simpatizantes que dão significado ao que se chama «trabalho colectivo». O AbrilAbril falou com militantes da Juventude Comunista Portuguesa (JCP) para nos mostrarem um pouco desta experiência.

Vários são os encargos para se conseguir construir o evento político-cultural que é a Festa do Avante!, que este ano, de 1 a 3 de Setembro, abrirá portas na Atalaia/Amora, concelho do Seixal, previsivelmente a milhares de pessoas.

A ideia é transmitida pelo PCP: o essencial da construção e preparação da Festa é feito pelos militantes e simpatizantes. Ou seja, não é um evento que se diferencia apenas pela diversidade do seu programa, mas também pela forma como se constrói. Mais novos ou mais velhos, são muitos os homens, as mulheres e osjovens que passam pela experiência de construção e preparação da Festa do Avante!, organizada pelo PCP, mas que, como o partido faz questão de referir, é feita para o povo português.

O trabalho não se resume à construção do espaço na Quinta da Atalaia, e agora também na Quinta do Cabo da Marinha. A divulgação através de propaganda variada, a venda da Entrada Permanente (EP), a dinamização de transportes organizados, a preparação de equipamentos e abastecimentos e a garantia de funcionamento da Festa nos três dias: tudo tarefas a dar resposta, que mobilizam toda a organização do PCP, em todo o País, para um resultado final que fica aos olhos de quem vai.

Os jovens que preparam a Festa

A «carrinha da Festa», transporte completamente decorado com o grafismo da Festa do Avante! e vários artistas do programa, já faz parte das iniciativas de divulgação da JCP há alguns anos, percorrendo o País, com o objectivo de contactar com a juventude para divulgar este evento politico-cultural.

Martim Cunha, 20 anos, estudante de Relações Internacionais, é militante da JCP há um ano e meio e fala-nos da experiência de estar envolvido na dinamização da carrinha, contando-nos que esta percorreu este ano vários locais de concentração de juventude: praias e vários festivais como o Meo Sudoeste, o Festival do Crato, o Festival de Músicas do Mundo ou o Sol da Caparica. Segundo Diogo Carriço, 15 anos, estudante do Ensino Secundário e militante desde Fevereiro, também foram com a carrinha «a escolas, durante o período de Exames Nacionais» e a empresas.

Explicam-nos que «há receptividade» perante a abordagem feita enquanto distribuem propaganda ao som da música da carrinha. É normal contactarem com pessoas que pedem informações sobre a Festa, contam os jovens, e encontram gente que já têm a EP ou que já vão há Atalaia há anos. São vários os militantes envolvidos nesta iniciativa de divulgação, havendo mesmo, segundo Martim, «camaradas que não se importaram de fazer vários dias na carrinha».

Mas os jovens comunistas não se ficam pela distribuição de propaganda na colorida carrinha em que se houve o som dos artistas da Festa. Revelam mais «tarefas» em que a JCP está envolvida para a preparação do evento. Desde logo, o concurso de bandas para o Palco Novos Valores, que, lembra Martim, «faz os seus 20 anos» de existência, sublinhando que «é uma afirmação do direito à cultura».

Este é um concurso que se desenrola antes de Setembro, dando projecção à nova música que os jovens fazem em Portugal e permitindo que bandas venham tocar no espaço da Festa. O concurso, que é feito de várias iniciativas que desde o início do ano divulgam a Festa em grande escala, contou este ano com 25 eliminatórias por todo o País e 70 bandas inscritas. 

Os jovens lembram mais iniciativas: fazem bancas de venda da EP, dinamizam transportes para levar jovens à Festa, de que é exemplo o «Comboio da Festa», vindo do Norte, e as excursões de autocarro de alguns locais do Interior.

Não poderiam esquecer a própria construção do espaço. Existe «uma brigada de implantação», com um conjunto de jovens que ao longo do Verão estão em permanência na Atalaia a construir a «Cidade da Juventude» (espaço dinamizado pela JCP e dedicado ao público jovem), ajudando ainda na construção de outros espaços.

Sobre o que mais gostam de fazer na preparação deste evento, Martim não hesita em dizer «a carrinha», tarefa a que esteve mais dedicado. Já Diogo diz «que não sabe bem, é tudo fixe», acabando por destacar a experiência de «montar a Festa».

A preparação da Festa do Avante! é uma coisa que para os comunistas não está desligada da discussão política da actualidade, e nos jovens isso não é excepção. Martim dá o exemplo dos plenários realizados pela JCP num fim-de-semana na Quinta da Atalaia, onde, depois de os militantes ajudarem a construir o espaço, reuniram e discutiram a situação política dos jovens no ensino secundário, superior, profissional e dos jovens que trabalham, encontros que envolveram «muita juventude».

Quanto ao que se pode esperar no espaço da juventude na Festa, Martim informa que terão bares, um restaurante vegetariano, uma banca que vende diversos materiais da JCP, os espectáculos do Palco Novos Valores e as actividades do Palco Agit (nome do jornal da JCP), como workshops, concertos e performances.

O funcionamento deste espaço também é garantido pelos jovens comunistas. Ou melhor, não só. Martim lembra que conseguem «envolver amigos [que não são militantes]» a fazer os turnos que põem o espaço a funcionar.

Mas afinal o que consegue envolver tantos jovens em tarefas para a preparação da Festa do Avante!, fazendo-os perder dias de férias e praia no Verão? Martim explica o seu ponto de vista: a valorização do «trabalho colectivo» e estar «a contribuir para o partido afirmar uma alternativa política».

«Só um partido e uma juventude como a nossa consegue fazer uma Festa como esta e abdicar de dias de férias», refere o jovem, partilhando que é «arrepiante ver as pessoas a entrar na Festa às 18h de sexta-feira e sentir que fui eu que ajudei a construir».

E o que é que diferencia a Festa do Avante! de outros eventos para estes jovens? Diogo destaca «o espírito de camaradagem e amizade» e Martim acrescenta que é um evento que tem «ao mesmo tempo cultura, desporto, gastronomia, etc., assim como pessoas de todas as idades».

É já amanhã que começa a Festa do Avante!, e até ao final do dia de hoje, a EP ainda tem um custo de 23 euros.

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