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Diário Liberdade
Quarta, 17 Abril 2019 19:48 Última modificação em Segunda, 06 Mai 2019 01:08

A delação que levou o ex-presidente do Peru ao suicídio

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País: Peru / Institucional / Fonte: Vermelho

Alan García teve as contas reviradas e apresentou provas da lisura das palestras e conferências que realizou ao redor do mundo. Mas a que teve patrocínio da Odebrecht acabou criminalizada com base em delação

Foi uma denúncia apresentada com base em delação de executivo da Odebrecht, desdobramento da Operação Lava Jato, que levou ao suicídio o ex-presidente do Peru Alan García, nesta quarta-feira (17). O político atirou na própria cabeça quando a polícia bateu em sua porta com uma ordem de prisão. Chegou a ser levado para o hospital e foi operado, mas não resistiu.

García já havia sido impedido, no final do ano passado, de deixar o País em decorrência das investigações. Temendo a prisão, chegou a pedir asilo político ao Uruguai, que não comprou a tese de que a Lava Jato peruana está fazendo perseguição com seus ex-presidentes – são pelo menos 4 no meio das delações.

O caso de García envolve principalmente a delação do advogado brasileiro José Américo Spinola, que afirmou no Brasil ter pago US$ 100 mil ao peruano a pedido da Odebrecht.

García não só negou a acusação como explicou que recebeu o dinheiro por uma palestra feita na Fiesp, em São Paulo, em maio de 2012. Para afastar de si as suspeitas, concedeu acesso a contas bancárias, contratos e outros meios de prova, na tentativa de atestar sua inocência.

Em nota ao GGN, a Fiesp esclareceu que não remunera as autoridades e palestrantes que recebe em suas dependências. (Veja mais abaixo)

No ano de 2013, o pente fino foi feito nas contas de García, levando em consideração o período de 2006 a 2011, e os anos seguintes à sua saída do governo. As informações deram conta de que o ex-presidente, assim como diversos outros ex-chefes de Estado, de fato recebeu dinheiro por conferências realizadas ao redor do mundo, principalmente na América Latina. Situação semelhante a do ex-presidente Lula, que também teve as atividades de sua empresa de palestras criminalizadas pela Lava Jato.

Somente entre agosto de 2011 e dezembro de 2012, García ministrou 18 palestras e, por elas, recebeu ao todo US$ 830 mil. A mais bem paga das atividades foi a da Fiesp. O ex-presidente apresentou contrato, recibo e cópia da transferência do dinheiro.

Na época, a apresentação das provas deteve as investigações. Mas a delação de Spinola serviu para contrariar García. O colaborador da Lava Jato afirmou que a palestra era fraude e que o pagamento era um dos subornos da Odebrecht ao ex-presidente.

Os investigadores peruanos passaram a construir a tese de que a propina a García foi dada em função da construção de um trem na capital peruana pela Odebrecht. A delação da empreiteira apontava o pagamento de US$ 4 milhões “ao ex-braço-direito e amigo de García no Palácio do Governo: o ex-secretário da Presidência e ex-ministro Luis Nava, que nega qualquer irregularidade”, anotou O Globo.

A Odebrecht firmou acordo com o Peru e se comprometeu a pagar US$ 182 milhões “como compensação civil” ao País, por conta de quatro licitações em que a empresa assume ter feito pagamento de subornos a autoridades locais.

Impacto político

García governou o Peru como nacionalista de 1985 a 1990. Depois, se reinventou como liberal e venceu a eleição em 2006. Além dele, a Lava Jato peruana investiga os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018).

Kuczynski, de 80 anos, foi preso preventivamente por 10 dias no início do mês. Nesta quarta, segundo O Globo, foi hospitalizado após sofrer uma crise de hipertensão arterial.

Toledo, que supostamente recebeu US$ 20 milhões da empreiteira pela construção de uma rodovia, vive nos Estados Unidos.

As ex-candidatas Lourdes Flores e Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), também foram presas, em outubro passado.

Com a palavra: Fiesp

“A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é a maior entidade empresarial do Brasil e representa o setor produtivo. Em função de sua política interna, não remunera palestrantes e convidados e nem cobra ingresso para as centenas de eventos que realiza anualmente. A Fiesp rotineiramente recebe chefes de Estado e personalidades políticas e foi nessa condição que Alan Garcia esteve presente em eventos na Federação.”

Fonte: GGN

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